sexta-feira, 25 de setembro de 2026
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Goiás registra alta de 86% nas mortes por afogamento

Goiás registrou 54 óbitos entre janeiro e julho de 2026, contra 29 no mesmo período do ano passado, mesmo com queda no número de atendimentos

Renata Ferrazpor em
Goiás registra alta de 86% nas mortes por afogamento
Respeitar a sinalização e evitar áreas proibidas para banho estão entre as principais recomendações dos bombeiros para prevenir afogamentos

O número de mortes por afogamento registradas em Goiás aumentou 86,2% entre janeiro e julho deste ano, na comparação com o mesmo período de 2025. Dados do Corpo de Bombeiros Militar de Goiás (CBM-GO) mostram que, nos primeiros sete meses de 2026, foram contabilizados 90 atendimentos de resgate relacionados a afogamentos e 54 óbitos. No ano passado, foram 93 atendimentos e 29 mortes.

A diferença entre os números chama atenção porque, embora a quantidade de atendimentos tenha apresentado uma pequena redução, o total de mortes quase dobrou. Foram três ocorrências a menos registradas pelos bombeiros, mas 25 óbitos a mais. Em 2025, os 29 óbitos representavam cerca de 31,2% dos atendimentos contabilizados. Neste ano, a proporção chegou a 60%.

Os números indicam um cenário de maior gravidade entre as ocorrências registradas em 2026. A proporção, no entanto, não deve ser interpretada como uma taxa de letalidade epidemiológica, já que os registros de atendimento e óbito da ficha de resgate podem ter características diferentes. Ainda assim, o avanço das mortes reforça o alerta para os riscos presentes em rios, cachoeiras, lagos, represas, clubes e outros locais utilizados para banho e lazer.

O período analisado inclui os meses de maior movimentação em pontos turísticos de Goiás, especialmente durante as férias escolares. Com o aumento da presença de moradores e turistas em áreas de água, também cresce a necessidade de medidas preventivas e de atenção às condições de cada local.

Atendimentos caem, mas mortes sobem

A comparação dos registros mostra uma mudança no cenário das ocorrências. Entre janeiro e julho de 2025, o CBM-GO contabilizou 93 atendimentos e 29 óbitos. No mesmo intervalo deste ano, foram 90 atendimentos e 54 mortes.

Em termos percentuais, a quantidade de atendimentos caiu aproximadamente 3,2%, enquanto o número de óbitos cresceu 86,2%. A diferença evidencia que uma redução no volume de chamados não significa necessariamente uma diminuição da gravidade dos acidentes.

O afogamento pode evoluir rapidamente e, em muitos casos, a vítima não consegue pedir ajuda. Correntezas, mudanças repentinas de profundidade, pedras, galhos, bancos de areia e dificuldades para retornar à margem estão entre os fatores que podem aumentar o risco em ambientes naturais.

A situação também preocupa porque muitos desses locais não contam com estrutura permanente de salvamento. Mesmo quando há sinalização, alguns visitantes entram na água em áreas proibidas ou ignoram recomendações de segurança.

Durante o mês de julho, o Corpo de Bombeiros reforçou a presença em regiões turísticas por meio da Operação Férias Turismo Seguro 2026. A ação ocorreu entre os dias 1º e 27 de julho e mobilizou aproximadamente 400 militares. As equipes atuaram em locais de maior circulação de turistas, com reforço principalmente nos fins de semana.

Ao longo da operação, foram realizados mais de 2,5 mil atendimentos, entre ações preventivas, emergências clínicas, princípios de afogamento e ocorrências de resgate. A corporação empregou guarda-vidas, mergulhadores, equipes de salvamento aquático, resgate e combate a incêndios, além de estrutura de transporte aeromédico e Unidade de Terapia Intensiva (UTI) móvel.

Casos recentes reforçam preocupação

Mesmo com o trabalho de prevenção realizado durante as férias, ocorrências fatais continuam sendo registradas em diferentes pontos do Estado. Um dos casos mais recentes aconteceu em Goiânia, onde um adolescente de 15 anos morreu afogado em uma área próxima à captação de água do Rio Meia Ponte, no Bairro São 

Em Rio Verde, no sudoeste de Goiás, a Cachoeira da Laje também registrou duas mortes em pouco mais de um mês. Em 26 de julho, João Marcelo de Oliveira de Camargo, de 24 anos, morreu depois de submergir enquanto tomava banho no local, situado às margens da BR-060, na zona rural do município.

O Corpo de Bombeiros foi acionado e realizou buscas até localizar o corpo do jovem. Depois do resgate, a vítima foi encaminhada ao Instituto Médico Legal (IML) de Rio Verde. As circunstâncias da morte foram encaminhadas para apuração das autoridades.

Pouco mais de um mês depois, outro afogamento fatal ocorreu na mesma cachoeira. O adolescente José Ewerton Rocha Lourenço, de 17 anos, morreu no domingo (30) depois de submergir enquanto nadava com outros dois jovens. Segundo o Corpo de Bombeiros, a ocorrência foi registrada por volta das 16h10.

Correnteza e profundidade aumentam riscos

Os casos registrados em Goiás mostram que o perigo não está apenas em locais sem sinalização. Mesmo áreas conhecidas e frequentadas por moradores podem apresentar condições capazes de provocar acidentes graves. Em rios e cachoeiras, a correnteza pode ser mais forte do que aparenta e dificultar a movimentação de quem entra na água.

Outro risco são os bancos de areia, que podem transmitir uma falsa sensação de segurança, principalmente quando ficam próximos da margem. A profundidade, porém, pode mudar de maneira repentina e surpreender quem está nadando ou caminhando dentro da água.

O Corpo de Bombeiros orienta que as pessoas evitem entrar em locais desconhecidos e respeitem placas, barreiras e demais sinalizações. Áreas proibidas para banho não devem ser utilizadas, mesmo quando outras pessoas estejam entrando na água.

O consumo de bebidas alcoólicas antes ou durante o banho também deve ser evitado. O álcool prejudica os reflexos, o equilíbrio e a capacidade de avaliar situações de perigo. 

Mergulhos de cabeça também exigem atenção. Em áreas naturais, não é possível saber com segurança se existem pedras, galhos ou outros obstáculos sob a superfície. Um mergulho em local raso pode provocar traumatismos e lesões graves, inclusive na coluna.

Nas piscinas, os cuidados são diferentes, mas igualmente importantes. Crianças devem permanecer sob supervisão constante de um adulto, mesmo quando sabem nadar ou utilizam boias. Também é recomendado instalar cercas e portões de proteção e manter atenção aos ralos de sucção, que podem prender cabelos ou partes do corpo.

A recomendação vale especialmente para famílias que frequentam clubes, chácaras e propriedades com piscinas durante fins de semana e períodos de férias. A presença de equipamentos de flutuação não elimina a necessidade de acompanhamento permanente.

A orientação é acionar imediatamente o Corpo de Bombeiros pelo telefone 193 e, se houver segurança para isso, lançar à vítima algum objeto flutuante que possa ajudá-la a permanecer na superfície. Uma boia, corda, galho ou outro objeto que possa ser alcançado sem que o socorrista entre na água pode ser utilizado.

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