Abin classifica como “crítico” risco de interferência dos EUA nas eleições de 2026
Relatório reservado foi enviado ao governo, ao TSE e ao Ministério da Justiça e aponta escalada de pressões norte-americanas sobre o Brasil
Um relatório reservado da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) elevou para “nível de criticidade” o risco de influência e interferência externa dos Estados Unidos nas eleições brasileiras de 2026. O documento, intitulado “Ameaças ao processo eleitoral de 2026”, foi encaminhado no fim de agosto à Presidência da República, ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e ao Ministério da Justiça.
Segundo a análise, há uma “tendência de escalada de pressão sobre o Brasil”, com intensificação e mudança na forma de atuação dos Estados Unidos. A Abin afirma, porém, que esse movimento ocorre dentro de um padrão de influência que já existia.
Pressão dos Estados Unidos
O relatório relaciona a avaliação a documentos estratégicos do governo norte-americano divulgados entre novembro de 2025 e maio de 2026. De acordo com a Abin, uma das prioridades do segundo governo de Donald Trump seria ampliar a influência dos Estados Unidos na América Latina e reduzir a presença de potências rivais na região.
Na avaliação da agência, o Brasil ocupa uma posição de destaque nesse cenário por manter uma política voltada à defesa de sua autonomia estratégica.
O documento também cita sanções anunciadas pelo governo norte-americano contra brasileiros e empresas, além da classificação de organizações criminosas brasileiras como terroristas. Para a Abin, essas medidas ampliaram os efeitos da pressão dos EUA sobre pessoas e empresas no Brasil.
Impactos econômicos
Segundo o relatório, as sanções podem produzir efeitos sobre relações financeiras, operações internacionais, acesso ao sistema financeiro norte-americano e exposição de empresas brasileiras a possíveis sanções secundárias.
A Abin avalia que esse tipo de pressão pode levar empresas e instituições financeiras a adotar medidas preventivas por causa de riscos reputacionais ou relacionados ao acesso ao sistema financeiro dos Estados Unidos.
Marco Rubio é citado
O relatório também dedica atenção ao secretário de Estado e assessor de Segurança Nacional dos Estados Unidos, Marco Rubio.
Segundo a Abin, Rubio teria atribuído ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) responsabilidade pela imposição de tarifas sobre produtos brasileiros, sob o argumento de que o Brasil não teria negociado de boa-fé.
Para a agência, a declaração teria potencial de influenciar o debate público brasileiro por ser reproduzida por veículos de comunicação, agentes econômicos, analistas e políticos.
A Abin também relaciona a atuação de Rubio a uma estratégia de aproximação dos Estados Unidos com governos considerados alinhados à política externa norte-americana.
Pressão sobre as eleições
O relatório ainda menciona uma proposta apresentada pelo governo Trump em 2025 relacionada às eleições brasileiras de 2026. Segundo o documento, uma minuta de declaração conjunta sugeria que o Brasil se comprometesse a realizar eleições “livres e justas” e a não impedir a participação de “dissidentes políticos”.
O texto havia sido revelado pelo jornal O Estado de S. Paulo.
Em entrevista à rádio Itatiaia na quinta-feira (17), Lula classificou o documento como um “arquivo morto” para seu governo e criticou a possibilidade de os Estados Unidos buscarem prioridade sobre riquezas minerais brasileiras.
A Abin, no relatório, apresenta essas movimentações como parte do conjunto de fatores que levaram a agência a elevar o nível de criticidade relacionado ao risco de influência e interferência externa dos EUA no processo eleitoral de 2026.
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