Rede britânica abre loja nas Malvinas em meio à nova pressão da Argentina
Iceland será a primeira grande marca britânica de varejo a se instalar no arquipélago, onde disputa de soberania com a Argentina dura quase 200 anos
A rede britânica Iceland Foods vai abrir, em dezembro, sua primeira loja nas Ilhas Malvinas, em Stanley, capital do arquipélago. A chegada da empresa ocorre em um momento de aumento das tensões entre Argentina e Reino Unido, após o governo de Javier Milei voltar a pressionar pela retomada das negociações sobre a soberania das ilhas.
A unidade será instalada em parceria com a varejista local Kelper Stores, do grupo Fortuna, na Ross Road East. O estabelecimento vai vender principalmente alimentos congelados da própria Iceland, além de produtos de marcas como Cathedral City, MyProtein e TGI Fridays. A operação transforma a empresa na primeira grande marca britânica de varejo de rua a estabelecer presença no território.
O presidente-executivo da Iceland, Richard Walker, pretende participar pessoalmente da inauguração. O empresário afirmou que a expansão era uma antiga ambição e destacou a ligação das ilhas com o Reino Unido. Segundo Walker, a decisão começou a ser planejada meses antes da nova ofensiva argentina e envolveu a escolha de um parceiro local, do imóvel e toda a logística de abastecimento. Um primeiro contêiner com mercadorias já estava a caminho quando a abertura foi anunciada.
A movimentação ocorre enquanto o governo Milei amplia a pressão sobre empresas que exploram recursos naturais nas ilhas. Em setembro, a Argentina anunciou procedimentos contra 45 pessoas e empresas relacionadas à exploração de hidrocarbonetos no arquipélago. O governo argentino também apresentou uma denúncia criminal contra a israelense Navitas Petroleum e outros envolvidos no projeto petrolífero Sea Lion, que tem participação da britânica Rockhopper Exploration. Buenos Aires considera ilegais as atividades por entender que são realizadas em território argentino.
O Reino Unido, por outro lado, mantém a posição de que a soberania britânica sobre as Malvinas não está em discussão e defende o direito dos moradores de escolher o próprio futuro. Em um referendo realizado em 2013, 99,8% dos participantes votaram pela permanência como território britânico ultramarino. A Argentina não reconhece a consulta como solução para a disputa. O conflito entre os dois países teve seu momento mais grave em 1982, quando a Argentina ocupou as ilhas e o Reino Unido reagiu militarmente. A Guerra das Malvinas durou 74 dias e terminou com a retomada britânica do arquipélago.
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