EUA condicionaram negociação com Brasil a exigências sobre eleições, Boeing e minerais
Documento entregue em outubro de 2025 reunia 21 pontos e foi rejeitado pelo governo brasileiro antes de entrar formalmente nas negociações
O governo dos Estados Unidos apresentou ao Brasil, em outubro de 2025, uma proposta com 21 exigências para as negociações comerciais entre os dois países. O documento incluía pontos relacionados à participação de “dissidentes políticos” nas eleições presidenciais de 2026, à compra de aeronaves da Boeing por companhias brasileiras e ao acesso de empresas americanas a minerais críticos. A proposta foi entregue em 16 de outubro, durante a passagem do chanceler Mauro Vieira por Washington.
Entre as condições estava a garantia de eleições “livres e justas” e a não restrição arbitrária à participação de “dissidentes políticos” no processo eleitoral. Segundo relatos divulgados pela imprensa, a referência foi interpretada por integrantes do governo brasileiro como relacionada à situação de opositores políticos. Vieira considerou o conteúdo inaceitável, e os pontos não foram levados às reuniões formais com autoridades americanas.
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A proposta também previa que companhias aéreas brasileiras comprassem aviões da Boeing, medida considerada pelo governo brasileiro incompatível com a autonomia comercial das empresas. Washington ainda solicitava mudanças relacionadas à atuação do Banco Central sobre meios de pagamento eletrônico, incluindo o Pix, além da redução de tarifas brasileiras sobre produtos americanos como etanol, veículos, máquinas, equipamentos e itens de alta tecnologia.
Na área de minerais críticos, os Estados Unidos pediam que o Brasil comunicasse previamente eventuais transferências de controle de ativos do setor e estabelecesse uma espécie de preferência para empresas americanas em futuras negociações. Segundo as informações divulgadas, o governo brasileiro rejeitou os termos e as exigências não chegaram a integrar as rodadas oficiais de negociação.
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