quinta-feira, 24 de setembro de 2026
MERCADO IMOBILIÁRIO

Goiânia vende mais imóveis, mas Minha Casa, Minha Vida enfrenta queda nas contratações

Capital lidera vendas entre as maiores cidades do país, mas contratações do programa habitacional caem 16,1% e ficam atrás de cidades do interior de Goiás

Gabriel Diaspor em
Goiânia vende mais imóveis, mas MCMV enfrenta queda nas contratações
Goiânia é a 3ª pior entre as 27 capitais brasileiras no MCMV, atrás apenas de Porto Velho e Cuiabá. (Foto: Enio Medeiros/Prefeitura de Aparecida)

Goiânia comercializou 7.219 imóveis residenciais no primeiro semestre de 2026. O número representa alta de 42% sobre o mesmo período de 2025, oito vezes acima da média nacional, que cresceu 5,4%, segundo dados da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC). Os dados são da Brain Inteligência Estratégica, divulgados pela Associação das Empresas do Mercado Imobiliário de Goiás (Ademi-GO) nesta terça-feira (22).

O resultado coloca Goiânia como a 4ª capital que mais vendeu imóveis no país em 2026. Nos dois anos anteriores, a cidade ocupava a 3ª posição do ranking nacional, atrás apenas de São Paulo e Rio de Janeiro. No mesmo período, o programa Minha Casa, Minha Vida (MCMV) registrou resultado negativo na capital. As contratações de financiamento pela Caixa Econômica Federal caíram 16,1% entre janeiro e agosto, a maior queda da série histórica em Goiânia e a 3ª pior entre as 27 capitais brasileiras, atrás apenas de Porto Velho e Cuiabá.

O diretor de Pesquisas e Estatísticas da Ademi-GO, Credson Batista, atribui o desempenho geral do mercado à alta da demanda mesmo com juros altos. “A capital goiana avançou em um ritmo quase oito vezes superior à média do país. Esse número é ainda mais impactante tendo em vista que esse crescimento aconteceu mesmo em um cenário de juros elevados, que restringe a capacidade de financiamento das famílias e pressiona especialmente o orçamento da classe média”, afirma.

O preço médio do metro quadrado residencial em Goiânia chegou a R$11.681 no acumulado até junho de 2026, alta de 7,4% sobre o fechamento de 2025. Em 2021, o indicador era de R$5.687. Os bairros Marista, Oeste, Jardim Goiás e Bueno concentram a maior demanda da cidade e registraram preço médio de R$13.147 por metro quadrado. O Marista lidera, com média próxima de R$14 mil. Bueno e Marista juntos respondem por 31,8% de toda a oferta de imóveis da capital. Com mais unidades vendidas do que lançadas no período, o estoque geral da cidade caiu 6% em relação ao fechamento de 2025.

Estoque do MCMV cai um terço em seis meses

As vendas de imóveis do Minha Casa, Minha Vida cresceram 83,4% no primeiro semestre de 2026 em comparação ao mesmo período do ano anterior, somando 2.944 unidades. Os lançamentos também subiram 77,1%, com 2.395 novas unidades ofertadas. Mesmo assim, o estoque do programa encolheu 33,2% no período. As unidades do MCMV representam hoje apenas 17% do total de imóveis disponíveis no mercado da capital.

Em Goiás, Águas Lindas de Goiás contratou 5.658 unidades do MCMV entre janeiro e agosto de 2026, superando Goiânia em volume absoluto pela primeira vez na série histórica. Proporcionalmente à população, a diferença é maior. Águas Lindas registra 25,1 contratações por mil habitantes, Luziânia 12,9 e Valparaíso de Goiás 12,7. Goiânia aparece com 2,8, abaixo dos 3,5 registrados em 2024.

O diretor de Habitação de Interesse Social da Ademi-GO, Marcos Túlio Campos, associa o resultado à capacidade de aprovação de projetos na capital, não à demanda. “Ser ultrapassada por Águas Lindas e Valparaíso não é uma questão de mercado, afinal nenhuma dessas cidades tem a demanda que a capital tem. Temos teto disponível para quase 2.800 unidades que simplesmente não estão sendo contratadas”, afirma.

No ciclo atual do MCMV-FAR, faixa voltada à população de menor renda, Goiânia teve apenas 224 unidades autorizadas entre maio de 2025 e agosto de 2026. O número fica atrás de Trindade (624), Aparecida de Goiânia (512), Rio Verde (432) e Jataí (400). O teto da capital no ciclo é de 3.000 unidades. Ainda restam 2.776 vagas sem uso.

Segundo a Ademi-GO, o entrave está na tramitação de processos na prefeitura de Goiânia. A entidade afirma que seis projetos de habitação de interesse social aguardam a emissão de uma taxa, etapa administrativa que antecede toda a análise do empreendimento, sem resposta até o momento.

O Jornal O HOJE entrou em contato com a Secretaria Municipal de Habitação e Regularização Fundiária de Goiânia (Sehab), mas não obteve resposta até o fechamento desta edição.

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