Doenças cardíacas avançam sem sintomas por anos; cardiologista explica quando buscar avaliação
Hipertensão, arritmias e alterações nas artérias podem se desenvolver silenciosamente; especialista orienta que avaliação preventiva deve começar aos 40 anos ou antes quando há fatores de risco
O coração nem sempre avisa quando alguma coisa começa a dar errado. Hipertensão, alterações nas artérias e determinadas arritmias podem avançar durante anos sem provocar sintomas evidentes. Por isso, a cardiologia tem investido cada vez mais em identificar riscos antes que a primeira manifestação seja uma emergência.
As doenças cardiovasculares seguem como a principal causa de morte no mundo. A Organização Mundial da Saúde estima 19,8 milhões de óbitos por essas enfermidades em 2022. No Brasil, o impacto também permanece elevado: dados divulgados pelo Ministério da Saúde registraram cerca de 400 mil mortes por problemas cardiovasculares em 2022.
Para a cardiologista Lorena Rebouças, parte desse cenário pode ser enfrentada com avaliação preventiva. “Um dos maiores desafios da cardiologia é que muitas doenças evoluem silenciosamente durante anos. Por isso, as diretrizes nacionais e internacionais recomendam avaliação de risco cardiovascular mesmo na ausência de sintomas, especialmente a partir dos 40 anos ou antes, quando há fatores de risco como hipertensão, diabetes, colesterol elevado, tabagismo, obesidade ou histórico familiar de infarto precoce”, orienta.
Entre as condições que podem ser prevenidas ou identificadas precocemente estão o infarto do miocárdio, AVC de origem cardíaca, insuficiência cardíaca, algumas causas de morte súbita e doenças valvares avançadas. A investigação depende de cada paciente e pode incluir eletrocardiograma, ecocardiograma, teste ergométrico e exames de imagem.
No infarto, por exemplo, a avaliação pode revelar a presença de aterosclerose antes de um evento agudo. A investigação de arritmias, como a fibrilação atrial, ajuda na avaliação do risco de AVC, enquanto o controle da hipertensão e a identificação precoce de alterações no funcionamento cardíaco podem reduzir a progressão para insuficiência cardíaca.
Também há sinais que não devem ser ignorados. Dor ou desconforto no peito, falta de ar desproporcional ao esforço, palpitações persistentes, inchaço nas pernas, tontura, desmaios e cansaço inexplicado estão entre os sintomas citados pela especialista como motivos para procurar avaliação médica.
Quando uma doença é identificada, o tratamento pode envolver mudanças de hábitos, medicamentos, procedimentos minimamente invasivos, cirurgia ou acompanhamento contínuo, conforme cada diagnóstico.
Para Lorena, o avanço está justamente em não esperar que o coração imponha a urgência. “Hoje buscamos não apenas tratar doenças estabelecidas, mas identificar pessoas em risco e agir antes que ocorram infarto, AVC ou insuficiência cardíaca. A melhor consulta cardiológica é aquela que evita que o paciente precise enfrentar uma emergência”, afirma.
LEIA MAIS:
Siga o Canal do O Hoje e receba as principais notícias do dia direto no seu WhatsApp! Canal do O Hoje.