Atenção na saúde

Chikungunya avança mais de 400% em Goiás e acende alerta contra o Aedes aegypti

Enquanto os casos de dengue apresentam redução em relação a 2025 e a zika segue com baixa circulação, Estado já soma mais de 11 mil confirmações de chikungunya

Renata Ferrazpor em
Chikungunya avança mais de 400% em Goiás e acende alerta contra o Aedes aegypti
Combate aos criadouros do Aedes aegypti continua sendo a principal estratégia para prevenir dengue, chikungunya e zika em Goiás - Divulgação

O aumento expressivo dos casos de chikungunya acendeu um alerta das autoridades de saúde em Goiás e reforçou a necessidade de manter os cuidados contra o Aedes aegypti, mesmo durante o período de estiagem. Enquanto a dengue apresenta redução em relação ao ano passado e a zika permanece com baixa circulação, a chikungunya registra crescimento acelerado no Estado e já provocou mortes em 2026.

Dados da Secretaria de Estado da Saúde de Goiás (SES-GO) mostram que, até julho, foram registrados 147.084 casos notificados de dengue, dos quais 96.174 foram confirmados. O número representa redução em comparação com o mesmo período de 2025, quando o Estado contabilizava 164.536 notificações e 101.415 confirmações.

Apesar da queda nos registros, a dengue continua sendo motivo de preocupação. Goiás contabiliza 75 mortes confirmadas pela doença e outros 37 óbitos seguem em investigação. Outro fator que mantém o alerta é a circulação predominante do sorotipo DENV-3, que responde por 53,2% das amostras analisadas. Como esse tipo do vírus não circulava de forma ampla há anos, parte da população pode ter menor proteção, aumentando o risco de novos casos e formas mais graves da doença.

O cenário mais preocupante, no entanto, é o da chikungunya. Até julho, Goiás registrou 13.243 notificações e 11.128 casos confirmados. No mesmo período do ano passado, eram 3.463 notificações e 2.034 confirmações. A comparação mostra um crescimento superior a 400% nos casos confirmados.

A doença também já causou quatro mortes no Estado neste ano, enquanto outros seis óbitos permanecem sob investigação. Municípios das regiões sudoeste e sudeste concentram parte importante dos registros, mas o avanço também é observado em Goiânia.

Na capital, a Secretaria Municipal de Saúde (SMS) intensificou a busca ativa e o monitoramento da doença após o aumento das notificações. Até quinta-feira (20), Goiânia havia registrado 827 casos notificados e 709 confirmações de chikungunya. No mesmo período de 2025, eram 213 notificações e 100 casos confirmados, o que representa um aumento de 609% nas confirmações.

A chikungunya, assim como a dengue e a zika, é transmitida pela picada do mosquito Aedes aegypti. Diante do avanço, a Prefeitura de Goiânia mantém uma força-tarefa para eliminar os criadouros do inseto. Desde o início da Operação de Enfrentamento à Dengue, lançada em fevereiro, os agentes já realizaram 1.520.935 visitas a imóveis e eliminaram 43.057 focos do mosquito.

Além das visitas domiciliares, as equipes realizam vistorias compulsórias em imóveis fechados ou abandonados, aplicação de inseticidas com bombas costais, nebulização em áreas abertas e ações de fumacê em pontos considerados estratégicos.

Segundo a SMS, o combate ao mosquito depende tanto do poder público quanto da participação da população. O superintendente de Vigilância em Saúde, Flávio Toledo, afirma que as ações precisam ocorrer de forma conjunta, principalmente com a colaboração dos moradores para permitir a entrada dos agentes e eliminar possíveis focos dentro das residências.

O período de seca não interrompe o ciclo de reprodução do Aedes aegypti. Pelo contrário, as altas temperaturas podem acelerar o desenvolvimento do mosquito. De acordo com a SES-GO, o ciclo que normalmente pode levar de sete a dez dias pode ser reduzido para cinco a sete dias em condições de calor intenso.

Por isso, a orientação é manter cuidados simples, como vedar caixas-d’água e outros reservatórios, limpar calhas e ralos, cuidar de piscinas e eliminar garrafas, pneus, vasos e qualquer outro recipiente capaz de acumular água. A atenção também deve ser redobrada por famílias que armazenam água durante a estiagem.

Zika tem baixa circulação

Entre as três principais doenças transmitidas pelo Aedes aegypti, a zika apresenta o cenário mais controlado em Goiás. Em 2026, foram registrados 394 casos suspeitos e apenas duas confirmações, sem mortes relacionadas à doença. No mesmo período de 2025, haviam sido contabilizadas 310 notificações e 21 casos confirmados.

A vacina contra a dengue está disponível pelo Sistema Único de Saúde (SUS) para adolescentes de 10 a 14 anos, mas as autoridades reforçam que a imunização é apenas uma estratégia complementar. A principal forma de evitar dengue, chikungunya e zika continua sendo impedir a reprodução do mosquito.

A orientação também é que pessoas diagnosticadas com alguma das doenças procurem a unidade de saúde para garantir a notificação do caso. As informações permitem que as equipes de vigilância identifiquem as áreas com maior circulação dos vírus e direcionem mais rapidamente as ações de combate.

Mesmo longe do período chuvoso, eliminar os criadouros dentro de casa continua sendo uma das principais armas para interromper a transmissão das doenças.

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