Mineração, agro e logística colocam Norte de Goiás no radar de novos investimentos até 2036
Estudo da Agenda Pública mapeia quatro cenários para a região e aponta setores que podem ganhar força na próxima década, como agroindústria, energia, logística, turismo e serviços
O Norte de Goiás reúne condições que podem favorecer a atração de novos investimentos na próxima década. A combinação entre atividade mineral, produção agropecuária, infraestrutura logística e presença de instituições de ensino levou a Agenda Pública, com apoio da Lundin Mining, a elaborar um estudo com quatro possíveis cenários para o desenvolvimento econômico da região entre 2026 e 2036.
O levantamento integra o Celeiro Cerrado, iniciativa que busca aproximar municípios, empresas, universidades e poder público para estruturar projetos e identificar oportunidades de investimento. A estratégia envolve inicialmente Alto Horizonte e Nova Iguaçu de Goiás, com previsão de ampliação da rede para Campinorte e Mara Rosa.
Segundo o diretor-executivo da Agenda Pública, Sergio Andrade, a proposta é fazer com que os diferentes potenciais existentes no território sejam trabalhados de maneira articulada. “O Norte de Goiás reúne ativos muito relevantes e complementares. A proposta do Celeiro Cerrado é criar as condições para que municípios, empresas, instituições de ensino e demais agentes territoriais consigam enxergar essas oportunidades de forma integrada e transformá-las em projetos concretos, investimentos e novas possibilidades para quem vive no território”, afirma.
Logística e produção ampliam potencial
Entre os fatores considerados pelo estudo está a localização estratégica da região. A BR-153 e a Ferrovia Norte-Sul conectam o Norte goiano a importantes corredores de transporte e aos portos de Itaqui, no Maranhão, e Santos, em São Paulo. A estrutura logística se soma à presença de atividades de mineração e agropecuária, criando possibilidades para segmentos como agroindústria, energia, serviços técnicos, logística, turismo e economia circular.
Alto Horizonte concentra uma das principais operações de cobre e ouro do país e registrou PIB per capita de R$ 102 mil em 2023. Já os municípios incluídos no planejamento apresentam diferentes vocações econômicas. Campinorte e Uruaçu têm destaque em logística e serviços, Nova Iguaçu de Goiás possui forte presença agropecuária, enquanto Mara Rosa reúne atividades agrícolas e minerais.
No recorte mais amplo analisado pelo estudo, formado por 89 municípios, o Norte de Goiás concentra 18,8% do Valor Adicionado Bruto (VAB) agropecuário do Estado e 45,9% das pastagens goianas. A região possui ainda cerca de 60,7 mil estabelecimentos rurais, 152 armazéns e capacidade de armazenamento de aproximadamente 850 mil toneladas.
O levantamento aponta também 4,6 milhões de hectares com potencial para o desenvolvimento de uma agropecuária sustentável sem necessidade de abertura de novas áreas de Cerrado. Entre as possibilidades identificadas estão o fortalecimento da cadeia leiteira, produção de frutas, rastreabilidade e agregação de valor aos produtos do campo.
Quatro cenários para os próximos dez anos
Para avaliar os caminhos que podem ser seguidos pela região, a Agenda Pública elaborou o estudo Cenários Prospectivos 2026–2036. O trabalho considera duas variáveis principais: a capacidade de articulação entre os diferentes atores do território e o comportamento do mercado e dos investimentos.
A partir dessa combinação, foram construídos quatro cenários: O Estradão, A Vereda, Foi Só um Verão e Estiagem Prolongada. De acordo com a organização, os cenários não representam previsões, mas ferramentas para que gestores públicos, empresas e instituições possam avaliar possíveis mudanças no ambiente econômico e antecipar decisões.
Independentemente do cenário, o estudo aponta algumas áreas consideradas estratégicas para a região, como formação técnica de jovens, fortalecimento de pequenas e médias empresas, ampliação da energia solar em prédios públicos, fortalecimento da cadeia leiteira e aumento da participação de fornecedores locais nos investimentos que chegarem ao território.
Celeiro Cerrado
O Celeiro Cerrado foi estruturado para atuar em três frentes: uma agência de desenvolvimento, responsável pela articulação entre os municípios; um escritório de projetos, voltado à estruturação de iniciativas e captação de recursos; e um polo de ciência, tecnologia e inovação, que aproxima universidades, institutos federais e empresas.
Entre as instituições envolvidas estão a Universidade Estadual de Goiás (UEG) e o Instituto Federal de Goiás (IFG). A expectativa é ampliar gradualmente a atuação para outros municípios do Norte goiano e, ao longo dos próximos anos, consolidar uma estrutura com autonomia institucional.
Para Sergio Andrade, o objetivo é que o processo deixe instrumentos permanentes para a região. “Um território se fortalece quando consegue transformar suas próprias potencialidades em capacidade permanente de desenvolvimento. O Celeiro nasce com essa perspectiva: deixar instrumentos, conhecimento, articulação e projetos que continuem gerando oportunidades no longo prazo”, afirma.
A estratégia também prevê o acompanhamento de indicadores relacionados à geração de empregos, investimentos atraídos, formação profissional, agricultura familiar, geração de energia solar e ambiente empreendedor. A ideia é utilizar esses dados para ajustar os projetos conforme as condições econômicas e as oportunidades identificadas ao longo da próxima década.
Leia também:
Siga o Canal do O Hoje e receba as principais notícias do dia direto no seu WhatsApp! Canal do O Hoje.