A morte da esposa do pastor: série da Netflix reconstrói caso que chocou os EUA em 2024
Mica Miller foi encontrada morta um mês após procurar a polícia dizendo ter medo do marido; produção em três episódios aborda controle coercitivo e levanta dúvidas sobre o suicídio
Mica Miller tinha 13 anos quando a família dela começou a frequentar a Solid Rock Church, em Myrtle Beach, na Carolina do Sul. Ali ela conheceu o pastor John-Paul Miller, 15 anos mais velho, com quem se casaria em 2017. Dez anos depois do primeiro encontro, ela seria encontrada morta em um parque estadual na Carolina do Norte. O caso, inicialmente registrado como suicídio, voltou a ganhar atenção no Brasil com a estreia da série documental “A Morte da Esposa do Pastor”, disponível na Netflix.
Cerca de um mês antes de morrer, Mica procurou a polícia e afirmou estar com medo pelo próprio bem-estar. O marido era o principal motivo de preocupação. Em abril de 2024, dois dias antes da morte, ela entrou com o pedido de divórcio. Segundo a série, ela havia deixado registros detalhados sobre o que vivia, incluindo mensagens e diários.
Dividida em três episódios, a produção reconstrói os acontecimentos que antecederam a morte a partir de depoimentos de irmãos, amigos, ex-integrantes da igreja e um jornalista investigativo, além de imagens de arquivo e materiais deixados pela própria Mica. A série também discute o conceito de controle coercitivo, forma de violência doméstica que opera pela manipulação psicológica, emocional e financeira, sem deixar marcas visíveis.
John-Paul Miller foi indiciado em dezembro de 2025 por perseguição virtual e por prestar declarações falsas aos investigadores. Declarou-se inocente e não foi acusado pela morte de Mica. O julgamento está marcado para outubro de 2026. Enquanto o processo segue, ele se casou novamente, em junho de 2025, e a nova esposa passou a participar dos cultos ao seu lado.
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