quarta-feira, 23 de setembro de 2026
LITERATURA

Pioneira da literatura lésbica no Brasil, Cassandra Rios terá romances reeditados

Primeira mulher a vender mais de 1 milhão de exemplares no país e autora mais censurada da ditadura militar, ela terá dois títulos relançados pela editora Relicário após acordo com o espólio

Luana Avelarpor em
Pioneira da literatura lésbica no Brasil, Cassandra Rios terá romances reeditados

Cassandra Rios vai voltar às estantes. Pioneira da literatura sáfica brasileira e primeira mulher a vender mais de 1 milhão de exemplares no país, a escritora terá dois romances reeditados em 2027 pela editora mineira Relicário Edições, após um acordo firmado com o espólio da autora, que morreu em 2002 aos 69 anos.

Os títulos escolhidos para a abertura da Coleção Cassandra Rios são “Um Escorpião na Balança” (1965), que narra a história de uma mulher que abandona o noivo para viver um relacionamento com outra mulher, e “A Santa Vaca” (1984), que reflete a perseguição e os preconceitos enfrentados pela própria autora.

“Nosso trabalho ao resgatar Cassandra também é um gesto de justiça. É devolver à literatura o seu papel de dar visibilidade a quem sempre esteve aqui, desejando e existindo”, afirma Maíra Nassif, editora-fundadora da Relicário.

Nascida em 1932 com o nome Odete Rios, Cassandra publicou mais de 100 romances e contos ao longo de cinco décadas. Conhecida como a Safo de Perdizes, bairro de São Paulo onde viveu, ela lançou o primeiro livro aos 16 anos com base nas próprias vivências enquanto questionava a própria sexualidade.

O sucesso comercial, porém, veio acompanhado de perseguição. Durante a Ditadura Militar, 36 de suas obras foram censuradas, fazendo dela a autora mais censurada do país. Ela foi presa mais de uma vez e perdeu tudo que havia conquistado com o trabalho, incluindo joias, carro, uma casa em Interlagos e a livraria na Avenida São João que havia se tornado refúgio de estudantes e intelectuais.

“Queremos que uma nova geração conheça a mulher que foi vanguarda, que enfrentou a censura de cabeça erguida e que, apesar de tudo, viveu a sua própria liberdade”, afirma a editora sobre o projeto, que terá curadoria de Joice Nunes.

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