Início da primavera mantém Goiás em alerta para incêndios
Goiás começou nesta terça-feira (22) com calor de até 40°C, baixa umidade e previsão de chuvas irregulares no Estado
A chegada da primavera, iniciada oficialmente nesta terça-feira (22), às 21h05, mantém Goiás em alerta para incêndios florestais. A transição entre as estações ocorre com temperaturas elevadas, períodos de baixa umidade, possibilidade de tempestades e rajadas de vento, condições que podem favorecer a propagação de focos de fogo em áreas de vegetação ressecada.
Segundo o Centro de Informações Meteorológicas e Hidrológicas em Goiás (Cimehgo), o período deve ser marcado pela alternância entre dias de calor intenso e pancadas de chuvas isoladas, com possibilidade de tempestades intensas. A chegada de frentes frias pode aumentar a umidade em alguns instantes, mas também provocar ventos fortes e descargas elétricas, que podem ocasionar a propagação ou surgimento de focos de incêndio.
Segundo André Amorim, gerente do Cimehgo, as chuvas registradas nesta semana ainda não representam necessariamente o início do período chuvoso em Goiás. A previsão é de ocorrência de precipitações de forma irregular no fim de setembro e no início de outubro, enquanto uma chuva com maior persistência é esperada a partir de novembro. Nesse intervalo, a vegetação pode permanecer seca mesmo após episódios isolados de chuva.
Amorim também aponta que a redução dos focos de queimadas observada nas últimas semanas está relacionada, segundo o Cimehgo, a um trabalho conjunto de diferentes secretarias. O gerente ressalta que calor e baixa umidade não provocam, por si só, a ignição da vegetação, mas podem favorecer a propagação do fogo quando ocorre uma queimada. Sem uma sequência de dias chuvosos, a vegetação pode voltar a secar, mantendo a possibilidade de novos focos.
As temperaturas podem chegar a 40 °C no Vale do Araguaia e a 37 °C em Goiânia. Dados oficiais indicam ainda até 16 dias consecutivos sem chuvas nas regiões Norte e Oeste e cerca de 13 a 14 dias nas regiões Central, Sul e Sudoeste até o início da primavera.
Incêndios atingem diferentes regiões do Estado
O cenário ocorre enquanto equipes atuam em incêndios de grandes proporções em diferentes regiões do Estado. Na Serra de Calcilândia, no distrito de Calcilândia, em Cidade de Goiás, um incêndio florestal atingiu uma linha de fogo de 15 quilômetros e destruiu cerca de 1.400 hectares, equivalentes a 300 alqueires, de vegetação nativa. O combate reúne bombeiros do 12º Batalhão, da 17ª CIPA de Itaberaí e reforços do Comando de Proteção e Combate a Incêndios Florestais (CPCIF), em áreas de nascentes próximas à Serra Dourada.
Na Chapada dos Veadeiros, equipes do Corpo de Bombeiros, do ICMBio e do Ibama combatem simultaneamente três focos. Na Área de Proteção Ambiental (APA) do Pouso Alto, em Nova Roma, o fogo já atingiu cerca de 2.500 hectares. Dentro do Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros, brigadistas atuam em dois focos: um no Janelão/Vale do Rio Preto, provocado por um raio, e outro na serra, com suspeita de ação humana. Para conter o avanço das chamas, os agentes utilizam a técnica de queima de expansão.
Mais de 140 mil hectares foram queimados em 2026
Em 2026, episódios semelhantes atingiram mais de 13 mil hectares no Parque Estadual Terra Ronca e 12 mil hectares na Reserva Recanto das Araras.
Dados do Corpo de Bombeiros Militar de Goiás apontam que, desde o início de 2026, as corporações atenderam cerca de 7 mil ocorrências de incêndio em vegetação, sendo mais de 3 mil chamados apenas em agosto. Ao todo, mais de 140 mil hectares de vegetação foram queimados no Estado neste ano. Dos 4,2 mil atendimentos realizados até julho, 90,4% foram registrados em áreas urbanas, incluindo queimadas em lotes baldios e queima de lixo.
Em Goiânia, investigações policiais com apoio de inteligência artificial resultaram na prisão de um homem suspeito de provocar incêndios em série. O Governo de Goiás também mantém em vigor o Decreto Estadual nº 10.962, que proíbe o uso de fogo em vegetação em todo o território estadual durante 2026. A medida prevê penas de dois a quatro anos de reclusão e multa.
Previsão de El Niño também entra no cenário
A possibilidade de um El Niño de intensidade “muito forte” também integra o cenário de atenção para o período. Segundo a NOAA, há 63% de probabilidade de ocorrência do fenômeno entre o final de 2026 e o início de 2027. O fenômeno tende a intensificar estiagens no bioma Cerrado, que abriga nascentes de 8 das 12 bacias hidrográficas do País.
A Equatorial Goiás também reforçou ações preventivas após queimadas sob linhas de transmissão afetarem 59.769 consumidores no Estado.
Apesar do número de ocorrências, Goiás registrou redução de 53,67% na área total queimada entre janeiro e setembro de 2026, na comparação com o mesmo período de 2025, segundo dados da Alarmes/Lasa/UFRJ. Entre as medidas adotadas está o Sistema Integrado de Monitoramento e Alertas de Goiás (Sima-GO), plataforma que utiliza inteligência artificial para cruzar dados meteorológicos e topográficos em tempo real.
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