Reta final leva candidatos ao Governo de Goiás às ruas em busca dos últimos votos
A quatro do primeiro turno, campanhas apostam em caminhadas, carreatas, redes sociais e mobilização de eleitores já convencidos
Bruno Goulart
Faltam quatro dias para o primeiro turno das eleições de 2026, marcado para domingo (4/10), e os candidatos ao Governo de Goiás entram na última semana de campanha com esforços concentrados na busca pelos votos que ainda podem mudar o resultado das urnas. Neste momento, as estratégias passam principalmente pelo aumento da presença nas ruas, pelo reforço da comunicação nas redes sociais e pela tentativa de mobilizar eleitores que já declararam apoio às candidaturas.
Procurados pelo O HOJE, o governador Daniel Vilela (MDB) e o ex-governador Marconi Perillo (PSDB) não responderam sobre quais serão as ações adotadas nesta reta final. Já o senador Wilder Morais (PL) afirma que pretende manter o contato direto com os eleitores e reforçar temas que considera centrais em sua campanha, principalmente a saúde e a defesa de pautas conservadoras. “Nossa estratégia nessa reta final é continuar conversando com as pessoas, apresentando nossas propostas para melhorar Goiás, principalmente na questão da saúde”, explica.
Segundo Wilder, a campanha também vai manter a atuação nas redes sociais. O candidato procura apresentar sua candidatura como uma opção de direita e associa seu projeto estadual à candidatura de Flávio Bolsonaro (PL) à Presidência da República. “Vamos seguir nas ruas e nas redes conversando com as pessoas e pedindo voto”, descreve. Na avaliação do senador, “Goiás é um dos estados mais conservadores do país” e “está na hora do 22 governar”. O governadoriável do PL também reforça a mensagem de uma chapa alinhada ao bolsonarismo: “É Flávio Bolsonaro na Presidência da República e Wilder Morais para o Governo de Goiás.”
PT aposta em redes e mobilização
No campo petista, o ex-deputado estadual Luis Cesar Bueno (PT) afirma que a campanha aumentou os investimentos possíveis em comunicação digital e identificou maior procura por materiais relacionados ao candidato e ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Para Luis Cesar, a movimentação nas ruas também aponta um sinal de crescimento da candidatura.
“Estamos investindo pesado, dentro de nossas possibilidades financeiras, em impulsionamento nas redes sociais”, afirma Luis Cesar. De acordo com o candidato, nos últimos 15 dias houve aumento na procura por materiais de campanha nos locais que funcionam como comitês. O petista também cita caminhadas e carreatas realizadas de forma espontânea em diferentes regiões do Estado. “Isso mostra que o PT é partido de chegada”, declara. A partir dessa percepção, Luis Cesar diz estar confiante em uma mudança no cenário até domingo. “Por essa razão e pelas pesquisas internas, estou confiante de que vamos surpreender e podemos ir ao segundo turno”, avalia.
Corpo a corpo ganha peso
Para o consultor em marketing político e mestre em Comunicação pela Universidade Federal de Goiás (UFG) Felipe Fulquim, apesar das diferenças entre os candidatos, a estratégia de reta final tende a seguir uma lógica semelhante. Com pouco tempo até a votação, as campanhas precisam ampliar a presença junto ao eleitor e reduzir a distância entre o candidato e o voto.
“Em relação aos indecisos, a estratégia geral vai ser a mesma para todos os candidatos nessa reta final”, afirma Fulquim. Segundo o mestre em Comunicação, os postulantes devem intensificar ao máximo as agendas externas, principalmente com caminhadas, carreatas e reuniões políticas de pequeno, médio e grande porte.
Nesse cenário, o contato direto pode ganhar importância justamente porque a campanha entra na fase em que cada dia representa uma oportunidade de ser lembrado pelo eleitor. “O corpo a corpo com o eleitorado será fundamental para ser lembrado e escolhido nessa reta final das eleições 2026”, explica o consultor.
Além das ruas, as redes sociais devem continuar como uma das principais ferramentas das campanhas. O impulsionamento de conteúdos permite que os candidatos ampliem a circulação de suas mensagens justamente nos últimos dias, quando a disputa pela atenção do eleitor se torna mais intensa.
Fulquim também destaca uma segunda frente: os próprios eleitores que já estão convencidos. A estratégia, segundo o consultor em marketing político, não deve ficar restrita aos candidatos e às equipes de campanha. A orientação é estimular aqueles que já decidiram o voto a conversar com familiares e amigos. “Reforço no impulsionamento nas redes sociais e principalmente no apelo aos que já estão convencidos de seus votos para que tentem sensibilizar aos seus parentes e amigos sobre o voto em seus candidatos”, afirma.
Abstenção também preocupa
Outro ponto destacado pelo especialista para os últimos dias de campanha é a preocupação com a abstenção. Em 2022, 21,7% dos eleitores goianos não compareceram às urnas, o equivalente a 1.057.695 pessoas. Para Fulquim, portanto, a disputa não se limita a conquistar os indecisos, mas também a garantir que os eleitores já convencidos mantenham a decisão e compareçam para votar no domingo.
“Algo a ser observado também é em relação às abstenções”, afirma. Segundo Fulquim, é prudente que as campanhas tentem sensibilizar o eleitorado para a importância de participar da votação. “Muitos votos podem se perder nessa estatística aí que só tem aumentado nas últimas eleições”, avalia. (Especial para O HOJE)
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