domingo, 1 de novembro de 2026
FUTURO DA CAPITAL

Crescimento de Goiânia cria desafios para a infraestrutura urbana

Capital chega a 1,51 milhão de habitantes, enquanto avanço da Região Metropolitana reforça desafios em transporte, saneamento e drenagem

João César Almeidapor em
Goiânia
Foto: Divulgação

Goiânia tem atraído os olhos de diversas pessoas pelo país, seja pelos eventos, gastronomia ou desenvolvimento econômico. Esse crescimento da cidade tem se refletido em número, segundo uma estimativa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a Capital chegou a 1.511.709 habitantes, um crescimento de 0,56% em um ano. Os dados são referentes ao dia 01 de julho.

Os números mantém a cidade nas dez maiores cidades do Brasil, atrás de Recife, que ocupa a nona posição com 1.588.983 habitantes. A capital pernambucana apresentou um crescimento de apenas 0,04%, um dos menores dentro do período analisado. 

Atualmente, pouco mais de 77 mil habitantes separam as cidades. Se essa tendência demográfica continuar nos próximos anos, Goiânia poderá ultrapassar Recife e alcançar a nona posição entre os municípios mais populosos do País no início da próxima década. A estimativa, porém, é apenas uma projeção baseada nas taxas atuais e não corresponde a uma previsão oficial do IBGE.

Relação dentro do Estado

Em relação aos municípios goianos, a capital segue sendo a cidade mais populosa, com o ranking sendo seguido por Aparecida de Goiânia, com 560.996 moradores. Anápolis aparece na terceira posição, com 424.647 habitantes, seguida por Águas Lindas de Goiás, com 249.978, e Rio Verde, com 244.881.

Mesmo com o avanço no crescimento de Goiânia, cidades da Região Metropolitana apresentam ritmos mais acelerados. Goianira lidera a expansão entre os 20 municípios mais populosos do Estado, com crescimento de 3,28%. Senador Canedo aparece em seguida, com alta de 2,9%. Ambos fazem parte da Região Metropolitana de Goiânia.

A partir dos dados, é possível analisar um crescimento da Região Metropolitana e da Capital, mas é preciso entender se está acompanhado de uma evolução na infraestrutura urbana que vai absorver esse aumento.

Para o arquiteto e urbanista e professor da Universidade Federal de Goiás (UFG), Bráulio Vinícius Ferreira, o principal desafio não está apenas na quantidade de novos moradores, mas na maneira como eles são distribuídos pelo território.

“O principal desafio não é simplesmente Goiânia receber mais habitantes, mas a forma como esse crescimento é distribuído no território. Goiânia já ultrapassou seus limites administrativos como realidade urbana: precisamos pensar a capital articulada com Aparecida de Goiânia, Senador Canedo, Trindade e os demais municípios metropolitanos”, afirma.

Para o geógrafo urbano e professor da Universidade Federal de Goiás (UFG), Glauco Gonçalves, o desafio não está apenas no crescimento da população, mas na capacidade do poder público de planejar infraestrutura, mobilidade, saneamento e habitação com antecedência.

Transporte não acompanha expansão

Na mobilidade, Glauco considera que Goiânia ainda apresenta uma rede pouco diversificada e excessivamente dependente do transporte rodoviário. Para o especialista, ampliar avenidas ou construir novas vias não é suficiente para acompanhar uma região metropolitana que continua crescendo.

A avaliação do geógrafo é de que ônibus, bicicletas e transporte individual precisam funcionar de maneira integrada. O próprio crescimento da Região Metropolitana evidencia a relação entre transporte e expansão urbana.

Senador Canedo e Goianira estão localizados nas extremidades do Eixo Anhanguera, principal corredor de transporte coletivo que atravessa Goiânia no sentido leste-oeste. Apesar da necessidade de melhorias, o corredor permite que moradores das duas extremidades tenham acesso às áreas centrais da Capital, além de desenhar a expansão urbana, indo para as extremidades Leste e Oeste.

Bráulio Vinícius, analisa que o transporte precisa ser pensado em escala metropolitana. Dessa forma, Vinicius defende que é necessário consolidar melhorias nos corredores de transporte, integração e conforto e, ao mesmo tempo, estimular maior diversidade de usos e densidade urbana ao longo desses eixos.

Avanço pressiona serviços básicos e exigem ações conjuntas

O avanço territorial de Goiânia e da Região Metropolitana aumenta a pressão sobre saneamento, habitação e infraestrutura. Para Gonçalves, a velocidade da expansão exige investimentos contínuos em abastecimento de água, coleta e tratamento de esgoto.

O arquiteto e urbanista Bráulio Vinícius Ferreira avalia que a expansão periférica eleva custos e dificulta a oferta de serviços. Para o arquiteto, uma alternativa é aproveitar áreas que já possuem infraestrutura, especialmente o Centro de Goiânia.

“Em vez de continuarmos levando a população para áreas cada vez mais distantes e depois termos que estender toda essa infraestrutura, devemos criar condições para que mais pessoas possam morar nas áreas centrais”, defende.

A drenagem urbana também aparece entre os desafios, com a possibilidade do  aumento da impermeabilização, que reduz a absorção da água pelo solo e amplia o volume destinado às redes de drenagem e fundos de vale. Glauco alerta que a perda de áreas verdes tende a agravar o problema.

Bráulio acrescenta que a solução não pode se limitar à ampliação de galerias. “Precisamos mudar a lógica e pensar a água desde o lote até a escala da bacia hidrográfica”, afirma.

Os especialistas defendem que é preciso integrar os municípios para pensar as soluções, uma vez que os problemas não atingem a população apenas dentro dos limites municipais.“Os problemas de uma metrópole não se resolvem dentro de uma cidade”, afirma Glauco.

Bráulio segue a mesma linha e destaca que a Região Metropolitana de Goiânia, formada por 21 municípios, precisa de decisões compartilhadas e planejamento comum. Na avaliação dos dois, o desafio não é apenas receber mais moradores, mas garantir que infraestrutura e serviços acompanhem o crescimento de uma metrópole cada vez mais integrada.

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