quinta-feira, 24 de setembro de 2026
OPINIÃO

Próximo governador de Goiás precisa lançar programa de incentivo

Novas regras tributárias impedem renúncia fiscal e a evolução exige substitutos à altura de projetos que ajudaram Goiás a se desenvolver, como o Feicon de Leonino, o Daia de Irapuan, o Fomentar de Iris e o Produzir de Marconi

Nilson Gomespor em
goiás
De todos, o mais inovador foi Mauro Borges, que priorizou o planejamento. Fez algo que os candidatos de 2026 estão evitando, um plano de ação com as providências necessárias a cada setor - Foto: Daniel, Marconi, Wilder, Luis Cesar - Fotos Hegon Correa e Marcos Souza, Divulgação PSDB, Edilson Rodrigues Agência Senado e Marcos Kennedy Alego

Cada governador de Goiás, uns mais, outros menos, bem menos, contribuiu para o que hoje se reconhece como avanço. De todos, o mais inovador foi Mauro Borges (1961-1964), que priorizou o planejamento, inclusive inaugurando a fase das secretarias da área. Fez algo que os candidatos de 2026 estão evitando, um plano de ação com as providências necessárias a cada setor. Não se sabe o que esperar de Daniel Vilela (MDB), Luis Cesar Bueno (PT), Marconi Perillo (PSDB) e Wilder Morais (PL), pois ainda não se comprometeram por escrito, áudio, vídeo ou sinal de fumaça. Vão lançar algum programa de incentivo à indústria, sobretudo a de tecnologia, ou Goiás vai continuar patinando?

O bastante aprovado governo de Maguito Vilela (1995-1998) foi o do social. Qual marca seu filho Daniel quer deixar? Ninguém tem a menor ideia. Marconi fez duas gestões muito boas (1999-2006). E agora? Nada diz. Luis Cesar teve sucessivos mandatos elogiados como parlamentar na Câmara de Goiânia e na Assembleia Legislativa. O que fará como Executivo? Incógnita. Wilder Morais foi do zero ao bilhão com esforços próprios como empresário, além de secretário de Marconi (Infraestrutura) e Ronaldo Caiado (Indústria e Comércio). O que conta para o próprio mandato? Até agora, não informou.

Agropecuária bate recordes de recuperação judicial

É ruim o momento, pois a agropecuária bate recordes de recuperação judicial, não há obras de vulto, a dívida pública cresce 30% ao ano (45% nos últimos 12 meses, como O HOJE publicou), a folha mantém a tradição de inchaço absoluto, a previdência é de arrepiar, as rodovias não suportam o escoamento. Portanto, era a hora de Wilder, Marconi, Luis Cesar e Daniel mostrarem solução para o que se vê e, principalmente, para o futuro que ninguém vê. Ou alguém vê futuro num Estado com 30 programas sociais, além das dezenas do governo federal e centenas nas prefeituras? A resposta cabe ao próximo chefe do Executivo e, bons ou ruins, são esses quatro as alternativas.

Com a reforma tributária, o monstrengo que a cada ano vai cravando as garras no pescoço de quem produz, os Estados perderam a atribuição de fazer a chamada guerra fiscal. Não poderão, por exemplo, isentar do pagamento de ICMS, pois nem ICMS haverá mais, apenas o IBS, sobre bens e serviços (acaba também com o ISS das prefeituras). Nada de descontos e, muito menos, isenções. Quando era possível, Iris Rezende (1983-1986) implantou o Fundo de Participação e Fomento à Industrialização, o notório Fomentar, em 1984. Marconi lançou o Programa de Desenvolvimento Industrial, o emblemático Produzir. Nenhum deles inventou a roda.

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Primeiros avanços industriais foram impulsionados na década de 1970

Leonino Caiado (1971-1975) saiu-se com o Fundo de Expansão da Indústria e Comércio (Feicon) e seu substituto, Irapuan Costa Jr. (1975-1979) fez o maior cartão-postal de Goiás, o Distrito Agroindustrial de Anápolis, o Daia, um enclave de primeiro mundo. Desde 9 de novembro de 1976 não se vê algo semelhante ao Daia no Centro-Oeste brasileiro. Quem percorre suas fábricas pode imaginar que ali é o Texas, a Alemanha, a Coreia do Sul. Porém, meio século depois, o milagre não voltou a se repetir. Se Marconi, Wilder, Daniel e Luis Cesar fizerem na mesma Anápolis outro Daia, em meia hora terão indústrias para o preencher. Mas haverá energia elétrica de qualidade, água, mão de obra, vias de escoamento? Seu aeroporto de cargas está inutilizado e o centro de convenções nunca funcionou.

O HOJE repete sempre: cadê as rodovias estaduais e federais duplicadas, aeroportos e heliportos com autorização da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), o calado do Rio Paranaíba condizente com as barcaças que levam mercadorias para a hidrovia Tietê-Paraná, o ensino profissionalizante de tecnologia em faculdades e colégios? Em vez de outdoors e programas populistas, os governos federal e estadual vão fazer mais pistas com asfalto de primeira categoria entre Aparecida e Anápolis, Luziânia e Caldas Novas, Bela Vista a Catalão, Itumbiara e Rio Verde, Jataí e Mineiros, Anápolis e Porangatu, Cidade de Goiás e Aruanã, Caldas Novas e a divisa com Minas Gerais, Formosa e Posse, Planaltina (DF) e Planaltina (GO)?

A iniciativa privada tem feito a sua parte

A iniciativa privada tem feito a sua parte. Goiânia está conurbada com mais duas vizinhas, Anápolis e Bela Vista. A Junta Comercial vive batendo recordes na abertura de empresas, só que não divulga as mesmas marcas em fechamento, pois o excesso de fiscalização para os formais e de vistas grossas para os informais tornam injusta a competição. O que Daniel, Wilder, Luis Cesar e Marconi acham dessa disparidade entre a Capital que se junta ao interior e a vocação empreendedora do povo sendo tratada como se fosse nada para absorver o crescente número de habitantes? Os programas antigos estão ilegais ou anacrônicos. Cabe aos governadoriáveis mostrarem como vão fazer para Goiás, que tradicionalmente andava para a frente, parar de andar igual a caranguejo e crescer igual a rabo de égua. (Especial para O HOJE)

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