Celina avalia participar de debate da Globo desta terça (29) e diz que não quer “briga em campo aberto”
Governadora afirma que ainda analisa presença no último confronto antes do primeiro turno e cobra que adversários apresentem propostas para saúde e transporte
A cinco dias do primeiro turno das eleições para o Governo do Distrito Federal, a governadora e candidata à reeleição, Celina Leão (PP), ainda avalia se participará do próximo debate entre os candidatos. Em entrevista nesta terça-feira (29), ela afirmou que não tem receio de participar do confronto, mas criticou o ambiente dos últimos encontros e disse que sua equipe analisa a presença no debate da Globo.
“Eu não tenho medo de debate. Eu acho que eu sempre tive muito aberta para a imprensa, eu sempre respondi tudo. Mas a minha preocupação é que eles não querem um debate. Eles querem uma briga em campo aberto, no meio, com as pessoas assistindo isso, e eu não vou me propor a isso, se essa for a orientação deles”, afirmou.
A declaração ocorre na reta final da campanha, quando os candidatos ao Palácio do Buriti intensificam a agenda em busca dos eleitores que ainda não definiram o voto. Pesquisa Quaest divulgada nesta terça-feira (29), encomendada pela TV Globo, mostra Celina com 39% das intenções de voto, seguida por Leandro Grass (PT), com 23%. O levantamento ouviu 1.104 eleitores entre 25 e 28 de setembro e tem margem de erro de três pontos percentuais.
Apesar da liderança apontada pelo levantamento, Celina evitou tratar o resultado das pesquisas como antecipação da eleição e afirmou que trabalha para conquistar os eleitores indecisos.
“Eu sou uma mulher de muita fé. Eu sempre tive tranquilidade para trabalhar. A gente não conta com o resultado antes de serem abertas as urnas. Eu acho que isso é uma questão de humildade. É por isso que nós estamos aqui hoje. A gente pediu voto daquelas pessoas que estão indecisas, pediu para votar no 11, ver o trabalho que nós fizemos nesses quatro meses e o que a gente pode fazer ainda em quatro meses”, declarou.
Críticas aos últimos debates
Celina citou especialmente o debate realizado pelo Metrópoles, do qual participou em setembro, para justificar a avaliação sobre os próximos confrontos. Segundo ela, o encontro teve um ambiente que considerou hostil e com interrupções durante sua participação.
“Porque o último debate que eu participei foi uma agressão às mulheres. O candidato do PT me interrompeu o tempo todo durante a minha fala, os outros candidatos interromperam a apresentadora, gritaram com as pessoas que estavam lá. Então, um ambiente assim muito hostil, um ambiente que eu, como mulher, defendo que as mulheres não estejam nesse formato”, afirmou.
A governadora também disse que, após aquele debate, não participou de outros encontros. Em setembro, Celina não esteve no debate promovido pela Record, enquanto os demais principais candidatos participaram. Na ocasião, a assessoria da governadora informou que ela não compareceria em razão das funções no cargo.
No debate do Metrópoles, realizado em 10 de setembro, os candidatos discutiram temas como saúde, população em situação de rua, contratos, Banco Master e BRB, além de propostas para o DF.
Celina afirmou que a discussão eleitoral deveria estar concentrada nas propostas para os principais problemas da capital.
“A população do Distrito Federal quer saber o seguinte: quem vai resolver o problema do transporte, quem vai resolver o problema da saúde pública, quais são as propostas. E até agora esses candidatos só falam de mim. Eles não conseguiram mostrar qual será a mudança que eles vão fazer”, disse.
Saúde como principal argumento
Ao defender sua campanha, a governadora voltou a destacar medidas anunciadas ou executadas desde que assumiu o comando do GDF, há quatro meses. Ela citou números de cirurgias e consultas e afirmou que pretende usar o período para apresentar resultados da gestão.
“Eu, nesses quatro meses, estou subindo no meu programa eleitoral aquilo que eu fiz nos quatro meses: as 20 mil cirurgias, as 200 mil consultas”, afirmou.
Celina também citou a ampliação das cirurgias ortopédicas como uma das próximas ações do governo. Segundo ela, cerca de 3 mil procedimentos deverão ser realizados para atender pacientes que aguardam na fila de cirurgias eletivas.
“Acabei de chegar aqui, uma senhora me abraçando, falando que a filha dela operou no Hran. Então é isso. A gente começa a cirurgia agora de ortopedia, quase 3 mil cirurgias. Muita gente na fila de ortopedia aguardando a cirurgia eletiva, com dor”, declarou.
A governadora encerrou a avaliação sobre a reta final da campanha reforçando que ainda não decidiu se participará do próximo debate. “A gente está pensando se a gente vai para tentar fazer com que eles debatam a cidade”, afirmou.
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