Goiânia vende mais imóveis, mas Minha Casa, Minha Vida enfrenta queda nas contratações
Capital lidera vendas entre as maiores cidades do país, mas contratações do programa habitacional caem 16,1% e ficam atrás de cidades do interior de Goiás
Goiânia comercializou 7.219 imóveis residenciais no primeiro semestre de 2026. O número representa alta de 42% sobre o mesmo período de 2025, oito vezes acima da média nacional, que cresceu 5,4%, segundo dados da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC). Os dados são da Brain Inteligência Estratégica, divulgados pela Associação das Empresas do Mercado Imobiliário de Goiás (Ademi-GO) nesta terça-feira (22).
O resultado coloca Goiânia como a 4ª capital que mais vendeu imóveis no país em 2026. Nos dois anos anteriores, a cidade ocupava a 3ª posição do ranking nacional, atrás apenas de São Paulo e Rio de Janeiro. No mesmo período, o programa Minha Casa, Minha Vida (MCMV) registrou resultado negativo na capital. As contratações de financiamento pela Caixa Econômica Federal caíram 16,1% entre janeiro e agosto, a maior queda da série histórica em Goiânia e a 3ª pior entre as 27 capitais brasileiras, atrás apenas de Porto Velho e Cuiabá.
O diretor de Pesquisas e Estatísticas da Ademi-GO, Credson Batista, atribui o desempenho geral do mercado à alta da demanda mesmo com juros altos. “A capital goiana avançou em um ritmo quase oito vezes superior à média do país. Esse número é ainda mais impactante tendo em vista que esse crescimento aconteceu mesmo em um cenário de juros elevados, que restringe a capacidade de financiamento das famílias e pressiona especialmente o orçamento da classe média”, afirma.
O preço médio do metro quadrado residencial em Goiânia chegou a R$11.681 no acumulado até junho de 2026, alta de 7,4% sobre o fechamento de 2025. Em 2021, o indicador era de R$5.687. Os bairros Marista, Oeste, Jardim Goiás e Bueno concentram a maior demanda da cidade e registraram preço médio de R$13.147 por metro quadrado. O Marista lidera, com média próxima de R$14 mil. Bueno e Marista juntos respondem por 31,8% de toda a oferta de imóveis da capital. Com mais unidades vendidas do que lançadas no período, o estoque geral da cidade caiu 6% em relação ao fechamento de 2025.
Estoque do MCMV cai um terço em seis meses
As vendas de imóveis do Minha Casa, Minha Vida cresceram 83,4% no primeiro semestre de 2026 em comparação ao mesmo período do ano anterior, somando 2.944 unidades. Os lançamentos também subiram 77,1%, com 2.395 novas unidades ofertadas. Mesmo assim, o estoque do programa encolheu 33,2% no período. As unidades do MCMV representam hoje apenas 17% do total de imóveis disponíveis no mercado da capital.
Em Goiás, Águas Lindas de Goiás contratou 5.658 unidades do MCMV entre janeiro e agosto de 2026, superando Goiânia em volume absoluto pela primeira vez na série histórica. Proporcionalmente à população, a diferença é maior. Águas Lindas registra 25,1 contratações por mil habitantes, Luziânia 12,9 e Valparaíso de Goiás 12,7. Goiânia aparece com 2,8, abaixo dos 3,5 registrados em 2024.
O diretor de Habitação de Interesse Social da Ademi-GO, Marcos Túlio Campos, associa o resultado à capacidade de aprovação de projetos na capital, não à demanda. “Ser ultrapassada por Águas Lindas e Valparaíso não é uma questão de mercado, afinal nenhuma dessas cidades tem a demanda que a capital tem. Temos teto disponível para quase 2.800 unidades que simplesmente não estão sendo contratadas”, afirma.
No ciclo atual do MCMV-FAR, faixa voltada à população de menor renda, Goiânia teve apenas 224 unidades autorizadas entre maio de 2025 e agosto de 2026. O número fica atrás de Trindade (624), Aparecida de Goiânia (512), Rio Verde (432) e Jataí (400). O teto da capital no ciclo é de 3.000 unidades. Ainda restam 2.776 vagas sem uso.
Segundo a Ademi-GO, o entrave está na tramitação de processos na prefeitura de Goiânia. A entidade afirma que seis projetos de habitação de interesse social aguardam a emissão de uma taxa, etapa administrativa que antecede toda a análise do empreendimento, sem resposta até o momento.
O Jornal O HOJE entrou em contato com a Secretaria Municipal de Habitação e Regularização Fundiária de Goiânia (Sehab), mas não obteve resposta até o fechamento desta edição.
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