Direita transforma ato de 7 de Setembro em palanque eleitoral em Goiânia
Manifestação na Praça Tamandaré teve críticas a Lula e Alexandre de Moraes, defesa de Flávio Bolsonaro e pedidos de voto para Wilder Morais, Gustavo Gayer e Oseias Varão
A manifestação da direita realizada nesta segunda-feira (7), em Goiânia, transformou o feriado de 7 de Setembro em um ato de mobilização eleitoral. Discursos de lideranças do PL concentraram críticas ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), ao Supremo Tribunal Federal (STF) e ao ministro Alexandre de Moraes, além de pedidos de votos para as candidaturas do grupo. O candidato ao governo de Goiás, Wilder Morais (PL), a candidata a vice, Ana Paula Resende, e os candidatos ao Senado Gustavo Gayer e Oseias Varão estiveram entre os principais nomes no palanque. A manifestação também serviu como preparação para a participação de parte da comitiva no ato da direita na Avenida Paulista, em São Paulo.
A defesa do impeachment de Moraes apareceu de forma recorrente nas falas. Gustavo Gayer afirmou que uma das prioridades de sua eventual atuação no Senado será trabalhar pelo afastamento de ministros do STF. Ao pedir votos para si e para Oseias Varão, o deputado federal apresentou a eleição de dois senadores de direita como condição para o avanço da pauta. “A gente vai fazer maioria no Senado. E a maioria no Senado vai acabar com Alexandre Moraes”, afirmou.
Gayer também fez críticas à atuação do ministro e relatou episódios que, segundo ele, representaram perseguição política. Em tom de confronto, disse que não pretende recuar. “Eu vou dobrar a aposta. Eu não vou me calar”, declarou. O deputado ainda pediu que os apoiadores escolham dois nomes de direita para as vagas ao Senado e afirmou que o grupo precisa ampliar sua votação para além da capital.
Wilder aposta em vitória no primeiro turno
Wilder Morais aproveitou o ato para apresentar a eleição estadual como parte de um projeto político mais amplo da direita. Questionado sobre a relação entre as pautas nacionais e a disputa pelo governo de Goiás, afirmou que a insatisfação com o STF e com o governo federal também estaria mobilizando os eleitores no Estado. “Hoje é uma revolta do povo brasileiro”, disse.
O candidato voltou a defender Flávio Bolsonaro para a Presidência da República e afirmou que uma eventual vitória do senador permitiria mudanças na composição do STF. “O nosso próximo presidente da República, Flávio Bolsonaro, vai escolher quatro do STF, se Deus quiser, no mandato dele que começa ano que vem”, declarou.
Durante o coletivo de imprensa, Wilder foi questionado pela repórter Luma Silveira, do O Hoje, sobre a possibilidade de segundo turno e eventuais alianças para uma segunda etapa da eleição. O candidato afirmou estar confiante na vitória já na primeira votação e foi direto ao responder sobre sua estratégia eleitoral: “Nós vamos ganhar no primeiro turno”.
Na entrevista, Wilder também relacionou as pautas nacionais defendidas pela direita à disputa pelo governo de Goiás. Segundo ele, as críticas ao Supremo Tribunal Federal e ao governo Lula fazem parte de uma insatisfação nacional que também se reflete no cenário eleitoral do Estado. “Hoje é uma revolta do povo brasileiro”, afirmou.
O candidato ainda disse que os eleitores devem acompanhar as pesquisas e afirmou que sua candidatura está avançando. A declaração foi reforçada posteriormente durante o ato na Praça Tamandaré, quando Wilder voltou a afirmar que trabalha pela vitória já na primeira etapa da disputa.
A fala ocorre em um cenário no qual Wilder tenta consolidar o eleitorado de direita em torno de sua candidatura. No próprio discurso, ele reforçou a necessidade de mobilização e afirmou que faltavam pouco mais de três semanas para a eleição. A estratégia também passa pela associação de sua candidatura com o projeto nacional do bolsonarismo.
Em outro momento, Wilder apresentou críticas à situação da saúde em Goiás e afirmou que pretende manter políticas que considere positivas da atual administração e modificar aquelas que avaliar como inadequadas. “Tudo aquilo que for bom nós vamos manter. E o que for ruim nós vamos consertar”, afirmou.
Ana Paula cobra alinhamento com Wilder
Ana Paula Resende reforçou o discurso de unidade entre os candidatos da direita e pediu que os eleitores observem quais candidaturas estão efetivamente alinhadas a Wilder. A candidata a vice-governadora afirmou que não pretende apoiar nomes que não demonstrem publicamente esse vínculo.
“Candidato sem a foto do Wilder Morais não terá o meu voto”, declarou. Na sequência, criticou candidatos que, segundo ela, estariam tentando utilizar a força da legenda para conquistar votos e depois seguir outro caminho político. “Estão querendo a legenda pra se eleger, mas vão cair na direita logo em seguida. Não vamos aceitar”, afirmou.
A candidata também defendeu a eleição de Flávio Bolsonaro e apresentou a disputa presidencial como parte da estratégia do grupo em Goiás. “Nós temos uma única chance. E a nossa última chance de mudar este país é Flávio Bolsonaro pra presidente deste país”, disse.
Em outro trecho do discurso, Ana Paula atacou o ex-governador Ronaldo Caiado e o grupo político ligado a ele. Ela acusou Caiado de ter se afastado da direita e também fez críticas a Daniel Vilela, adversário de Wilder na disputa pelo governo. As declarações foram apresentadas no palanque como parte da estratégia de diferenciação da chapa do PL.
Oseias Varão, candidato ao Senado, também pediu que os eleitores escolham dois nomes alinhados ao mesmo projeto político. Ele afirmou que uma das principais dificuldades de sua candidatura é ampliar o conhecimento de seu nome no interior. “85% dos goianos não me conhecem”, declarou, ao pedir que apoiadores divulguem sua candidatura nas redes sociais.
Varão ainda reforçou o apoio a Wilder e criticou adversários do campo político. Segundo ele, a trajetória empresarial do candidato do PL seria um diferencial para a disputa. “Não dá pra comparar o nosso candidato com o que tem aí”, afirmou.
Ao longo do ato, as lideranças repetiram palavras de ordem contra Lula, o PT e Alexandre de Moraes e defenderam a eleição de uma bancada de direita no Senado. A manifestação terminou com a convocação dos apoiadores para manter a mobilização durante a campanha. Parte da comitiva seguiu para São Paulo, onde estava previsto um novo ato na Avenida Paulista.
Leia também:
“Candidato sem a foto de Wilder não terá meu voto”, diz Ana Paula em ato de 7 de Setembro em Goiânia
Siga o Canal do O Hoje e receba as principais notícias do dia direto no seu WhatsApp! Canal do O Hoje.