Violência contra indígenas cresce e homicídios avançam 22% no Brasil
Relatório do Cimi aponta aumento de assassinatos, estupros, suicídios e mortes de crianças indígenas, além do agravamento de conflitos territoriais
A violência contra os povos indígenas apresentou piora em 2025, segundo levantamento divulgado nesta quinta-feira (13) pelo Conselho Indigenista Missionário (Cimi), ligado à Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB). O número de assassinatos chegou a 258, contra 211 registros no ano anterior, crescimento de 22%. Roraima concentrou 82 homicídios, seguido pelo Amazonas, com 47, e Mato Grosso do Sul, com 37. O estudo reúne dados oficiais e informações obtidas por meio da Lei de Acesso à Informação (LAI).
Entre os episódios registrados está a morte de Vicente Fernandes Vilhalva Kaiowá e Guarani, de 36 anos, atingido por um disparo na cabeça durante um ataque de pistoleiros em 16 de novembro de 2025. Outros quatro indígenas ficaram feridos na ação ocorrida na Terra Indígena Iguatemipeguá I, em Mato Grosso do Sul. A área ainda não foi oficialmente demarcada e enfrenta conflitos fundiários. No dia seguinte, o nome de Vicente foi lembrado durante uma manifestação de povos indígenas realizada em Belém, no contexto da COP30.
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O relatório também contabilizou 25 casos de violência sexual contra indígenas em 2025, ante 20 em 2024. A maioria das vítimas era formada por meninas menores de idade, segundo o levantamento. Também foram identificados 38 registros de tentativa de assassinato, 33 de lesão corporal, 46 de racismo e discriminação étnico-cultural, 18 ameaças de morte e 27 outras ameaças. O Cimi ainda registrou 215 suicídios, contra 208 no ano anterior, além de 1.024 mortes de crianças indígenas de até quatro anos, alta de 11%.
As violações também atingiram os territórios indígenas, com 1.276 ocorrências relacionadas ao patrimônio em 2025, contra 1.241 em 2024. O Cimi relaciona parte desse cenário aos conflitos envolvendo o marco temporal, tese segundo a qual somente terras ocupadas ou disputadas por indígenas em 5 de outubro de 1988 poderiam ser reconhecidas. No ano passado, foram 897 casos de omissão e demora na regularização fundiária, 169 conflitos territoriais e 210 registros de invasões, exploração ilegal de recursos e outros danos ao patrimônio indígena.
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