PF entrega íntegra do celular de Vorcaro a ministros antes de julgamento sobre Moraes
Zanin e Gilmar haviam pedido acesso aos dados completos; STF analisa nesta terça-feira se relatório da PF pode embasar investigação contra Alexandre de Moraes
A íntegra dos dados extraídos do celular de Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master, já está nos gabinetes dos ministros Cristiano Zanin e Gilmar Mendes. A Polícia Federal entregou o material nesta segunda-feira (14), um dia antes da sessão em que o Supremo Tribunal Federal (STF) deverá discutir se as informações relacionadas a Alexandre de Moraes justificam a abertura de uma investigação.
O acesso aos arquivos completos foi solicitado pelos dois ministros justamente para que o plenário possa examinar o conjunto de dados, e não apenas os trechos selecionados para o relatório que chegou ao STF. Gilmar havia defendido que a análise integral era necessária para verificar se houve seleção de conversas na elaboração do documento.
A disputa sobre o conteúdo do aparelho se intensificou nos últimos dias. André Mendonça, que inicialmente relatava o caso, havia resistido ao compartilhamento integral dos dados com os demais ministros. Segundo ele, a divulgação poderia comprometer investigações ainda em andamento e atrapalhar a sessão desta terça-feira (15). Mendonça sustentou também que os ministros já tinham acesso ao conjunto de informações que seria utilizado no julgamento.
A Polícia Federal informou que os dados permanecem sob medidas de preservação da cadeia de custódia e que é possível fornecer cópias aos ministros sem comprometer a integridade do material. Antes da entrega, o presidente do STF, Edson Fachin, havia determinado que a corporação esclarecesse a situação da mídia extraída do aparelho.
A discussão ganha peso porque o julgamento marcado para esta terça-feira (15) envolve 52 mensagens atribuídas a Vorcaro e relacionadas a Moraes, segundo o relatório produzido pela PF. Os registros abrangem o período entre 2023 e novembro de 2025, quando o empresário foi preso preventivamente.
Entre os conteúdos analisados pelos investigadores está uma conversa na qual Vorcaro teria encaminhado para Moraes um contrato de aproximadamente R$ 131 milhões envolvendo o Banco Master e o escritório da advogada Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro. Outro trecho apontado no relatório trata de uma suposta tentativa do ex-banqueiro de obter informações sobre uma operação que poderia resultar em sua prisão.
Moraes nega ter mantido contato com Vorcaro. A PF informou que as eventuais respostas do interlocutor às mensagens enviadas pelo ex-banqueiro não foram recuperadas.
O que o STF vai decidir
A sessão extraordinária de terça-feira está prevista para analisar a controvérsia envolvendo a produção do relatório da PF e os elementos relacionados a Moraes. Entre os pontos em discussão está um pedido da Procuradoria-Geral da República para invalidar a apuração conduzida a partir da análise dos dados do celular de Vorcaro. A CNN informou que os ministros deverão avaliar também a regularidade da ordem que levou ao aprofundamento da análise do aparelho e o destino das informações obtidas.
A PGR questiona a forma como Mendonça autorizou o avanço da apuração sobre um integrante do próprio STF sem comunicar previamente a presidência da Corte ou submeter a medida ao plenário.
A divulgação dos dados provocou uma reação de Moraes. O ministro apresentou outro documento atribuído à PF, no qual Mendonça aparece sob suspeita de direcionar investigações da Operação Compliance Zero. O material, porém, não possui assinatura nem timbre oficial da corporação e traz a indicação de que se tratava de uma elaboração conjectural, sem valor probatório.
O conflito entre os ministros levou Fachin a assumir a condução do procedimento relacionado a Moraes. O presidente do STF também decidiu manter separado o julgamento envolvendo Mendonça, marcado para 23 de setembro, enquanto a sessão desta terça-feira permanece dedicada ao caso que envolve as mensagens atribuídas a Vorcaro e Moraes.
Com os dados completos agora disponíveis aos ministros que haviam solicitado acesso, o plenário terá à disposição um conjunto mais amplo de informações para avaliar o relatório da PF. Ainda assim, caberá aos integrantes da Corte decidir quais elementos podem ser considerados e se há fundamento para instaurar uma investigação formal contra Moraes.
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