Gameleiras da Praça da Cirrose em Goiânia são avaliadas após queda de galho
Amma, Defesa Civil e SET avaliaram o local na segunda (21); bióloga da Amma afirma que poda não resolve
A Prefeitura de Goiânia sinalizou a Praça Mestre Maria Henriqueta Péclat, conhecida como Praça da Cirrose, no Setor Oeste, depois que um galho de grande porte de uma gameleira caiu no sábado (19). Na segunda-feira (21), equipes da Agência Municipal do Meio Ambiente (Amma), da Defesa Civil e da Secretaria Municipal de Engenharia de Trânsito (SET) avaliaram as árvores.
Segundo a Prefeitura, a sinalização alerta para o risco de queda de galhos e orienta as pessoas a manter distância das árvores. A área poderá ser interditada caso os órgãos municipais identifiquem risco à população. A Defesa Civil acompanhará o caso quando as chuvas ficarem mais intensas.
O que diz a Amma
A bióloga da Amma Wanessa de Castro afirmou que um parecer assinado por sete analistas da Gerência de Arborização aponta a necessidade de remover duas das quatro gameleiras e podar as outras duas.
Segundo ela, as árvores estão no fim do ciclo, sofreram com incêndios e têm as raízes limitadas pelas calçadas e pelo asfalto. Para a bióloga, a poda não resolve o problema, porque a falha é estrutural.
Em nota, a Amma informou que duas das quatro gameleiras estão em estado crítico e precisam ser substituídas. Para as outras duas, recomendou poda de rebaixamento da copa e retirada dos galhos sobre o imóvel.
Como compensação ambiental, o proprietário que pediu a vistoria deverá plantar e manter duas árvores no local.
Recomendação do MP-GO
Na terça-feira (1º), o Ministério Público de Goiás (MP-GO) recomendou que a Prefeitura interrompa a retirada das quatro gameleiras. A recomendação foi assinada pela promotora Alice de Almeida Freire.
O órgão também abriu um procedimento para apurar as divergências entre os três laudos da Amma sobre as árvores. Para o MP-GO, a contradição entre os documentos já justifica a suspensão do corte.
Um dos laudos, de abril, reconheceu a estabilidade das árvores. O parecer atual, assinado por sete analistas, recomenda a remoção de duas delas.
A vereadora Kátia (PT), presidente da Comissão de Meio Ambiente da Câmara Municipal, sustenta que a Prefeitura contradiz os próprios documentos e pediu ao MP-GO uma perícia técnica independente antes de qualquer corte.
Mobilização em defesa das árvores
O Grupo Goiânia Verde soube da possibilidade de corte depois que o vereador Tião Peixoto (PSDB) publicou um vídeo no Instagram, em 8 de agosto, defendendo a derrubada das árvores por questão de segurança.
No dia 27, o grupo acionou o MP-GO. No dia 30, organizou uma manifestação em defesa das árvores. As gameleiras fazem parte da paisagem do local há 68 anos.
Em maio, uma mobilização popular e uma denúncia do vereador Fabrício Rosa (PT) suspenderam a derrubada de 48 árvores no Parque Lago das Rosas. Nos dois casos, a decisão técnica da Amma pela remoção gerou protestos e denúncia ao MP-GO, e o corte foi suspenso.
Goiânia recebeu da Organização das Nações Unidas (ONU), em 2023, o título de Cidade Arborizada do Mundo.
As gameleiras servem de sombra para os bares e prédios da praça. Segundo o Centro de Informações Meteorológicas e Hidrológicas de Goiás (Cimehgo), Goiânia enfrenta ondas de calor e estiagem prolongada neste mês de setembro, com temperaturas de até 38°C e umidade relativa em torno de 12% nas próximas semanas.
O órgão associa o cenário ao El Niño, que bloqueia frentes frias no Centro-Oeste.
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