Goiás tem alta de 570% em registros de desaparecidos em 2025
Estado registrou 3.869 desaparecimentos ao longo do ano, alta de 6,76% em relação a 2024
Goiás terminou 2025 com 13.422 registros ativos de pessoas desaparecidas, segundo o Relatório Estatístico Anual de Pessoas Desaparecidas e Localizadas, divulgado pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública. O número representa um aumento de 570,2% em relação a 2024, quando o Estado tinha 2.003 registros ativos.
Ao longo do ano, Goiás registrou 3.869 desaparecimentos, contra 3.624 em 2024, 245 ocorrências a mais, uma alta de 6,76%. A taxa de desaparecimentos também subiu, passando de 51,4 para 54,8 casos a cada 100 mil habitantes.
O Estado respondeu ainda por uma parcela significativa dos desaparecimentos registrados no Centro-Oeste. Dos 9.594 casos contabilizados na região em 2025, 3.869 ocorreram em Goiás, o equivalente a 40,33% do total.
Entre os desaparecimentos registrados no Estado, os homens foram maioria: foram 2.404 homens, 1.394 mulheres e 71 registros em que o sexo não foi informado, o que representa 62,1% e 36% dos casos, respectivamente.
A maior parte dos registros envolveu adultos, com 2.265 casos. Também foram contabilizados 809 adolescentes, 322 idosos e 106 crianças, além de 367 registros em que a idade não foi informada. Segundo a metodologia do relatório, são consideradas crianças as pessoas de até 11 anos; adolescentes, as de 12 a 17 anos; adultos, as de 18 a 59 anos; e idosos, as pessoas com 60 anos ou mais.
O levantamento mostra ainda que o número de pessoas localizadas em Goiás caiu em 2025: foram 2.429 localizações, contra 3.004 em 2024, uma redução de 19,14%. Entre os localizados no Estado no ano passado, 1.442 eram adultos, 562 eram adolescentes, 198 eram idosos e 73 eram crianças; em 154 registros, a idade não foi informada.
O Ministério da Justiça ressalta, no entanto, que os números de desaparecidos e de localizados são analisados separadamente. Assim, as 2.429 pessoas localizadas em 2025 não correspondem necessariamente a quem desapareceu no mesmo ano segundo a metodologia do relatório, uma pessoa localizada em 2025 pode ter desaparecido em anos anteriores.
O caso de Ana Clara, em Anápolis
Um caso recente em Anápolis ilustra a complexidade que pode envolver uma ocorrência de desaparecimento. A adolescente Ana Clara Alves Silva, de 13 anos, foi localizada pela Polícia Civil na tarde desta quarta-feira (9), três dias após desaparecer. Segundo a corporação, a jovem foi encontrada em uma casa abandonada, onde teria sido mantida em cárcere privado.
A localização foi feita por equipes da Delegacia de Proteção à Criança e ao Adolescente (DPCA) de Anápolis, que investigavam o caso desde o registro da ocorrência.
De acordo com a Polícia Civil, durante as diligências os investigadores identificaram um homem de 19 anos, suspeito de ter aliciado a adolescente pelo Discord e convencido a jovem a fugir de casa. O suspeito foi localizado e preso no local onde trabalhava. Ainda segundo a corporação, após a prisão, o suspeito indicou aos policiais o endereço da casa abandonada onde Ana Clara estava a adolescente teria sido encontrada trancada por fora, com uma corrente e um cadeado.
Segundo as informações divulgadas pela Polícia Civil, o homem havia alugado uma casa para onde o suspeito e a adolescente pretendiam se mudar. Enquanto o suposto autor dos crimes trabalhava, Ana Clara teria permanecido no imóvel abandonado. O suspeito foi encaminhado à delegacia e, conforme a corporação, estava sendo autuado pelos crimes de estupro de vulnerável e cárcere privado. A adolescente recebeu atendimento psicológico e, segundo a Polícia Civil, seria entregue aos responsáveis.
Antes de ser localizada, Ana Clara havia deixado uma carta para a família dizendo que estava indo embora com uma pessoa que amava e que não sabia se retornaria. A família relatou ainda que a adolescente teria comentado com amigas que iria para o Canadá. O caso passou a ser investigado pela DPCA, que realizou diligências para localizar a adolescente e esclarecer as circunstâncias do desaparecimento.
A reportagem entrou em contato com o delegado responsável pelo Grupo de Investigação de Desaparecidos (GID), mas o titular da delegacia não quis comentar o assunto. A equipe também procurou a Secretaria de Segurança Pública (SSP), mas, até o fechamento desta edição, não havia recebido resposta. O espaço segue aberto para esclarecimentos. (Especial para O HOJE)
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