terça-feira, 6 de outubro de 2026
Impasse

Greve dos administrativos continua após 85% da categoria rejeitar proposta da Prefeitura de Goiânia

Oferta foi recusada por 85,1% da categoria; servidores cobram revisão da tabela salarial e Plano de Carreira ainda durante o atual mandato

Renata Ferrazpor em
Greve dos administrativos continua após 85% da categoria rejeitar proposta da Prefeitura de Goiânia
Divulgação/Sintego

Administrativos da rede municipal de Educação de Goiânia decidiram, em assembleia realizada nesta segunda-feira (24), manter a greve iniciada no último dia 17. A proposta apresentada pela Prefeitura foi rejeitada por 85,1% dos trabalhadores, enquanto 14,9% votaram a favor. O movimento reúne servidores administrativos e tem como principal reivindicação a revisão da tabela salarial e a construção de um Plano de Carreira que, segundo o Sindicato dos Trabalhadores em Educação de Goiás (Sintego), reconheça a função desempenhada pela categoria e seja implementado ainda durante o atual mandato.

A votação ocorreu após nova rodada de negociações. Para o sindicato, a proposta não respondeu às principais reivindicações. A presidente em exercício do Sintego, Ludmylla Morais, afirmou que a categoria decidiu continuar mobilizada porque a oferta não atende aos administrativos.

“Não estamos falando apenas de uma tabela salarial, mas do reconhecimento de trabalhadores que são fundamentais para o funcionamento da Educação”, afirmou Ludmylla. Segundo a presidente do Sintego, existem administrativos que recebem menos de um salário mínimo e profissionais que trabalham lado a lado, na mesma unidade, exercendo funções semelhantes, mas com remunerações diferentes.

O sindicato convocou novas ações. Nesta terça e quarta-feira (25 e 26), haverá mobilização nas redes sociais. Na quinta-feira (27), está prevista manifestação às 8h30, na porta do Paço Municipal. A orientação é levar contracheques, com dados pessoais ocultados.

Proposta da prefeitura é rejeitada

A proposta colocada em votação prevê o parcelamento da atualização da tabela salarial em cinco vezes. O município também propôs que o enquadramento funcional seja facultativo, mediante solicitação individual de cada trabalhador. A oferta inclui o pagamento da data-base em janeiro, conforme a Lei nº 9.850/2026; do auxílio-locomoção referente a julho; do bônus em dezembro, sem desconto relativo ao período de greve; e o abono dos dias parados.

Apesar desses pontos, a maioria entendeu que a proposta não resolve a defasagem salarial. A principal divergência está no prazo: os administrativos defendem a valorização dentro do atual mandato, enquanto o município apresentou cronograma até 2030.

Para o Sintego, a discussão não se limita ao reajuste. O sindicato afirma que há desigualdade dentro da própria rede, com servidores que desempenham funções semelhantes recebendo valores diferentes e trabalhadores com remunerações inferiores ao salário mínimo. A categoria também aponta diferenças em relação a outras áreas da administração municipal.

Com a rejeição, o calendário de mobilização continuará nesta semana. O sindicato afirma que a greve é necessária para pressionar o município por uma proposta capaz de atender às reivindicações.

A reportagem entrou em contato com a Secretaria Municipal de Educação (SME), mas, até o fechamento desta edição, não obteve retorno. 

Impasse salarial motivou início da paralisação 

A paralisação começou na segunda-feira (17), depois de a categoria aprovar a greve em assembleia realizada na quinta-feira (13). A decisão ocorreu após os trabalhadores rejeitarem uma proposta anterior da Prefeitura para a recomposição da tabela salarial. Na ocasião, mais de 60% dos participantes votaram contra a oferta.

A proposta anterior previa aumento salarial de 5,4%, mas com implementação parcelada até 2030. Para os servidores, o modelo não respondia à defasagem acumulada e não garantia a valorização dentro da atual gestão. A categoria decidiu, então, iniciar a paralisação por tempo indeterminado.

A greve passou a ser acompanhada pelo Judiciário. O Tribunal de Justiça de Goiás (TJ-GO), por decisão do desembargador Augusto Ventura, determinou que 70% do efetivo fosse mantido em cada unidade escolar. O descumprimento pode gerar multa de R$ 5 mil por dia ao sindicato, limitada inicialmente a R$ 100 mil.

A Justiça também determinou que o Sintego apresentasse documentos sobre a assembleia e um plano de contingência para cada unidade, incluindo serviços como alimentação escolar e atendimento na educação infantil. Uma audiência de conciliação foi marcada para 19 de agosto, no TJ-GO.

A greve ocorre em meio a uma discussão sobre a oferta de vagas na educação infantil de Goiânia. Na terça-feira (18), a Secretaria Municipal de Educação (SME) e o Ministério Público de Goiás (MP-GO) prorrogaram um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) firmado em 2019. O acordo prevê a criação de 4.984 vagas em creches e estabelece metas para reduzir a demanda até 2027, com objetivo final em dezembro de 2028.

Segundo a SME, há déficit de aproximadamente 2.300 vagas, embora a Prefeitura afirme ter cerca de 2.500 disponíveis. A secretária Giselle Faria explicou que parte do problema está na distribuição territorial: vagas em uma região nem sempre atendem às famílias de outra área.

A Prefeitura informou ainda que investiu R$ 107,4 milhões no primeiro semestre de 2026 por meio do Pafie. Até o fim do ano, prevê entregar 76 novas salas, com capacidade para gerar 1,7 mil vagas. Também estão em conclusão três novos CMEIs.

Para as famílias, a paralisação representa um problema adicional quando o atendimento não pode ser mantido. Uma mãe relatou que precisou recorrer a uma creche particular para conseguir trabalhar. A mulher afirmou que sua família depende do CMEI como principal rede de apoio, mas disse compreender o direito dos servidores.

“Estamos tendo que pagar creche para conseguir deixar nossos filhos e trabalhar, porque eu e meu esposo contamos com o CMEI como nossa única rede de apoio”, relatou. A mãe afirmou estar preocupada com os impactos para famílias e crianças e cobrou uma solução que concilie a continuidade do serviço com a valorização dos profissionais.

Fiscalização periódica

O TAC prevê fiscalização periódica das metas, com relatórios semestrais sobre vagas, fila de espera, obras, execução financeira e eventuais atrasos. Em caso de descumprimento, o MP-GO poderá solicitar auditorias e outras medidas. A fiscalização segue até dezembro de 2028.

Enquanto não há uma nova proposta capaz de ser aceita pela categoria, os administrativos seguem em greve. O Sintego afirma que manterá a mobilização e deverá divulgar novas atividades ao longo da semana. A expectativa agora é por novos avanços nas negociações, enquanto trabalhadores, famílias e a rede municipal acompanham os efeitos da paralisação.

Leia mais aqui:

Siga o Canal do O Hoje e receba as principais notícias do dia direto no seu WhatsApp! Canal do O Hoje.

Tags:

Veja também

Três irmãos são presos após furto de canetas emagrecedoras em drogaria no DF

série de furtos em drogarias

Três irmãos são presos após furto de canetas emagrecedoras em drogaria no DF

Suspeitos foram localizados em Ceilândia com parte dos medicamentos levados de farmácia na Asa Sul
PCDF fecha sexta casa de prostituição em operação na Asa Norte, em Brasília

combate à exploração sexual

PCDF fecha sexta casa de prostituição em operação na Asa Norte, em Brasília

Estabelecimento funcionava na CLN 102 e era anunciado em plataforma de acompanhantes
Polícia Civil prende suspeito de vender haxixe por delivery no DF

Tráfico de drogas no DF

Polícia Civil prende suspeito de vender haxixe por delivery no DF

O suspeito de 37 anos foi flagrado com 10 kg da droga, avaliados em cerca de R$ 500 mil
Lito Sousa

Homenagem

Viúva de Lito Sousa apoia proposta para batizar aeroporto de Guarulhos com nome do influenciador

Projeto apresentado no Congresso pretende trocar nome do terminal para Aeroporto Internacional de S�...
Motores de helicóptero que caiu e matou Rick são retirados de local do acidente

acidente aéreo

Motores de helicóptero que caiu e matou Rick são retirados de local do acidente

Aeronave caiu em Urubici, na Serra Catarinense, em 21 de setembro; acidente matou cinco pessoas
Mega-Sena

LOTERIAS

Mega-Sena sorteia R$ 92 milhões nesta terça-feira (6); veja como apostar

Concurso 3.067 será realizado à noite, e interessados podem registrar os jogos até o horário lim...
Mulher é presa suspeita de dar seis facadas na cabeça do companheiro em Goiânia

Crime em Goiás

Mulher é presa suspeita de dar seis facadas na cabeça do companheiro em Goiânia

Homem de 47 anos foi socorrido com intenso sangramento após discussão no Jardim Novo Mundo; vítim...
PM de folga é preso após adolescente de 15 anos ser baleada em Abadia de Goiás

Crime

PM de folga é preso após adolescente de 15 anos ser baleada em Abadia de Goiás

Jovem foi atingida dentro de um carro na saída de uma confraternização, na Chácara Rancho Dourad...