Arruda diz que não vai recorrer após decisão do TSE no DF: “meu caminho se encerra aqui”
Em coletiva após o julgamento, Arruda falou sobre a derrota judicial, agradeceu apoiadores e comentou o futuro político
O ex-governador José Roberto Arruda (PSD) afirmou nesta quinta-feira (24) que não vai recorrer da decisão do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) que barrou sua candidatura ao Governo do Distrito Federal. Em coletiva de imprensa após o julgamento, Arruda disse que consultou os advogados antes de decidir pelo encerramento da disputa e afirmou que pretende respeitar a decisão da Justiça Eleitoral.
“Depois de consultar os advogados, não caberia neste momento nenhum recurso que seria apenas postergatório e atrapalharia ainda mais as eleições no Brasil. Então, meu caminho se encerra aqui”, declarou.
O TSE manteve, por 5 votos a 2, a decisão do Tribunal Regional Eleitoral do Distrito Federal (TRE-DF), que havia indeferido o registro da candidatura de Arruda. A maioria acompanhou o voto do relator, ministro Dias Toffoli. Com o resultado, a condição de candidatura sub judice foi encerrada e a campanha de Arruda deve ser interrompida.
A decisão teve como base condenações colegiadas por atos dolosos de improbidade administrativa relacionados à Operação Caixa de Pandora. O TSE entendeu que a mudança promovida na Lei da Ficha Limpa pela Lei Complementar nº 219/2025 não altera o resultado do caso.
Arruda diz respeitar decisão
Após o julgamento, Arruda afirmou que, apesar de considerar que sua candidatura havia sido registrada de acordo com a legislação, respeita o entendimento adotado pelos ministros.
“Eu registrei minha candidatura dentro da lei. Infelizmente, a interpretação que os tribunais deram à vigência dessa lei não é aquela que todos nós imaginávamos. Mas eu respeito a decisão judicial.”
Arruda também mencionou os votos divergentes registrados durante o julgamento e disse que os votos demonstrariam que havia fundamento jurídico para a tentativa de disputar novamente o Governo do DF.
“Os votos divergentes no TSE demonstram com clareza que eu não estava louco, eu registrei minha candidatura dentro da lei.”
Na declaração, Arruda tratou ainda da relação entre a decisão judicial e a democracia. O ex-governador afirmou que sua contribuição, neste momento, seria respeitar o Poder Judiciário mesmo diante de um resultado contrário aos próprios interesses.
“Eu acredito na democracia e respeito o Poder Judiciário, mesmo quando as decisões são contrárias à lógica e ao meu ponto de vista.”
O TSE determinou a comunicação imediata ao TRE-DF para o encerramento da condição sub judice da candidatura. A Corte também estabeleceu a suspensão do recebimento de recursos dos fundos eleitoral e partidário e a interrupção da participação de Arruda em atividades de campanha.
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“A vida é maior que a política”
Durante a coletiva, Arruda também falou sobre o impacto pessoal da decisão. O ex-governador afirmou estar triste e, em alguns momentos, indignado, mas disse manter a fé em Deus.
“Eu estou me sentindo triste, algumas horas indignado, mas eu permaneço firme numa fé que eu tenho inabalável em Deus.”
Em outro momento, Arruda relacionou o resultado à própria trajetória e afirmou que pretende deixar a disputa eleitoral para retomar atividades pessoais.
“Eu tenho 72 anos. Eu tenho que me recolher com humildade, reconhecer que o resultado é adverso, respeitá-lo e agradecer a todo mundo que me acompanhou até aqui.”
Arruda também agradeceu aos eleitores, voluntários, integrantes da coordenação de campanha e profissionais de imprensa que acompanharam sua tentativa de retorno ao Palácio do Buriti.
“Termino hoje uma experiência muito bonita na minha vida, que é o reencontro com a cidade que eu amo e, sobretudo, com as pessoas mais humildes que colocavam em mim a esperança de um futuro melhor.”
Ao falar sobre os próximos meses, o ex-governador afirmou que pretende se dedicar à família e às aulas que ministra.
“A vida é maior que a política. Esse sempre foi meu sonho na vida. Vou continuar de fora, acompanhando a política brasileira. Mas volto agora à minha vida pessoal, cuidar dos meus filhos, das minhas netas, voltar a dar as minhas aulas com muita humildade.”
Arruda não declara apoio e cita quatro candidatos
Com a saída da disputa, Arruda foi questionado sobre a possibilidade de apoiar outro candidato ao Governo do Distrito Federal. Arruda não anunciou apoio formal a nenhum dos nomes que permanecem na corrida pelo Palácio do Buriti.
O ex-governador, porém, fez um reconhecimento público a Paula Belmonte (PSDB), Kiko Caputo (Novo), Ricardo Cappelli (PSB) e Leandro Grass (PT).
“Eu tenho um profundo respeito pelas candidaturas do Kiko, do Capelli, da Paula Belmonte e do Leandro Grass, mesmo com eventuais diferenças de projeto e diferenças ideológicas.”
Arruda afirmou que vê nos quatro candidatos uma postura que considera civilizada durante a campanha e disse reconhecer projetos para Brasília.
“Reconheço neles, primeiro, uma convivência elegante, uma convivência civilizada. Reconheço neles também ter um propósito para o futuro do Brasil. Então, eles merecem o meu respeito.”
Questionado se estaria aberto a conversar com candidatos interessados em buscar seu apoio, Arruda respondeu que sim.
“Eu vou estar sempre aberto a conversar com todo mundo. O diálogo sempre é uma ferramenta importante.”
Apesar disso, Arruda afirmou que, naquele momento, não faria uma recomendação ao eleitorado nem anunciaria apoio a uma candidatura específica.
Recado aos eleitores
Arruda também deixou uma orientação direta a quem pretendia votar em Arruda. Como o processo de preparação das urnas já estava em andamento, o nome e a imagem do ex-governador ainda podem aparecer na urna eletrônica, mas os votos destinados à candidatura serão considerados nulos. A Justiça Eleitoral determinou o encerramento da condição sub judice após o julgamento do TSE.
“Por favor, não votem mais em mim, mesmo que a minha careca esteja na urna. Eu peço perdão a vocês por ter acreditado até o fim, mas agora os meus votos serão considerados inválidos.”
Na sequência, o ex-governador afirmou que os eleitores devem escolher outra candidatura.
“De acordo com as suas consciências, escolham o candidato ou a candidata que julgarem mais preparado para governar Brasília.”
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