Daniel Vilela cobra aliados por ausência de seu nome em materiais de campanha em Goiás
Governador teria demonstrado irritação com peças de candidatos a deputado que deixam de destacar integrantes da chapa majoritária
Já tem um tempo que o O HOJE, por meio da coluna Xadrez, tem alertado que candidatos a deputado estadual e federal da base governista vêm deixando de fora de seus principais materiais de campanha os nomes dos integrantes da chapa majoritária, como Daniel Vilela (MDB), Gracinha Caiado (União Brasil) e até mesmo Ronaldo Caiado (PSD).
A estratégia, aparentemente, irritou Daniel Vilela. Informações de bastidores obtidas pelo O HOJE apontam que o governador teria cobrado candidatos aliados pela ausência de seu nome nas peças de divulgação e pedido que sua imagem e seu nome fossem utilizados nos materiais de campanha.
Uma das explicações apresentadas nos bastidores para a ausência dos nomes da majoritária é a pressa dos candidatos em colocar seus próprios materiais nas ruas e sair na frente dos concorrentes. A justificativa, no entanto, chama atenção porque os nomes da chapa majoritária não são novidades para os candidatos.
Daniel Vilela, Gracinha Caiado e Ronaldo Caiado já vinham sendo apresentados como integrantes do projeto político do grupo há meses, ainda durante o período de pré-campanha. Portanto, não se trata de uma definição recente, surgida apenas após as convenções partidárias. Os candidatos da base tiveram tempo para planejar suas estratégias de comunicação já sabendo quem eram os nomes que pretendiam apoiar na disputa majoritária.
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É justamente nesse ponto que a ausência das fotografias, dos nomes ou de qualquer referência aos majoritários provoca questionamentos. Se os candidatos a deputado fazem parte da mesma base política e apoiam Daniel para o governo, Gracinha para o Senado e Caiado para a Presidência, por que esses nomes não aparecem nos materiais de campanha?
Não há, em princípio, qualquer impedimento político para que a comunicação das candidaturas proporcionais seja associada à majoritária. Pelo contrário. Em uma campanha em que existe alinhamento político, é natural que os materiais dos candidatos apresentem ao eleitor não apenas quem disputa uma vaga de deputado, mas também quem recebe seu apoio para os demais cargos.
Sem essa associação, o eleitor pode sequer identificar claramente qual é o grupo político apoiado pelo candidato. A fotografia, o nome e a apresentação conjunta dos integrantes da chapa funcionam justamente para deixar explícita essa relação.
O HOJE já havia chamado atenção para esse movimento na coluna Xadrez, publicada na edição do fim de semana de 29 e 30 de agosto. Wilson Silvestre apontou que candidatos a deputado federal e estadual vinham deixando de mencionar em suas propagandas nomes da chapa majoritária.
Além de Daniel, a ausência de Gracinha Caiado e Ronaldo Caiado também chama atenção. São nomes que já estavam definidos politicamente dentro do projeto da base muito antes da campanha começar oficialmente.
A cobrança atribuída a Daniel, portanto, sinaliza uma tentativa de alinhar a comunicação dos candidatos proporcionais à estratégia da chapa majoritária. O episódio também expõe uma questão política para os aliados: se a candidatura a deputado está inserida no mesmo projeto eleitoral, por que o eleitor não encontraria, nos materiais desses candidatos, os nomes de quem eles dizem apoiar para governador, senador e presidente?
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