Ascensão de Augusto Cury como 3ª via enfraquece candidatura de Caiado
O fato de o escritor não ser político de carreira tem motivado o crescimento, de acordo com especialista em políticas públicas ouvido pela reportagem de O HOJE
Pesquisas recentes apontam o crescimento de Augusto Cury (Avante) na disputa pela Presidência da República. A Atlas/Intel mostra o médico com 7,8%, enquanto a BTG/Nexus aponta 11%. Ambas foram divulgadas na última segunda-feira (31/8) e se referem à pesquisa estimulada, que é quando os nomes são apresentados ao entrevistado.
Na Real Time Big Data, publicada nesta terça-feira (1º), o escritor voltou a aparecer na terceira colocação, com 11% das intenções de voto. O resultado reforça o movimento registrado nas duas pesquisas anteriores.
O presidente do Avante em Goiás, vereador Thialu Guiotti, afirma que nunca houve um crescimento de nove pontos percentuais em apenas uma semana. Nesse cenário, o parlamentar destaca que o avanço de Cury tem sido notado no Estado.
“Eu estou na política há quase 25 anos. De quarta-feira passada até hoje [1º] eu devo ter recebido no mínimo 100 contatos, entre direct no Instagram, ligações e WhatsApps, pedindo material do Cury. E não só em Goiânia, no interior do Estado, Rio Verde, Entorno do Distrito Federal. O pessoal solicitando material dele, pedindo para que seja feito adesivaço coordenado por esses voluntários no município”, afirma.
Outsider
O crescimento de Cury acontece em um momento de polarização entre o presidente Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL), que se consolidaram como os favoritos na disputa pelo Palácio do Planalto. Para o historiador e especialista em políticas públicas Tiago Zancopé, a ascensão de Augusto Cury atende o desejo de parte do eleitorado por um outsider.
“O caso do Augusto Cury é um desses [candidatos que estão na política, mas não são políticos]. Se tem algo que ele não tem feito são discursos políticos. O Augusto Cury que a gente vê no YouTube, nas palestras dele que estão disponíveis, é o Augusto Cury que tem falado com a população. E em um ambiente polarizado, em que você tem de um lado o Lula, com o Lulinha cheio de problemas, do outro lado você tem o Flávio Bolsonaro, com o caso do Banco Master, e você tem uma terceira via que não empolga. O Augusto Cury conseguiu preencher esse vácuo mostrando que ele, ao não ser político, pode ser uma alternativa aos políticos brasileiros. Talvez isso seja a grande sacada do Augusto Cury, mostrar: ‘Olha, eu não sou político, por isso mesmo sou uma alternativa à classe política’”, explica.
Efeito da televisão
Todas as pesquisas que mostraram o avanço de Cury aconteceram após a participação do candidato no debate presidencial realizado pelo Grupo Bandeirantes de Comunicação no dia 23 de agosto. Dessa forma, o levantamento registrou o impacto da aparição do médico no encontro.
No entanto, as pesquisas não registraram o impacto da participação na sabatina do Jornal Nacional, na TV Globo, que aconteceu no último sábado (29/8). Apesar disso, Thialu Guiotti diz acreditar que a performance na entrevista não vai impactar a intenção de voto em novos levantamentos.
“Eu não vejo como negativo, se você pegar as pessoas que têm falado a respeito das entrevistas do Jornal Nacional, eu tenho visto isso porque, obviamente, sou do partido, 90% dos comentários é o seguinte: eu prefiro um candidato que não sabe de tudo em detrimento de outros que têm que ficar 40 minutos explicando o que é que fez com o dinheiro de corrupção”, diz o vereador.
Segundo Zancopé, não é possível afirmar se o crescimento continuará ou não em novas pesquisas devido ao desempenho na sabatina, já que todos os candidatos não foram bem nas entrevistas.
“Tem algo que a sabatina da Globo fez, foi democratizar a chance de todo mundo sair mal. Ninguém foi bem na sabatina da Globo. Parece que a Globo encontrou um formato na qual ela consegue tirar todos os candidatos da zona de conforto. Com o Augusto Cury não foi diferente, ele teve dificuldade com a proposta do drone dele, a questão dos influencers das embaixadas também ficou meio solta, algumas propostas podem custar fortunas para os cofres públicos. No caso do Lula não foi diferente. Caiado, Renan, Flávio, todos tiveram dificuldade”, ressalta.
Caiado
Ronaldo Caiado, candidato a presidente pelo PSD, comemorou o crescimento de Augusto Cury durante reunião com a direção da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea). Na ocasião, o goiano afirmou que o avanço demonstra o cansaço da população com a polarização. “Isso mostra que a população brasileira não quer mais nem Lula e nem Flávio. A população brasileira começou a movimentar agora para buscar um candidato do segundo pelotão. Essa é a realidade, isso é animador”, afirmou.
O pessedista busca se consolidar como opção a Lula e Flávio Bolsonaro, contudo, tem encontrado dificuldades devido ao seu posicionamento mais à direita. De acordo com o ex-deputado federal Vilmar Rocha, Caiado “procura ser a terceira via, mas todo mundo sabe que as pautas dele são as pautas de Flávio Bolsonaro”. “Ele não é de centro. Por isso perde esse eleitorado para Cury.” (Especial para O HOJE)
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