Acordo entre EUA e Venezuela prevê direitos sobre petróleo por 100 anos
Acordo envolve 17 campos de petróleo e prevê participação dos Estados Unidos na produção venezuelana
O governo dos Estados Unidos divulgou novos detalhes sobre o acordo firmado com a Venezuela para exploração de petróleo. Segundo a Casa Branca, a parceria prevê direitos americanos sobre 17 campos de petróleo venezuelanos durante 100 anos. As áreas reúnem cerca de 65 bilhões de barris, o equivalente a aproximadamente 21% das reservas comprovadas do país.
A operação será realizada pela North American Blue Energy Partners (Nabep), empresa privada que possui 35% das ações sob controle do Escritório de Capital Estratégico do Departamento de Guerra dos Estados Unidos.
Segundo a Casa Branca, a empresa concedeu ao governo americano o direito de comprar, pelo custo de produção, 20% do petróleo produzido nos campos atuais e futuros operados pela companhia. O governo dos EUA também terá preferência na aquisição dos outros 80% da produção e poder de veto sobre a indicação de integrantes do conselho de administração.
Acordo gera versões diferentes
As informações divulgadas pela Casa Branca divergem do prazo apresentado pela presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez. Segundo ela, o acordo teria duração de 25 anos.
Delcy afirmou que a parceria permitirá investimentos para recuperar a infraestrutura energética do país. O governo venezuelano estima investimentos de US$ 100 bilhões e arrecadação de US$ 209 bilhões em impostos durante 25 anos.
A expectativa do governo venezuelano é elevar a produção de petróleo em 1,5 milhão de barris por dia. Em julho, o país produziu cerca de 1,1 milhão de barris diariamente, segundo dados da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep).
Especialistas questionam acordo
O acordo também provocou críticas e questionamentos de especialistas. O professor da Universidade de Denver e especialista em petróleo Francisco Rodríguez afirmou que a legislação venezuelana exige licitação para a oferta de campos de petróleo.
Rodríguez também chamou atenção para o período de 100 anos previsto no acordo divulgado pelos Estados Unidos. Segundo ele, esse prazo seria duas vezes maior que as concessões mais longas já realizadas pela Venezuela.
A pesquisadora do Observatório Político Sul-Americano (OPSA), Thaís Batista, avaliou que a relação entre os dois países pode assumir características neocoloniais. Para ela, o uso da força pelos Estados Unidos para influenciar mudanças na Venezuela e obter acordos amplia a dependência do país sul-americano.
EUA reforçam influência na região
A Casa Branca afirmou que o acordo faz parte da retomada da chamada Doutrina Monroe, política histórica dos Estados Unidos para a América Latina.
Segundo o governo americano, a iniciativa busca reduzir a presença de empresas russas, chinesas e cubanas no setor petrolífero venezuelano e ampliar a influência dos Estados Unidos na região.
O acordo também ocorre em um momento de preocupação com a oferta mundial de petróleo, em meio aos impactos da guerra no Irã e ao fechamento do Estreito de Ormuz.
Na Venezuela, grupos ligados ao chavismo criticaram a parceria e classificaram o acordo como uma forma de subordinação dos recursos naturais aos interesses dos Estados Unidos. Por outro lado, o Partido Socialista Unido da Venezuela (PSUV) defendeu a iniciativa como uma alternativa para estimular a recuperação econômica do país.
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