Suspeito de expor e ameaçar testemunha de operação contra torcida organizada é preso em Goiânia
Homem ligado ao 20º Comando da Esquadrão Vilanovense teria compartilhado imagens do depoimento em grupos da torcida
Uma testemunha que ajudou a Polícia Civil a identificar integrantes de uma torcida organizada passou a ser alvo de ameaças depois que imagens de seu depoimento foram compartilhadas em grupos ligados à Esquadrão Vilanovense. O caso levou à prisão, na terça-feira (1º), em Goiânia, de um integrante do 20º Comando da torcida, apontado como responsável pelas intimidações.
De acordo com a investigação, o suspeito teve acesso ao vídeo em que a testemunha prestava depoimento à Polícia Civil. Depois, ele teria encaminhado as imagens para grupos de comunicação da torcida, revelando a identidade do colaborador e expondo-o a outros integrantes.
A vítima procurou os investigadores após começar a receber ameaças. Segundo a Polícia Civil, o suspeito também teria afirmado que a testemunha era responsável pela prisão de membros da organizada. A intenção, conforme a apuração, seria pressioná-la para que alterasse informações fornecidas durante os depoimentos.
O homem preso é investigado por possível tentativa de interferência nas apurações da Operação Retorno Seguro. A Polícia Civil também informou que ele possui antecedentes relacionados ao tráfico de drogas.
Ameaças entram no radar da operação
A situação passou a ser investigada depois que a testemunha relatou à polícia a sequência de intimidações. Os investigadores analisaram a divulgação do vídeo e buscaram identificar quem teve acesso ao material e participou da exposição do colaborador.
Para a Polícia Civil, as ameaças podem ter sido utilizadas como uma forma de pressionar a testemunha e dificultar o avanço da investigação. A corporação apura se o objetivo era fazer com que o colaborador mudasse as declarações prestadas ou deixasse de contribuir com as diligências.
O caso também levou os policiais a verificar a possível participação de outras pessoas ligadas à torcida na divulgação das imagens e nas ameaças. As investigações continuam para esclarecer como o vídeo chegou aos grupos e qual foi o envolvimento de cada suspeito.
A prisão ocorreu após a coleta de elementos que, segundo a corporação, relacionaram o integrante da torcida às intimidações. A nova investigação passou a integrar as apurações relacionadas à Operação Retorno Seguro.
Emboscada deu origem à investigação
A operação foi aberta após uma emboscada contra torcedores do Goiás Esporte Clube, ocorrida em 15 de março de 2026, no Setor Aeroporto Sul, em Aparecida de Goiânia. O grupo foi atacado enquanto retornava da final do Campeonato Goiano.
A partir do episódio, a Polícia Civil passou a investigar integrantes de torcidas organizadas suspeitos de envolvimento no ataque. A primeira fase da Operação Retorno Seguro ocorreu em 8 de maio, com o cumprimento de medidas judiciais em Goiânia, Aparecida de Goiânia e Brasília.
O trabalho policial avançou e, em 30 de julho, uma segunda etapa foi deflagrada na Região Metropolitana. Na ocasião, foram cumpridos cinco mandados de prisão preventiva e cinco de busca e apreensão contra investigados ligados ao 20º Comando da Esquadrão Vilanovense.
Após as ações, a testemunha que havia contribuído com as investigações passou a relatar as ameaças. A Polícia Civil agora apura se a intimidação está diretamente relacionada às medidas adotadas contra integrantes da torcida e se houve uma tentativa organizada de comprometer o trabalho dos investigadores.
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