Lula diz na ONU que Brasil “não cabe no quintal de ninguém” e defende soberania
Presidente abriu os discursos da Assembleia Geral da ONU nesta terça-feira (22) e também criticou a atuação do Conselho de Segurança
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou na manhã desta terça-feira (22), durante o discurso de abertura da 81ª Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), em Nova York, que o Brasil “não cabe no quintal de ninguém”. A declaração ocorreu durante uma defesa da soberania nacional e do princípio de não interferência em assuntos internos dos países.
A fala foi feita em meio às tensões diplomáticas entre Brasil e Estados Unidos. Nos últimos meses, os dois governos entraram em divergências sobre tarifas comerciais, decisões relacionadas ao processo eleitoral brasileiro e outros temas da relação bilateral. O discurso de Lula, porém, tratou a questão dentro de uma defesa mais ampla do multilateralismo.
“Somos chamados a optar entre o multilateralismo e o unilateralismo. Democracia ou extremismo? Soberania ou subordinação?”, afirmou o presidente.
O trecho sobre o Brasil foi apresentado depois que Lula defendeu relações internacionais baseadas em cooperação e desenvolvimento. “O Brasil não cabe no quintal de ninguém”, declarou. A frase também foi registrada como um dos principais momentos do pronunciamento por veículos que acompanharam a fala em Nova York.
Lula cita ingerência externa em processos eleitorais
Durante o discurso, o presidente também mencionou a interferência estrangeira em eleições e afirmou que diferenças ideológicas não deveriam impedir a integração entre países vizinhos.
“Diferenças ideológicas não devem ser obstáculos para a maior integração entre vizinhos. A democracia está novamente em xeque. Voltamos a presenciar a ingerência externa em processos eleitorais”, disse Lula.
A declaração ocorre durante a reta final da eleição presidencial brasileira, marcada para 4 de outubro. O cenário também envolve a relação entre Lula e o governo de Donald Trump, que passou por novos atritos em 2026.
Antes de viajar para Nova York, Lula já havia defendido que os Estados Unidos podem conduzir sua própria política, mas não interferir nas decisões de outros países. Na véspera da abertura da Assembleia Geral, o presidente também havia criticado a atuação de Trump em relação ao Brasil.
A referência à soberania também apareceu em outro momento do pronunciamento. Lula relacionou a defesa da autonomia dos países à escolha entre diferentes modelos de organização das relações internacionais.
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Presidente critica atuação do Conselho de Segurança
Lula iniciou seu discurso mencionando o cenário internacional e fez críticas à atuação das grandes potências e do Conselho de Segurança da ONU. Para o presidente, a organização atravessa um dos momentos mais críticos desde que começou a participar da Assembleia Geral.
“Desde que ocupei pela primeira vez esta tribuna, em 2003, este é o momento mais crítico das Nações Unidas”, afirmou.
Na sequência, Lula criticou a capacidade do organismo de atuar diante de conflitos internacionais.
“Somos todos reféns do imobilismo de um Conselho de Segurança que não cumpre o seu papel.”
O presidente defendeu mudanças na estrutura da ONU e voltou a cobrar uma ampliação da participação de países em desenvolvimento nas decisões internacionais. A defesa de uma reforma do Conselho de Segurança também esteve presente em discursos anteriores de Lula na Assembleia Geral.
O pronunciamento desta terça-feira ocorreu no tradicional primeiro discurso do debate geral da Assembleia Geral. O Brasil mantém essa posição na abertura dos trabalhos desde 1955.
Além da soberania e da política internacional, Lula abordou temas como conflitos armados, combate ao crime organizado, inteligência artificial, comércio internacional, meio ambiente e segurança alimentar.
Na área ambiental, o presidente afirmou que o Brasil pode conciliar desenvolvimento econômico, redução das emissões e preservação. Também defendeu a exploração de recursos naturais estratégicos, como terras raras, dentro da agenda de transição energética.
A defesa dos recursos naturais brasileiros também aparece em medidas recentes do governo. Em 16 de setembro, Lula sancionou a Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos, criada para ampliar atividades de pesquisa, exploração, beneficiamento e transformação desses recursos no país.
No discurso na ONU, Lula ainda defendeu negociações de paz, criticou tarifas comerciais e mencionou o Pix como parte das discussões sobre sistemas de pagamento e soberania tecnológica.
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