Quem for ao 2° turno com Daniel será o próximo governador de Goiás
Além dos efeitos da vitória de Lula ou Flávio, a chapa oficial em Goiás aumenta pressão sobre servidores e fornecedores para tentar decidir eleição no 1° turno, pois o eleitor oposicionista é maioria e pode se unir para mudar a situação
Os ocupantes de cargos comissionados e funções gratificadas em prefeituras e no Governo de Goiás, nos Tribunais de Contas, nas Câmaras Municipais e na Assembleia Legislativa estão bastante pressionados. Os chefes os obrigam a sair do trabalho diretamente para as ruas, transformados em cabos eleitorais. Seus veículos parecem carros locados para comitês, tal é a quantidade de adesivos, inclusive o sitru, o perfurado de colar no vidro traseiro. Precisam passar dia e noite postando, reportando, curtindo, compartilhando. Os colegas se vigiam para conferir se a foto do perfil é a do governador Daniel Vilela (MDB). Essas e outras estratégias têm um fundamento, a tentativa de resolver a eleição no 1° turno, pois se for levada para o 2° já terá sido uma derrota para a chapa oficial.
Havia a expectativa de o candidato lançado pelo presidenciável Ronaldo Caiado teria ao menos o que ele ostentava, mais de 80%. Só que Daniel, apesar de tudo o que foi feito em seu favor, não desempaca. Mesmo os institutos mais afeitos a bajular o poder não têm desfaçatez suficiente para dar a Daniel mais que a metade do aguardado. Com isso, o pessoal vai perdendo o medo, menos os servidores de livre nomeação, coitados. A conta que os analistas do governo fazem, informada a O HOJE por integrantes de alto escalão da campanha de Daniel, é categórica: o candidato do PL, Wilder Morais, será imbatível num 2° turno em que seu aliado Flávio Bolsonaro estiver contra Lula.
Há cenários para todos os gostos e bolsos
Há cenários para todos os gostos e bolsos, porém, nenhum deles leva boa notícia para o governador-tampão. Se com Lula e Flávio no 2° turno a vitória de Wilder seria incontornável, pior ainda para Daniel se o filho de Jair Bolsonaro passar como 1° colocado ou decidir tudo logo no dia 4 de outubro. O sol se abriria para o postulante do MDB em três hipóteses: aderir imediatamente a Lula, abandonando a candidatura de Caiado; ganhando logo em 1° turno; se passar para o 2° contra Luis Cesar Bueno, o governadoriável do PT. Não é necessário ser um gênio da análise política para afastar essas possibilidades sem esforços. Caso Daniel retire o seu já pouco apoio a Caiado, vai virar munha. Se anunciar que está com Lula, até o primeiro-ministro Gean Carvalho o retira da lista de herdeiros. Apenas os bajuladores mais sem noção admitem que vão ganhar sem 2° turno. Por mais que Lula tenha obtido 42% contra Jair Bolsonaro em 2022, seu companheiro Luis Cesar está longe desse patamar. Melhor a moçada procurar algo mais palpável.
Aí, infelizmente para eles, voltam ao noticiário os pobres comissionados. A prensa sobre eles começou de forma inútil, com críticas a Wilder e Marconi. Dizia-se que ambos eram péssimos para os servidores públicos. Esqueceram-se de que Marconi teve quatro mandatos de governador, aumentou salários de cada categoria pelo menos umas 15 vezes. Wilder foi secretário duas vezes, é senador há 10 anos, e sempre esteve ao lado do funcionalismo. Essa tática também falhou. O que ouviram dos mais velhos, alguns deles pais e avós de atuais servidores, é que o maior algoz de todos os tempos foi o PMDB, que perdeu o P, mas não perdeu o jeito de passar a tesoura no emprego alheio.
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Outra atitude que o Estado espera é a união entre Daniel e Luis
Outra atitude que o Estado espera é a união, em eventual 2° turno, entre Daniel e Luis, apoiando Lula, e Marconi com Wilder no palanque de Flávio. Como ficaria Caiado, o melhor candidato da direita? Caso não esteja no 2° turno como candidato, estará como influente e decisivo líder. Homem de brio, um dos mais eloquentes inimigos da esquerda, preferiria ir a alguma de suas fazendas, ficar até o Natal, e só voltar após a vitória de Flávio, de quem certamente será ministro, ainda mais com a vitória de Gracinha Caiado para senadora. Se der Daniel x Wilder em Goiás e Lula x Flávio nacionalmente, o PL faria cabelo e bigode, derrotando o barba. É o que o governo estadual dá o sangue (dos outros) para evitar. (Especial para O HOJE)
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