Violins chega aos 25 anos com “Aguacêro”, décimo disco e novo mergulho nas contradições do mundo
Banda goiana volta ao formato de álbum com oito músicas inéditas e produção em parceria com Gustavo Vazquez
O Violins completa 25 anos em 2026 retomando o formato que ajudou a definir sua história. “Aguacêro”, décimo álbum da banda goiana, reúne oito músicas inéditas e encerra um intervalo de oito anos desde “A Era do Vacilo”, lançado em 2018. Editado pela Monstro Discos, o novo trabalho volta a apostar em um disco pensado como conjunto, desta vez guiado por uma imagem que atravessa todas as faixas: a água.
Chuvas, rios, correntezas, mares, inundações e tsunamis aparecem ao longo do repertório. O elemento, porém, não funciona apenas como cenário. A banda explora sua ambivalência, já que a mesma água que sustenta a vida também pode provocar destruição. É a partir dessa contradição que as canções abordam incerteza, tensão e um mundo em que referências antes estáveis parecem cada vez menos seguras.
Musicalmente, “Aguacêro” mantém o Violins no território desenvolvido pelo grupo desde o início dos anos 2000. O rock melódico, atento às harmonias, convive com referências da música brasileira, do indie rock, das guitar bands e, em alguns momentos, do metal progressivo. Em vez de romper com a identidade construída ao longo de mais de duas décadas, o álbum amplia possibilidades dentro de uma linguagem já reconhecível.
Formado em Goiânia em 2001, o Violins surgiu durante a expansão da cena independente da capital. A banda passou por festivais e iniciativas que ajudaram a projetar esse circuito para além de Goiás, entre eles o Goiânia Noise, e manteve uma parceria duradoura com a Monstro Discos. O reconhecimento nacional também veio pelos álbuns. “Grandes Infiéis”, de 2005, apareceu em listas de melhores lançamentos, enquanto “Tribunal Surdo”, de 2007, foi escolhido pela revista “Rolling Stone” entre os 25 discos brasileiros de destaque daquele ano.
A volta ao formato de álbum foi construída aos poucos. Em 2024, o grupo lançou “Sossego Tenso”. No ano seguinte, vieram “Preços” e “Doce Privilégio”, reunidas depois no EP “Quase Metade”. O período também marcou o retorno do baixista Thiago Ricco à formação.
“Doce Privilégio” ganhou ainda uma versão com arranjo sinfônico de Itamar Assiere, gravada sob regência do maestro Kleber Augusto à frente da Tallin Studio Orchestra, na Estônia. Em “Aguacêro”, no entanto, a proposta volta a ser outra: as oito faixas foram concebidas para funcionar em sequência, sustentadas por uma mesma atmosfera e por um eixo temático comum.
O álbum marca também a retomada da parceria com Gustavo Vazquez, do Rocklab Estúdio, em Anápolis. Ele divide a produção com a banda e já havia trabalhado em “A Era do Vacilo”, quando chegou a assumir o baixo durante as gravações.
Ao completar 25 anos e chegar ao décimo álbum, o Violins volta a transformar questões do presente em matéria para as canções. Em “Aguacêro”, a água aparece como elemento central dessa leitura, associada tanto à renovação quanto à destruição. A imagem atravessa o disco e serve para abordar um cenário marcado por instabilidade, tensão e mudanças constantes.
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