sexta-feira, 16 de outubro de 2026
prorrogação

Prefeitura de Goiânia prorroga contratos de maternidades por seis meses e amplia repasses para R$ 51,6 milhões

Contratos da Maternidade Nascer Cidadão e do Hospital e Maternidade Dona Iris foram prorrogados por mais seis meses

Anna Salgadopor em
maternidade
Legenda: A decisão mantém a AHBB na administração da Maternidade Nascer Cidadão e o Instituto Patris no Hospital e Maternidade Dona Iris por mais 180 dias | Foto : Divulgação/Secom

A Prefeitura de Goiânia oficializou a prorrogação por mais seis meses dos termos de colaboração emergencial destinados à administração da Maternidade Nascer Cidadão (MNC) e do Hospital e Maternidade Dona Iris (HMDI). A decisão foi aprovada pelo Comitê de Controle de Gastos na quarta-feira (5) e representa um investimento total de R$ 51,6 milhões para o período de 180 dias. 

A medida ocorre em meio ao histórico recente de crises enfrentadas pela rede materno-infantil da capital, que inclui o colapso assistencial registrado no Hospital Municipal da Mulher e Maternidade Célia Câmara (HMMCC) e a substituição da organização social responsável pela gestão da unidade.

A prorrogação mantém o modelo de gestão atualmente adotado nas duas maternidades municipais e prevê a ampliação de serviços por meio de acréscimos financeiros nos contratos em vigor. Segundo a administração municipal, os recursos adicionais serão destinados à expansão da capacidade de atendimento em áreas consideradas prioritárias da assistência materno-infantil.

Na Maternidade Nascer Cidadão, administrada pela Associação Hospitalar Beneficente do Brasil (AHBB), o contrato terá aumento de 18,33%, totalizando R$ 15,9 milhões durante o novo período de vigência. O aporte adicional de R$ 2,4 milhões será destinado à implantação de uma linha própria de cirurgias eletivas nas especialidades de ginecologia e mastologia, ampliando a oferta desses procedimentos na unidade.

No Hospital e Maternidade Dona Iris, sob gestão do Instituto Patris, o contrato será elevado para R$ 35,7 milhões. O reajuste de 6,53%, equivalente a R$ 389,1 mil por mês, será direcionado à abertura de dez novos leitos de internação cirúrgica voltados para ginecologia e obstetrícia, com o objetivo de ampliar a capacidade de atendimento e internação da unidade.

De acordo com o assessor técnico da Secretaria Municipal de Saúde (SMS), Frank Cardoso, a manutenção do modelo emergencial ocorre porque o processo de chamamento público definitivo para a gestão das unidades ainda não foi concluído. A expectativa da pasta é de que os editais regulares para contratação das organizações sociais responsáveis pela administração das maternidades sejam publicados apenas após o período eleitoral.

Leia também:

 

 

A decisão ocorre poucos meses após a crise registrada na Maternidade Célia Câmara, em abril de 2026, quando a Sociedade Beneficente São José (SBSJ), então responsável pela administração da unidade, teve o contrato suspenso preventivamente pela Prefeitura após visita técnica que apontou um cenário de extrema gravidade assistencial.

O relatório identificou insuficiência crítica de recursos humanos, especialmente médicos pediatras, obstetras e ginecologistas, escassez de insumos essenciais na área neonatal, comprometimento de serviços terceirizados e falhas de comunicação, além de risco à segurança dos pacientes, situação que levou à suspensão do recebimento de pacientes regulados e à transferência de internos para outras maternidades.

Após a suspensão do contrato, a gestão da unidade foi transferida emergencialmente para o Instituto Patris, que já administrava o Hospital e Maternidade Dona Iris. No início da nova gestão, foram registradas avarias estruturais e necessidade imediata de reposição de estoques básicos. Em junho, a Sociedade Beneficente São José recebeu indenização de R$ 11,9 milhões por reconhecimento de dívida referente aos serviços prestados durante o período de administração da maternidade, valor superior em 29% ao total pago regularmente durante a gestão da organização.

A substituição da organização social também provocou impactos sobre os trabalhadores. Cerca de 250 profissionais permaneceram sem o pagamento dos salários referentes ao mês de março e sem verbas rescisórias após a saída da Sociedade Beneficente São José da Maternidade Célia Câmara. Relatos apontaram dificuldades para custear despesas básicas e ausência de comunicação da antiga gestora sobre a situação trabalhista.

O Sindicato dos Trabalhadores do Sistema Único de Saúde em Goiás (Sindsaúde-GO) encaminhou denúncias ao Ministério Público do Trabalho e ao Tribunal de Contas dos Municípios, apontando precarização das relações de trabalho e falta de compromisso da administração municipal e da organização social. A Secretaria Municipal de Saúde informou que os repasses à organização social estavam em dia, enquanto o impasse jurídico sobre a responsabilidade pelo pagamento dos profissionais segue sem definição.

MATERNIDADE
Legenda 2: Os contratos receberão novos aportes financeiros para ampliar leitos cirúrgicos e expandir a oferta de procedimentos em ginecologia e mastologia |
Foto: Divulgação

Histórico de instabilidade e o debate sobre eficiência 

Os problemas nas maternidades municipais também têm relação com o período anterior, quando as unidades eram administradas pela Fundação de Apoio ao Hospital das Clínicas (Fundahc/Fagep). Em 2024, cortes orçamentários e atrasos nos repasses resultaram na suspensão do atendimento de portas abertas nessas maternidades. O modelo de Organizações Sociais passou a ser adotado em agosto de 2025.

A Maternidade Nascer Cidadão havia recebido anteriormente um aditivo contratual de 12,5% para reequilíbrio econômico-financeiro. A justificativa apresentada foi o aumento da demanda do Banco de Leite Humano da unidade, que opera com 128% da meta prevista. Além desse reajuste, a Prefeitura autorizou gastos de R$ 4,7 milhões em capacitações teóricas e R$ 7,5 milhões destinados à reforma de mobiliário, incluindo estofados e cadeiras. As autorizações ocorreram em um período em que as unidades registravam falta de medicamentos e de insumos básicos para atendimento.

Na tentativa de substituir os contratos provisórios, a Secretaria Municipal de Saúde reabriu, em abril de 2026, um edital de chamamento público voltado à qualificação de novas organizações sociais aptas a assumir a gestão definitiva das unidades municipais de saúde.

O Conselho Municipal de Saúde (CMS) e o Sindsaúde-GO mantêm posicionamento contrário à adoção definitiva do modelo de organizações sociais. O entendimento das entidades está fundamentado em resoluções do próprio conselho que vedam a terceirização da gestão de unidades públicas de saúde. A presidente do CMS, Flaviana Barbosa, informou que o conselho continuará atuando contra esse modelo e defenderá a retomada da gestão direta pelo poder público.

A prorrogação dos contratos por mais seis meses assegura a continuidade dos serviços de partos e atendimentos neonatais prestados pelas duas maternidades municipais. O histórico recente da rede de saúde inclui episódios de paralisação de médicos, como o registrado em março de 2026, quando os atendimentos foram interrompidos por 48 horas em razão do atraso no pagamento de honorários.

Siga o Canal do O Hoje e receba as principais notícias do dia direto no seu WhatsApp! Canal do O Hoje.

Tags:
Goiânia maternidades

Veja também

Bombeiros encontram corpo de homem em lago da Saneago, em Goiânia

Mistério

Bombeiros encontram corpo de homem em lago da Saneago, em Goiânia

Vítima, de aproximadamente 30 anos, foi localizada submersa a cerca de três metros de profundidade...
Cirurgião depõe sobre morte de empresária após cirurgia plástica em Goiânia

INVESTIGAÇÃO

Cirurgião depõe sobre morte de empresária após cirurgia plástica em Goiânia

Lessandro Martins ficou cerca de três horas no 4º DP. Polícia aguarda laudo da exumação para es...
Bebê de 23 dias é morto com mais de 20 facadas; pais são presos na Paraíba

Crime Bárbaro

Bebê de 23 dias é morto com mais de 20 facadas; pais são presos na Paraíba

Casal de 19 anos apresentou versões conflitantes sobre o crime; Polícia Civil investiga a particip...
Homem fica gravemente ferido após cair de telhado no Setor Finsocial, em Goiânia

Acidente

Homem fica gravemente ferido após cair de telhado no Setor Finsocial, em Goiânia

Vítima foi encontrada inconsciente e com sangramento intenso na cabeça, no Setor Finsocial, e enca...
Goiás registra alta de dengue e chikungunya e reforça combate ao mosquito

Atenção na saúde

Goiás registra alta de dengue e chikungunya e reforça combate ao mosquito

Estado confirma mais de 108 mil casos de dengue e 11 mil de chikungunya em 2026; ações incluem nov...
PCDF prende dois suspeitos de tráfico de drogas na Estrutural em Brasília

Tráfico de drogas

PCDF prende dois suspeitos de tráfico de drogas na Estrutural em Brasília

Um dos detidos é um homem de 36 anos que estava foragido e usava documentos falsos para esconder a ...
Polícia Civil identifica suspeito de 14 furtos a residências no Park Way (DF)

série de furtos no DF

Polícia Civil identifica suspeito de 14 furtos a residências no Park Way (DF)

Investigação durou cerca de um ano e aponta prejuízo superior a R$ 1 milhão; segundo a polícia,...
Consórcio ou financiamento em 2026: qual a melhor opção para a compra do primeiro imóvel?

publieditorial

Consórcio ou financiamento em 2026: qual a melhor opção para a compra do primeiro imóvel?

Descubra as principais diferenças entre consórcio e avalie taxas, prazos e urgência, garantindo a...