Beleza de luxo cresce 6% no Brasil e vendas online avançam
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O mercado de beleza de prestígio ganhou força no Brasil no primeiro semestre de 2026, mesmo diante de um cenário de consumo mais seletivo. Segundo levantamento da consultoria Circana, o segmento avançou 6% nos primeiros seis meses do ano, enquanto as vendas pelo comércio eletrônico dispararam 20%. O desempenho brasileiro ficou acima do crescimento de 5% registrado na Europa e próximo da média de 7% da América Latina.
Mais do que o crescimento do faturamento, os dados apontam para uma mudança no comportamento do consumidor. As lojas físicas, que ainda concentram 68% das vendas do segmento, avançaram apenas 1%. Já o ambiente digital ganhou espaço como principal vetor de expansão, impulsionado pela facilidade de comparação de preços, avaliações, demonstrações de produtos e influência das redes sociais.
A movimentação ocorre dentro de um mercado brasileiro de grande escala. O setor de beleza e cuidados pessoais faturou cerca de R$ 200 bilhões em 2025, segundo dados setoriais, e colocou o país na terceira posição entre os maiores mercados consumidores do mundo. A categoria também está presente em praticamente todos os lares brasileiros e gera cerca de 7 milhões de oportunidades de trabalho ao longo da cadeia produtiva.
Cabelos assumem protagonismo no mercado de luxo
Entre as categorias analisadas no primeiro semestre, os cuidados capilares tiveram o maior crescimento, de 36%. O avanço mostra que o consumidor está disposto a direcionar mais dinheiro para produtos considerados de maior valor agregado, desde itens tradicionais, como condicionadores, até máscaras, óleos e tratamentos.
A expansão também alcança equipamentos utilizados em casa. Modeladores de ar, escovas secadoras e pranchas estão entre os produtos associados à tendência de transformar o cuidado capilar em uma experiência doméstica mais próxima daquela oferecida por salões. Alguns equipamentos de alta tecnologia chegam a valores próximos de R$ 1.800, elevando o tíquete médio da categoria.

O movimento abre espaço para negócios que trabalham com produtos premium, tecnologia, tratamentos personalizados e conteúdo educativo. Para o varejo, a oportunidade está também em combinar venda de produtos com orientação sobre uso, demonstrações e relacionamento digital.
Perfumes de nicho e fragrâncias árabes avançam
A perfumaria continua sendo a principal categoria da beleza de prestígio, respondendo por quase metade das vendas, mas o crescimento geral foi mais moderado, de 4%. Dentro dela, porém, alguns segmentos apresentaram expansão muito acima da média.
As fragrâncias de nicho cresceram 35% e já representam cerca de 9% do faturamento da categoria. O tíquete médio desses produtos está próximo de R$ 1.500, o que demonstra a disposição de parte dos consumidores de pagar mais por exclusividade, concentração e diferenciação.
Outro destaque foram as fragrâncias árabes, que avançaram 64% no período. O segmento ganhou novas marcas e apresentou crescimento ainda mais intenso nas regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste, onde a alta chegou a 86%.

As redes sociais têm papel importante nessa transformação. Conteúdos sobre perfumes, resenhas, comparações e recomendações de criadores ajudam a apresentar produtos e tendências para consumidores que antes tinham menos contato com essas categorias.
Skincare e maquiagem mudam perfil de consumo
Os cuidados com a pele cresceram 3% no primeiro semestre, mas o resultado esconde diferenças importantes entre os tipos de produtos e marcas. O consumidor passou a valorizar mais a relação entre eficácia, preço e indicação nas redes sociais.
No comércio eletrônico, o skincare já representa 39% das vendas da categoria, evidenciando a importância do digital para produtos que dependem de informação e demonstração.
Na maquiagem, o crescimento foi mais moderado, de 2%. As bases com acabamento hidratante e baixa cobertura ganharam espaço, enquanto os blushes avançaram 23%. O formato em bastão teve alta de 205%, acompanhado pela chegada de novas tonalidades.
Marcas criadas ou fortalecidas no ambiente digital também ganharam participação. No segmento de maquiagem, produtos associados a celebridades e influenciadores já respondem por 25% das vendas, segundo a pesquisa.
E-commerce transforma estratégia do setor
A expansão digital não é exclusiva do segmento de luxo. Dados da Kantar mostram que a categoria de higiene e beleza aumentou sua penetração no comércio eletrônico brasileiro de 5% para 17,5% em cinco anos. Em 2024, o segmento respondeu por 38% do valor movimentado pelo e-commerce de bens de consumo massivo.
O comércio eletrônico também apresenta tíquete médio superior ao dos canais físicos. Segundo o levantamento, o valor médio das compras online é 2,3 vezes maior, enquanto a frequência de compra aumentou 33% em 2025.
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