sábado, 7 de novembro de 2026
LEGISLAÇÃO AMBIENTAL

Projeto em Goiânia pode responsabilizar quem impedir corte de árvores

Proposta do vereador Tião Peixoto prevê responsabilização por eventuais danos causados por árvores consideradas de risco em laudos técnicos

Gabriel Diaspor em
Projeto em Goiânia pode responsabilizar quem impedir corte de árvores
Gameleiras na Praça da Cirrose, em frente à Padaria Sonho de Mel. (Foto: Pedro Banzoni/O HOJE)

Uma proposta de autoria do vereador Tião Peixoto (PSDB), apresentada nesta quinta-feira (3) na Câmara de Goiânia, pode responsabilizar moradores, entidades e órgãos públicos, como o Ministério Público de Goiás (MP-GO), que protestarem contra o corte de árvores apontadas como em risco em laudos técnicos, caso essas árvores venham a cair ou gerem prejuízos, mesmo quando o laudo atesta risco à população. A proposta é semelhante ao decreto anunciado pelo prefeito Sandro Mabel (UB) na última terça-feira (1º), que também responsabiliza quem se manifestar contra a retirada das árvores.

O texto de Peixoto, no artigo 3º, diz que quem suspender ou atrasar essa retirada, por qualquer meio, passa a responder pessoalmente pelos danos que a árvore vier a causar. Em vídeo publicado no Instagram na última quarta-feira (2), o vereador afirmou dispor de laudo assinado por sete profissionais de Brasília e Goiânia atestando risco nas árvores da Praça da Cirrose, e citou o caso de galhos que teriam caído sobre imóveis na Rua 4.

A vereadora Kátia Maria (PT), presidente da Comissão de Meio Ambiente da Câmara Municipal, foi responsável por protocolar, junto ao MP-GO, a representação que pediu perícia técnica independente antes de qualquer corte das gameleiras da Praça da Cirrose. O pedido resultou na recomendação da promotora Alice de Almeida Freire para suspender a supressão das árvores, assinada em 1º de setembro.

Transferência de responsabilidade

Para a vereadora, a proposta é uma tentativa de transferir a moradores e entidades o encargo por decisões sobre a arborização, em uma resposta direta às recomendações do MP-GO. “É completamente inconstitucional, que é uma afronta à sociedade, onde a prefeitura tira a sua responsabilidade e tenta colocar naquelas pessoas que estão buscando fazer as adaptações e as mudanças climáticas”, disse Kátia.

Kátia Maria vê no episódio um padrão de reatividade do prefeito diante de resistência popular, citando como exemplo a recente greve dos servidores administrativos da Educação. “Ele tem dificuldade, aí ele quer fazer uma coisa no trânsito, o povo não quer, ele apela. Aí os administrativos da educação, que ele prometeu o plano de carreira na campanha dele, agora fizeram greve, ele não dialoga com quem faz greve.”

Questionada sobre os próximos passos da oposição na Câmara, a parlamentar destaca a resistência ao projeto que é, segundo ela, inconstitucional. “Nós vamos continuar o nosso trabalho, com toda a certeza. Esse é um projeto que nós vamos trabalhar muito para derrubar lá na Câmara Municipal, porque ele é completamente inconstitucional e é imoral por tirar da prefeitura a sua responsabilidade e tentar colocar nas pessoas, nas associações e nas entidades.”

Cidade Arborizada do Mundo, mas na contramão na prática

Em 2023, Goiânia recebeu o título de Cidade Arborizada do Mundo, da Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO). O título é dado a municípios que mantêm programas contínuos de gestão sustentável da floresta urbana. Segundo o Censo Demográfico de 2022 do IBGE, 89,6% dos domicílios da capital estão localizados em vias com presença de árvores, o que coloca Goiânia como a segunda capital mais arborizada do país, atrás apenas de Campo Grande (MS). O título convive com o aumento de podas de árvores que geram embate entre prefeitura, moradores e Ministério Público. Até o fechamento desta edição, o vereador Tião Peixoto não havia respondido aos contatos feitos pela reportagem.

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