terça-feira, 6 de outubro de 2026
grama sintética

Mesmo após problemas, Goiânia mantém aposta na grama sintética

Enquanto mantém licitação para comprar grama sintética, Comurg informa ter plantado 104,9 mil m² de espécies naturais

Anna Salgadopor em
goiânia
Após recuar do uso do material em canteiros, Comurg mantém licitação de R$ 1,37 milhão para comprar 13,5 mil m² destinados a campos e praças Foto: Gabriel Louza/O HOJE

Mesmo após os problemas registrados com a grama sintética instalada em canteiros de Goiânia durante o período chuvoso de 2025, a gestão do prefeito Sandro Mabel (União Brasil) mantém a aposta no material. A Companhia de Urbanização de Goiânia (Comurg) lançou licitação de R$ 1,37 milhão para adquirir 13,5 mil metros quadrados de grama sintética para campos esportivos e praças. A contratação ocorre depois de trechos do material instalados na Avenida Castelo Branco e na Rua 44 serem arrancados por temporais e de a proposta enfrentar questionamentos do Ministério Público de Goiás (MP-GO).

A utilização da grama sintética começou a ser defendida por Mabel no segundo semestre de 2025 como alternativa para a manutenção dos canteiros da Capital. O prefeito assumiu a autoria da ideia e também planejou expandir os testes para o Parque Vaca Brava, com a implantação de áreas sintéticas sob as árvores.

Entre os argumentos apresentados por Mabel estava a redução da necessidade de manutenção. Segundo o prefeito, alguns canteiros precisavam passar por até 18 podas por ano, o que também poderia causar transtornos no trânsito. A cobertura artificial seria uma alternativa para diminuir a poeira e a frequência desses serviços.

Mabel também afirmou ter comparado a temperatura da grama sintética com a da grama natural seca. Segundo o prefeito, o material artificial apresentava temperatura dois graus inferior. Outro argumento apresentado foi a drenagem: Mabel afirmou que as perfurações existentes na grama sintética permitiriam a passagem da água.

A experiência, porém, enfrentou problemas com a chegada das chuvas. Temporais arrancaram trechos do material instalado nos canteiros e deslocaram a cobertura das áreas onde havia sido colocada. O Ministério Público de Goiás também acionou a Justiça para suspender a instalação da grama sintética.

Após os problemas, Mabel reconheceu que a iniciativa não havia funcionado naquele primeiro momento, mas afirmou que a experiência não significava o abandono definitivo da proposta. “Eu sou um cara que inova. Algumas inovações não funcionam. A grama sintética, ela não funcionou no primeiro momento, mas nem por isso a gente pode deixar de pensar nela”, afirmou.

Soluções diferentes

Em outra declaração, o prefeito defendeu a estratégia de testar soluções diferentes para problemas da cidade. “Tudo que a gente tem feito, nós temos feito buscando soluções diferenciadas. Essas soluções exigem: algumas acertam, outras erram, outras não funcionam. Quando não funciona, você tira do mapa e vamos tocar pra frente”, declarou.

Para o urbanista Fred Le Blue Assis, a substituição da vegetação natural por plástico representa um problema para o planejamento urbano de Goiânia. O especialista acompanhou as intervenções realizadas na Avenida Castelo Branco e na Rua 44 e questionou a utilização de uma cobertura artificial para substituir áreas de vegetação.

“É natural que a grama fique seca durante a estiagem. Essa mudança de cor faz parte do ciclo das estações e nos ajuda a internalizar a relação com a natureza. Se não cuidamos do pequeno, dificilmente cuidaremos do macro. Substituí-la por plástico é um erro que pode custar caro no futuro”, afirmou Fred Le Blue.

O urbanista também criticou a utilização da grama sintética como parte de um projeto permanente para a cidade. “Trocar a grama natural pela sintética como um projeto de cidade é preocupante. Isso desambientaliza as pessoas, cria uma estética de shopping center nas ruas e abre espaço para uma lógica privatizante do espaço público. Se naturalizarmos esse tipo de intervenção, estaremos caminhando para uma cidade cafona e desconectada do meio ambiente”, declarou.

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Drenagem urbana

Outro ponto destacado por Fred Le Blue é a drenagem urbana. Segundo o urbanista, a grama sintética não possui raízes que contribuam para a infiltração da água da chuva e, dependendo das condições de instalação, pode favorecer o escoamento para áreas pavimentadas.

“Diferente da vegetação natural, a grama sintética não possui raízes que auxiliam na infiltração da água da chuva. Em chuvas mais fortes, pode encharcar e escoar para o asfalto, aumentando riscos de alagamentos. Se não tiver furos em sua extensão, haverá acúmulo de água, podendo se tornar um criadouro de mosquitos da dengue”, explicou.

Fred Le Blue também relaciona a substituição da vegetação natural por material artificial à perda de características ambientais dos espaços públicos e defende a retomada de iniciativas anteriores de planejamento urbano.

“Precisamos recuperar projetos bem-sucedidos do passado, como o plano de drenagem urbana e o Arboriza Gyn, em vez de retroceder. O que está em jogo é se queremos uma Goiânia conectada à sua vocação verde ou uma metrópole artificializada e impermeável”, afirmou.

Ações de plantio

Enquanto mantém a licitação para a compra de grama sintética, a Prefeitura de Goiânia também passou a divulgar ações de plantio de vegetação natural. Em 2026, a Comurg informou ter plantado 104,9 mil metros quadrados de grama em canteiros, rotatórias e praças da Capital.

Entre os locais que receberam o plantio estão a Alameda Aeroporto, no Setor Santa Genoveva, a Avenida Ary José Cascão, o Recanto do Bosque, o Jardim Curitiba, o Parque Tremendão e o cruzamento da 5ª com a 11ª Avenida, no Setor Leste Vila Nova.

A divulgação do plantio apresenta a grama natural como parte das ações realizadas pela Comurg nos espaços públicos. A informação, porém, ocorre paralelamente à licitação para aquisição de grama sintética, que prevê material destinado também a

 

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Chuva Goiânia grama sintética Prefeitura de Goiânia

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