quarta-feira, 16 de setembro de 2026
BRASÍLIA

Em sabatina no DF, Celina Leão é questionada sobre caso do Banco Master e rebate: “Fui contrária a qualquer tipo de negociação”

Governadora foi questionada sobre mensagens atribuídas a Daniel Vorcaro e também falou sobre a situação do BRB

Thais Munizpor em
Celina Leão
A governadora e candidata à reeleição, Celina Leão (PP), em sabatina ao SBT - Foto: reprodução/YouTube SBT

A governadora do Distrito Federal e candidata à reeleição, Celina Leão (PP), foi questionada nesta quarta-feira (16) sobre novas mensagens atribuídas ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro, que mencionam o nome dela nas tratativas envolvendo a compra do Banco Master pelo Banco de Brasília (BRB). Durante sabatina ao SBT Brasília, Celina afirmou que sempre se posicionou contra a operação e disse que não tinha contato direto com Vorcaro.

Logo no início da sabatina, os entrevistadores questionaram Celina após a divulgação de mensagens extraídas do celular do ex-banqueiro e analisadas no âmbito das investigações do caso. Em uma reportagem publicada pela Folha de S. Paulo, Vorcaro teria dito a um publicitário do Distrito Federal que Celina participou das negociações para a aquisição do Master. A publicação também registra que Celina contesta essa versão e afirma que era contrária ao negócio.

Na sabatina, a governadora apresentou sua interpretação sobre o conteúdo divulgado. Ela afirmou que as mensagens mostram Vorcaro irritado com declarações públicas feitas por ela sobre a operação.

“Eu acho que isso vem a reafirmar aquilo que eu falo desde o começo. A conversa entre os dois, segundo a Folha de São Paulo, porque nós não tivemos nem acesso a esse diálogo completo, era que eles estavam indignados com uma matéria minha que havia saído no O Globo, onde eu falava que eu era contrária à compra do BRB e que eu poderia, inclusive, desfazer o negócio”, declarou.

Celina afirma não ter contato com Vorcaro

Ao explicar o conteúdo das mensagens, Celina fez questão de destacar que, segundo ela, não existia uma relação direta com o ex-banqueiro. A governadora afirmou que as referências ao seu nome ocorreram em uma conversa entre terceiros.

“Então, é uma conversa de terceiros falando sobre isso e, na própria conversa, Daniel Vorcaro se diz indignado comigo, porque eu estava desacreditando o Master e a operação e que isso precisava de ter umas ações enérgicas contra a nossa pessoa”, afirmou.

Na sequência, Celina questionou por que Vorcaro estaria falando sobre ela dessa forma caso os dois tivessem algum tipo de relacionamento direto.

“Você imagina, se eu tivesse algum relacionamento com Daniel Vorcaro, ele não ligaria para mim? Ele não mandaria uma mensagem para mim? Ele estava comentando sobre a nossa pessoa como uma terceira pessoa”, disse.

A governadora voltou ao ponto e afirmou de maneira direta que não possui o telefone do ex-banqueiro e não mantém contato com ele.

“O sigilo dele está quebrado, eu não tenho contato com Daniel Vorcaro. Ele falava ali, inclusive, que ele tinha que me atacar, porque eu fazia ali uma reportagem”, declarou.

Segundo Celina, a reportagem mencionada nas mensagens havia sido publicada meses antes de surgirem os indícios de irregularidades relacionados ao Banco Master. Ela também explicou por que havia se colocado contra a operação.

“Isso foi seis meses antes de qualquer rastro de ilicitude. E por que eu era contrária à compra do Master? Porque eu achava que o BRB precisava de cumprir um propósito no Distrito Federal”, afirmou.

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Governadora diz que críticas ao negócio foram públicas

Celina também afirmou que as novas mensagens não mudariam sua versão sobre o episódio. Na entrevista, ela disse que já havia criticado a operação em outras oportunidades e voltou a mencionar que Vorcaro não tinha seu telefone.

“Eu acho que o diálogo que veio ser mostrado ontem reforça ainda mais a minha postura. Eu fui criticada por Daniel Vorcaro no diálogo dele com o seu influenciador, o seu articulador”, declarou.

Ela continuou explicando que, na avaliação apresentada durante a sabatina, a ausência de contato direto entre os dois seria um elemento relevante para a interpretação das mensagens.

“O Vorcaro não tem meu telefone, eu acho que isso ficou mais claro a partir dessa matéria onde o próprio Vorcaro fala que eu desacreditava o Master, e eu fiz isso por várias vezes, não foi só essa matéria”, afirmou.

Ao final da resposta sobre as mensagens, Celina reiterou sua posição em relação ao negócio.

“Fui contrária a qualquer tipo de negociação e eu tenho certeza que isso fica claro cada dia mais para o eleitor”, disse.

A reportagem da Folha que motivou o questionamento registra, por outro lado, que Vorcaro contestou a versão de Celina de que havia ficado fora da negociação. Segundo o conteúdo divulgado pelo jornal, ele teria afirmado, em mensagens com o publicitário Thiago Miranda, que a então vice-governadora participou das tratativas e estaria se preservando politicamente ao declarar o contrário.

Celina fala sobre o balanço e o futuro do BRB

Ainda no bloco dedicado ao Banco Master, Celina foi questionada sobre a divulgação do balanço do BRB e sobre a cobrança para que a instituição apresente os dados financeiros durante o período eleitoral.

A governadora respondeu que o calendário de divulgação das informações do banco não estaria relacionado à disputa eleitoral.

“O balanço do BRB não segue calendário eleitoral, ele segue um calendário técnico, não eleitoral”, afirmou.

Celina também falou sobre o pedido de aval para uma operação de crédito envolvendo o banco. Segundo ela, o pedido apresentado ao governo federal não representaria uma participação financeira direta do Distrito Federal, mas uma garantia para permitir que o consórcio de instituições financeiras concedesse o aval necessário.

“O que se pede naquela ação que eu consegui com o ministro Fux, de subir a ação, não era uma participação financeira do governo do Distrito Federal, era um aval para que o consórcio dos bancos me dessem esse aval”, declarou.

O governo do Distrito Federal entrou no Supremo Tribunal Federal com um pedido para que a União fosse fiadora de um empréstimo de até R$ 6,6 bilhões destinado ao BRB. A solicitação está relacionada às dificuldades financeiras da instituição após operações envolvendo ativos do Banco Master.

No decorrer da sabatina, Celina criticou a condução do governo federal no processo e afirmou que a ausência do aval dificultou a solução que vinha sendo buscada para o BRB.

“Hoje, eu tenho certeza absoluta que há uma inércia total do governo federal, e que o objetivo deles é realmente que o banco venha a ter um outro desfecho, que não seja o desfecho que a gente estava trabalhando para isso”, disse.

Questionada sobre a possibilidade de o BRB ser privatizado ou quebrar, a governadora afirmou que o Executivo local trabalha por meio de medidas judiciais e ações para recuperar recursos que, segundo ela, deveriam retornar ao banco.

“A garantia é a seriedade do que nós estamos trabalhando. Com todas as perspectivas, com todas as ações judiciais”, afirmou.

Ela citou como exemplo recursos relacionados ao governo da Bahia e outros fluxos financeiros que, conforme sua declaração, estariam sendo movimentados em outras instituições.

“Nós temos vários outros fluxos financeiros que são do BRB, que estão correndo em outro banco, que nós não conseguimos recuperar para o BRB, e eu tenho judicializado isso”, declarou.

Celina disse ainda que pretende continuar recorrendo à Justiça em defesa dos interesses do banco e mencionou uma reclamação relacionada ao Tribunal de Justiça da Bahia.

“Nós estamos com várias ações, conseguimos várias decisões e até descumprimento de decisão hoje acontece do TJ da Bahia, que não cumpre a decisão do ministro Fux, nós entramos com uma reclamação para que eles voltem esse fluxo financeiro para o BRB”, afirmou.

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