sexta-feira, 9 de outubro de 2026
Pressão sobre Londres

Escócia, Gales e Irlanda do Norte pressionam por referendos para deixar o Reino Unido

Líderes nacionalistas dos três territórios se reúnem em Cardiff para defender o direito de decidir o futuro constitucional de cada nação

Thais Munizpor em
reino unido
Escócia, País de Gales e Irlanda do Norte se unem por plebiscito para sair do Reino Unido - Foto: Neil Hall

Os líderes da Escócia, do País de Gales e da Irlanda do Norte vão se reunir nesta segunda-feira (14), em Cardiff, para assinar uma declaração conjunta em defesa do direito à autodeterminação. O encontro reúne, pela primeira vez, governos dos três territórios descentralizados comandados simultaneamente por partidos favoráveis à independência.

A reunião envolve o primeiro-ministro escocês John Swinney, do Partido Nacional Escocês (SNP), o líder galês Rhun ap Iorwerth, do Plaid Cymru, e a primeira-ministra da Irlanda do Norte, Michelle O’Neill, do Sinn Féin. Mary Lou McDonald, presidente do Sinn Féin e líder da oposição na República da Irlanda, também deve participar.

A articulação ocorre em meio à pressão para que o governo britânico reconheça a possibilidade de novas consultas populares sobre o futuro constitucional dos territórios. As informações foram publicadas pelo jornal britânico The Telegraph e também divulgadas pelo Expresso.

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Quatro temas entram na declaração conjunta

A declaração prevista para a reunião deve abordar quatro áreas: autodeterminação, economia, energia e relações com a Europa e com outros países. O objetivo é aumentar a pressão sobre o governo britânico para reconhecer o direito dos territórios de decidirem seu futuro constitucional.

A aproximação com a União Europeia também deve ocupar espaço nas discussões. Escócia e País de Gales defendem que poderiam buscar uma futura adesão ao bloco como Estados independentes. Já o Sinn Féin mantém como uma de suas principais pautas a reunificação da Irlanda.

Na prática, os três movimentos possuem objetivos e mecanismos diferentes. Na Escócia, o SNP defende uma nova consulta sobre a independência. Em 2014, os escoceses rejeitaram a separação em referendo que registrou 55,3% dos votos pelo “não”, com participação próxima de 85%.

John Swinney também elevou o tom das cobranças ao primeiro-ministro britânico, Andy Burnham. Em declaração citada pelo Telegraph, o líder escocês afirmou que Burnham pode estar “a preparar-se para ficar na história como o último primeiro-ministro do Reino Unido”.

“Pela primeira vez na história, a Escócia, o País de Gales e a Irlanda do Norte são liderados por primeiros-ministros pró-independência”, afirmou Swinney. Ele também defendeu que Westminster se prepare para um cenário posterior ao Reino Unido.

Burnham rejeita novo referendo antes das eleições

A posição do governo britânico permanece contrária à realização de uma nova consulta escocesa no curto prazo. Burnham chegou a admitir a possibilidade de um referendo caso houvesse um “consenso claro”, mas posteriormente afirmou que a votação não ocorrerá antes das próximas eleições legislativas.

Em carta enviada a Swinney, o primeiro-ministro britânico argumentou que não existe atualmente consenso suficiente para justificar uma consulta popular na Escócia ou na Irlanda do Norte. Burnham também colocou crescimento econômico e custo de vida entre as prioridades de seu governo.

A questão escocesa depende ainda de autorização do Parlamento britânico. O referendo realizado em 2014 ocorreu após um acordo entre os governos de Londres e Edimburgo.

No País de Gales, Rhun ap Iorwerth defende a independência como uma meta de longo prazo. O Plaid Cymru pretende preparar as condições políticas e econômicas para uma eventual consulta, mas não prevê realizar o referendo durante o atual mandato.

Na Irlanda do Norte, o cenário é diferente. O Sinn Féin defende a reunificação com a República da Irlanda. O Acordo de Belfast, firmado em 1998, prevê a possibilidade de uma consulta sobre a mudança do status constitucional caso existam indícios de apoio majoritário à reunificação.

A reunião de Cardiff ocorre poucos dias depois de Donald Trump manifestar apoio à ideia de uma Irlanda unificada durante visita a Dublin. O presidente dos Estados Unidos declarou que gostaria de ver a unificação e classificou o cenário como “algo fantástico”.

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