Ator suspeito de estuprar criança em aniversário disse que teve “lapso de memória”
Marco Furlan afirma não se lembrar de como acordou sem roupas ao lado de uma criança de 5 anos; defesa sustenta inocência e questiona investigação
A defesa do ator Marco Furlan, de 48 anos, apresentou uma nova versão sobre os acontecimentos que resultaram na prisão e no indiciamento dele por estupro de vulnerável. Segundo a advogada Graciele Queiroz, o artista alega ter tido relações sexuais com uma prima durante uma festa e afirma que sofreu lapsos de memória antes de acordar sem roupas ao lado de uma criança de 5 anos. O caso aconteceu no início de agosto, em uma chácara de Pindamonhangaba, no interior de São Paulo. Furlan foi preso em flagrante e permanece à disposição da Justiça.
A advogada contou que o ator estava alcoolizado quando teria sido convidado pela aniversariante, que seria prima dele, a entrar na residência. Conforme a versão da defesa, os dois teriam mantido relação sexual, mas Furlan teria passado mal durante o ato. A mulher teria levado o ator até o banheiro. A partir desse momento, ainda segundo a advogada, ele não se recorda do que aconteceu até ser acordado pela mãe da criança. “Para se configurar abuso, bastaria passar a mão. Bastaria ter a lascívia, a vontade de abusar. Quando eu falo pra você que a mãe [da criança] ligou a luz e viu que ele estava deitado, aqui está claro que não há nenhum ato lascivo, nenhuma vontade de pegar nesse menino”, afirmou em entrevista ao UOL.
A aniversariante, entretanto, não confirmou à polícia que teve relação sexual com o primo. De acordo com a própria defesa, ela relatou apenas que Furlan estava passando mal e que pediu para que ele fosse ao banheiro.
Defesa contesta boletim de ocorrência
O boletim de ocorrência registra que o ator teria afirmado que confundiu a criança com sua namorada. Graciele Queiroz nega que seu cliente tenha dado essa declaração e pretende solicitar eventuais imagens das câmeras usadas pelos policiais. Segundo o registro, porém, os agentes envolvidos na ocorrência não utilizavam câmeras corporais.
A advogada também defende que deveria ter sido realizado um exame toxicológico em Marco Furlan, considerando os lapsos de memória relatados por ele. Ela sustenta que o ator não conhecia a criança, a mãe dela nem a casa onde aconteceu a festa.
O inquérito foi concluído pela Delegacia de Defesa da Mulher de Pindamonhangaba e encaminhado ao Ministério Público. A defesa questiona o fato de a investigação ter sido finalizada em cinco dias e alega que testemunhas e outros elementos materiais não teriam sido analisados.
Investigação e exames
Segundo a versão apresentada pela família, a mãe encontrou o filho e o ator sem roupas sobre uma cama. Furlan foi impedido de sair do local até a chegada da Polícia Militar. O primeiro laudo pericial não identificou lesões visíveis na criança. A advogada da família, Maria Fernanda Mituo, ressaltou, entretanto, que a própria perícia informa que a ausência de lesões macroscópicas não afasta, isoladamente, a possibilidade do crime investigado.
Outros resultados de exames ainda são aguardados e a criança deverá ser ouvida por meio de procedimento especializado. A investigação tramita sob sigilo.
Furlan foi indiciado por estupro de vulnerável. O indiciamento não equivale a uma condenação, e a defesa afirma que demonstrará a inocência do ator pelos meios legais.
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