domingo, 18 de outubro de 2026
SAÚDE

Falta de doadores limita transplantes em crianças; recusa familiar chegou a 45% dos casos em 2025

Apenas 2% das notificações de doadores falecidos correspondem a crianças; tamanho do órgão é fator decisivo na compatibilidade e restringe ainda mais as possibilidades de transplante pediátrico

Luana Avelarpor em
Falta de doadores limita transplantes em crianças; recusa familiar chegou a 45% dos casos em 2025
foto: magnific

No transplante pediátrico, encontrar um órgão disponível não significa, por si só, encontrar um órgão que possa ser usado. Em crianças, peso, altura e tamanho do órgão entram de forma decisiva na compatibilidade, tornando a busca mais restrita do que em muitos casos adultos. A dificuldade começa na própria oferta: apenas cerca de 2% das notificações de doadores falecidos correspondem a crianças.

Esse cenário aparece nos números nacionais. Dados do Ministério da Saúde mostram que, de janeiro a julho de 2026, foram realizados 278 transplantes pediátricos de órgãos no país: 24 de coração, 114 de fígado e 140 de rim. Em 2025, foram 589 procedimentos, entre transplantes cardíacos, hepáticos, pulmonares e renais. Dos 829 serviços de saúde autorizados a transplantar órgãos no Brasil, 70 realizaram transplantes pediátricos naquele ano.

A distribuição dos órgãos não segue apenas o tempo de espera. A lista única do SUS considera critérios técnicos, clínicos e a compatibilidade entre doador e receptor. Para crianças, o tamanho do órgão é um dos pontos centrais. Mais da metade dos transplantes pediátricos, 53%, utiliza órgãos de doadores de 11 a 17 anos.

Mesmo quando há possibilidade de doação, outra barreira pode interromper o processo. Em 2025, a recusa familiar ocorreu em 45% dos casos de potenciais doadores, de acordo com a Associação Brasileira de Transplantes de Órgãos. Nos casos que envolvem crianças, a resistência tende a ser ainda maior, em meio ao impacto de mortes súbitas e à dificuldade de discutir a doação em um momento de luto.

Em situações específicas, a doação em vida amplia as alternativas. Adultos saudáveis e juridicamente capazes podem doar um dos rins ou parte do fígado, desde que haja compatibilidade e avaliação médica que confirme segurança para o doador.

Para crianças na fila, o problema não é apenas esperar por um órgão. É esperar por um órgão adequado ao seu corpo e que chegue efetivamente ao sistema de transplantes. Em um cenário de oferta limitada, ampliar a conversa sobre doação pode ajudar a reduzir uma das barreiras que ainda separam pacientes pediátricos do procedimento.

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Crianças doadores Saúde transplantes

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