Fake news e corrupção já venceram nas urnas de 2026 e querem mais
Além dos crimes atribuídos em Goiás a familiares do governador e a fintech que operaria em seu mandato para o PCC, o vice de Flávio Bolsonaro foi anunciado como estuprador de uma adolescente, pouco depois se descobriu que era farsa, mas dois senadores governistas que potencializaram o absurdo não voltaram atrás e uma quer se reeleger pelo vizinho Mato Grosso do Sul
Nas eleições passadas, duas mulheres da vizinhança foram candidatas à Presidência da República, as senadoras Soraya Thronicke (MS) e Simone Tebet (MT). Em tese, deveriam ser apoiadas em Goiás pelos representantes de seus partidos, presididos respectivamente então por Ronaldo Caiado (União Brasil) e Daniel Vilela (MDB). Ainda bem que eles, vencedores daquele pleito para governador e vice, negaram-se a apoiá-las, não porque foram derrotadas já no 1° turno, mas porque elas abandonaram as siglas e fizeram o oposto do que se aguardava de ambas. O mandato de Tebet estava no fim, ela aderiu a Lula e ganhou um ministério, mudou de sigla (para o PSB) e até de Estado (para São Paulo). Duas indecências, porém normais diante do que fez a outra, que conseguira o mandato se dizendo “a candidata de Jair Bolsonaro”. Thronicke também aderiu à esquerda, mesmo sem pegar cargo, muito menos de 1° escalão. Também trocou de legenda (para o Podemos). Sua diferença foi se juntar a colegas de Parlamento, como o deputado federal Lindbergh Farias (PT-RJ), e acusar o vice na chapa de Flávio Bolsonaro (PL-RJ), Alfredo Gaspar (PL-AL), pelo estupro de uma adolescente.
O acusador deve apresentar documentos contra quem supõe ter cometido o crime. Mas Thronicke, Lindbergh e os demais espalhadores da fake news exigiram a resposta penal imediata. Cassação de mandato? Pouco. Sair da vice de Flávio? Menos ainda. Ser esquartejado e ter as partes do corpo penduradas em estacas pelas ruas de Maceió? Talvez. Descoberta a mentira, identificado o autor da denunciação caluniosa, o que aconteceu à rede de difamadores? Nada. Ficou tudo por isso mesmo. O Tribunal Superior Eleitoral e o Supremo Tribunal Federal vêm, desde o pleito passado, fazendo o que estiver possível para evitar essas fofocas delituosas. Foi com base nesse argumento, o de falar erroneamente mal do sistema de votação no Brasil, que o ministro Alexandre de Moraes se esforçou para tornar inelegível o ex-presidente Jair Bolsonaro. Que reprimenda o mesmo Moraes, STF e TSE aplicaram a Thronicke, Lindbergh e seus companheiros? Nenhuma.
Quase 5 meses depois, ninguém mais fala nisso
Outro episódio ocorreu em Goiás. No amanhecer de 7 de maio deste ano, a Polícia Federal invadiu um condomínio de luxo nas cercanias de Goiânia para prender a sogra do governador Daniel Vilela. As acusações eram graves, como chefiar um grupo criminoso que lucrou quase 1/4 de bilhão de reais com coiotes atravessando imigrantes para os Estados Unidos. Quase 5 meses depois, ninguém mais fala nisso, se alguém devolveu dinheiro, em que pé estão os processos ou foi mais uma trapalhada policial para e enxovalhar a honra de uma família proba. O certo é que o tema, de altíssima gravidade, sumiu do noticiário. Ninguém veio a público se desculpar por prender uma mulher com base em uma culpa ainda não firmada juridicamente, sem condenação.
Os políticos envolvidos, inclusive as vítimas de mentiras, continuam candidatos. Lindbergh, Tebet e Thronicke tentam o Senado por Rio de Janeiro, São Paulo e Mato Grosso do Sul. Gaspar se firmou como vice de Flávio, que aliás é personagem de acusações diariamente. Só ainda não disseram que ele cortou o dedo de Lula, mas falou que é Master é com ele, não com seu adversário, que recebeu o dono do banco no palácio e lhe deu conselhos, como um consultor privado (leia mais na coluna Xadrez desta edição). Pelo menos, as investigações sobre Daniel Vorcaro, o dono do falido Master, estão andando. As do caso da sogra de Daniel, não, o que seria importante para se comprovar sua inocência e exigir reparação. Outro caso que ainda não se apurou, ou se estão trabalhando nele falta ser divulgado, é o do empresário Adair Meira, preso uma semana antes da sogra de Daniel Vilela.
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Ninguém veio a público pedir desculpas
Meira era aclamado nacionalmente como benfeitor da juventude porque suas iniciativas, capitaneada pela Fundação Pró-Cerrado, abriam espaço para o trabalho em órgãos públicos, como os do Governo de Goiás e de outras dez unidades da Federação. Segundo os acusadores, Meira teria lavado dinheiro para o Primeiro Comando da Capital. O instrumento usado teria sido uma fintech, como a que o governo goiano continua a utilizar (ou parou e ainda não comunicou) para pagar os programas sociais. Mesmo sofisma dos casos anteriores, de Gaspar e da sogra de Daniel: ninguém veio a público pedir desculpas para Adair Meira nem dizer que foi condenado. Os contratos da Pró-Cerrado na administração pública local têm mais de 30 anos.
Como falta pouco para o 1° turno da votação, é provável que surjam novas operações policiais, novos vazamentos dos oito telefones celulares de Daniel Vorcaro e outras fontes de calúnias, injúrias e difamações. Bom para os honestos é que o eleitor está se lixando para isso, tanto que Lula saiu da cadeia condenado por delitos graves e virou presidente da República e Flávio só ainda não foi acusado de pregar chiclete debaixo da mesa. Ruim é que os verdadeiros criminosos, principalmente os que inventam malfeitorias para os adversários, vão continuar impunes. Por isso, os beneficiários dos crimes contra a honra querem mais e, o que é pior, sempre conseguem. (Especial para O HOJE)
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