TJ-GO revoga prisão preventiva de dentista acusada de matar jornalista em Goiânia
Decisão unânime da 1ª Câmara Criminal ocorreu no julgamento do mérito do habeas corpus apresentado pela defesa de Renata de Almeida Pedreira
O Tribunal de Justiça de Goiás (TJ-GO) revogou a prisão preventiva de Renata de Almeida Pedreira e Sousa, de 56 anos, acusada de matar o jornalista Delson Carlos Henrique de Lima Barros, de 52 anos, em julho deste ano, em um apartamento no Setor Bueno, em Goiânia. A informação foi divulgada pelos advogados da dentista em nota à imprensa nesta terça-feira (8).
Segundo a defesa, a decisão foi tomada por unanimidade pela 1ª Câmara Criminal do TJ-GO, durante o julgamento do mérito do habeas corpus apresentado em favor de Renata.
A decisão ocorre após uma primeira análise do pedido de liberdade. Na ocasião, o desembargador Itaney Francisco Campos, relator do habeas corpus, havia indeferido o pedido liminar apresentado pela defesa. A decisão analisava apenas a possibilidade de concessão urgente da liberdade antes do julgamento definitivo do habeas corpus.
Na decisão liminar, o relator entendeu que, naquele momento, não era possível reconhecer de imediato uma ilegalidade manifesta na prisão preventiva. Ele também destacou a gravidade das acusações e afirmou que algumas questões apresentadas pela defesa, especialmente relacionadas ao estado psicológico da acusada, exigiam uma análise mais aprofundada.
Com o julgamento do mérito, entretanto, segundo a nota divulgada pelos advogados, a 1ª Câmara Criminal decidiu pela revogação da prisão preventiva.
A defesa é formada pelos advogados Paulo Henrique Moura Maia, Pollyana Luíza de Oliveira Neville e José Maurício Neville de Castro Júnior, que assinam a nota encaminhada à imprensa.
O que a defesa alegou
No habeas corpus, os advogados questionaram a necessidade da manutenção da prisão preventiva. Entre os argumentos apresentados estavam o fato de Renata não possuir condenações criminais, ter residência fixa e exercer atividade profissional.
A defesa também sustentou que o episódio teria ocorrido durante um grave estado de crise emocional e psíquica, associado à ingestão de medicamentos sedativos e álcool. Os advogados argumentaram ainda que não haveria contemporaneidade suficiente para justificar a manutenção da prisão.
Outro ponto levantado foi o andamento da investigação. Segundo a defesa, os depoimentos das principais testemunhas já haviam sido colhidos e restariam apenas laudos periciais requisitados à Polícia Técnico-Científica, incluindo exames cadavérico, de local de crime, biológico, DNA, toxicologia e alcoolemia.
Os advogados também haviam pedido, alternativamente à prisão, a aplicação de medidas cautelares, como monitoramento eletrônico, proibição de contato e aproximação com Márcia Maria Carolli, mudança de residência e acompanhamento de saúde mental.
A nota divulgada nesta terça-feira, porém, não detalha quais medidas, se houver, foram determinadas pela 1ª Câmara Criminal após a revogação da prisão.
Relembre o caso
O jornalista Delson Carlos Henrique de Lima Barros, de 52 anos, foi morto a facadas na noite de 24 de julho, dentro de um apartamento no Residencial Dom Lourenço, no Setor Bueno, em Goiânia.
Segundo informações preliminares divulgadas pela Polícia Militar após a ocorrência, Delson estava no apartamento com Renata e a companheira dela. Os três consumiam bebidas alcoólicas quando houve um desentendimento.
Conforme a versão apresentada inicialmente pela PM, Delson teria ferido a companheira de Renata com uma faca e, na sequência, teria sido atingido por golpes durante a reação. O jornalista conseguiu deixar o apartamento, mas morreu no corredor do quinto andar do prédio.
Após o crime, Renata permaneceu trancada no imóvel. A ocorrência mobilizou equipes especializadas, e uma operação de gerenciamento de crise foi iniciada. Depois de horas de negociação, equipes do BOPE entraram no apartamento e prenderam a mulher.
Segundo a Polícia Militar, Renata apresentava sinais de alteração psicológica e recebeu atendimento médico após ser contida. O caso passou a ser investigado pela Polícia Civil.
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