terça-feira, 13 de outubro de 2026
Alerta na saúde

Casos de SRAG aumentam em Goiás e colocam crianças no centro da preocupação

Fiocruz aponta crescimento da SRAG em Goiás, com maior concentração entre crianças de até 4 anos

Renata Ferrazpor em
Casos de SRAG aumentam em Goiás e colocam crianças no centro da preocupação
Tony Winston/Agência Brasília

A circulação de vírus respiratórios voltou a chamar atenção das autoridades de saúde em Goiás. A nova edição do Boletim InfoGripe, da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), divulgada na última quinta-feira (3), aponta a manutenção da tendência de crescimento dos casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) entre crianças e adolescentes de até 14 anos no país. O cenário tem relação principalmente com o rinovírus, responsável por parte significativa das infecções identificadas no período.

O levantamento considera a Semana Epidemiológica 34, correspondente aos dias 23 a 29 de agosto, e mostra que Goiás está entre os três estados brasileiros que apresentam incidência de SRAG em níveis de alerta, risco ou alto risco, acompanhada de sinal de crescimento nas últimas semanas. Alagoas e Paraíba completam a lista.

Em Goiás, o avanço se concentra principalmente entre crianças de até quatro anos, faixa etária que aparece entre as mais afetadas pelo aumento das hospitalizações por problemas respiratórios. A situação também chama atenção em Goiânia, uma das seis capitais que apresentam nível de atividade de SRAG considerado de alerta, risco ou alto risco e tendência de crescimento até a Semana Epidemiológica 34.

Rinovírus é principal agente associado ao crescimento

De acordo com a análise da Fiocruz, o rinovírus é o principal vírus relacionado ao aumento recente dos casos entre crianças e adolescentes. O agente costuma provocar sintomas respiratórios e pode causar quadros mais graves, especialmente em crianças pequenas e pessoas que apresentam fatores de risco.

Além do rinovírus, outros vírus continuam circulando no país. Nas quatro semanas epidemiológicas analisadas, o rinovírus representou 44,3% dos resultados positivos entre os casos de SRAG. Na sequência aparecem o vírus sincicial respiratório (VSR), com 31,9%; influenza B, com 6,9%; influenza A, com 3,6%; e SARS-CoV-2, responsável pela Covid-19, com 2,1%.

Entre os óbitos registrados no mesmo intervalo, o rinovírus também aparece com a maior proporção entre os resultados positivos, com 34,2%. O VSR correspondeu a 24%, a influenza B a 16,3%, a influenza A a 14,3% e o SARS-CoV-2 a 4,1%.

Os números mostram que, embora diferentes vírus estejam em circulação, o comportamento deles varia de acordo com a faixa etária. A incidência de SRAG é mais elevada entre crianças pequenas e está principalmente relacionada ao VSR. Já entre os idosos, a mortalidade é maior, com destaque para influenza A, rinovírus e VSR.

Goiás registra milhares de casos em 2026

No acumulado do ano epidemiológico de 2026, foram notificados 144.599 casos de SRAG em todo o país. Desse total, 78.101 tiveram resultado laboratorial positivo para algum vírus respiratório, o equivalente a 54%. Outros 50.925 registros, ou 35,2%, apresentaram resultado negativo, enquanto aproximadamente 7.323 casos, correspondentes a 5,1%, ainda aguardavam resultado dos exames.

Considerando os casos positivos registrados desde o início do ano, o VSR aparece como o vírus mais identificado, representando 41,7% das ocorrências. O rinovírus responde por 30,7%, seguido pela influenza A, com 17,5%; influenza B, com 5,4%; e SARS-CoV-2, com 3,8%.

Em Goiás, dados da Secretaria de Estado da Saúde indicam que, até a Semana Epidemiológica 33, encerrada em 16 de agosto, foram registrados 6.881 casos de SRAG e 424 mortes relacionadas à síndrome. O número de casos representa uma redução de 19,5% em comparação com o mesmo período de 2025.

Apesar da queda no acumulado, o cenário mais recente exige atenção, principalmente por causa do comportamento observado entre as crianças. Os menores de dois anos concentram a maior parte dos registros no estado, enquanto os idosos aparecem como o grupo com maior número de mortes.

VSR perde força, mas influenza B avança

O boletim também aponta mudanças na circulação dos principais vírus respiratórios. Os casos de SRAG associados ao vírus sincicial respiratório continuam em queda na maior parte do país. Uma das exceções é Roraima, que apresenta retomada das hospitalizações provocadas pelo agente.

Mesmo com a redução nacional, o VSR ainda permanece em níveis elevados em alguns estados, entre eles Bahia, Minas Gerais, Mato Grosso do Sul, Paraná, Santa Catarina, Sergipe e Rio Grande do Sul.

Já a temporada de maior circulação da influenza A chegou ao fim no país. O comportamento da influenza B, entretanto, merece acompanhamento. Houve aumento de casos graves provocados pelo vírus nos estados da Bahia, Mato Grosso e Ceará.

Em relação à Covid-19, a incidência de SRAG permanece baixa em todas as unidades da Federação. O cenário atual, portanto, é marcado principalmente pela circulação de outros vírus respiratórios, com destaque para rinovírus e VSR.

Capitais também apresentam crescimento

Além de Goiânia, outras cinco capitais aparecem no levantamento da Fiocruz com nível de atividade de SRAG em alerta, risco ou alto risco e indícios de crescimento até a Semana 34. São elas Aracaju, Boa Vista, João Pessoa, Salvador e Vitória.

Outros dez estados apresentam incidência em níveis considerados de alerta, risco ou alto risco, mas sem sinal de crescimento na tendência de longo prazo. Fazem parte desse grupo Amazonas, Maranhão, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Paraná, Rio Grande do Sul, Rio de Janeiro, Roraima, Santa Catarina e Sergipe.

A situação reforça a necessidade de atenção aos sinais de agravamento dos quadros respiratórios, sobretudo entre crianças pequenas, que apresentam maior vulnerabilidade às complicações.

Com a circulação de diferentes vírus respiratórios, medidas simples podem contribuir para diminuir a transmissão. Entre as recomendações estão manter a vacinação atualizada, higienizar as mãos com frequência e evitar contato próximo com outras pessoas quando houver sintomas de gripe ou resfriado.

Em ambientes fechados e com grande concentração de pessoas, especialmente em serviços de saúde, o uso de máscara também pode ajudar a reduzir a disseminação de vírus respiratórios.

Quem apresentar sintomas deve, sempre que possível, permanecer em casa e evitar contato com pessoas mais vulneráveis. Quando o isolamento não for possível, a orientação é utilizar uma máscara adequada.

A recomendação é que sinais de agravamento, como dificuldade para respirar, falta de ar ou piora do estado geral, sejam avaliados por um serviço de saúde. Em crianças pequenas, a atenção deve ser redobrada diante de alterações na respiração, recusa persistente de líquidos ou alimentos e prostração.

 

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