quarta-feira, 7 de outubro de 2026
Alerta na saúde

Chegada das chuvas aumenta preocupação com dengue em Goiás e Goiânia

Estado soma mais de 103 mil casos confirmados de dengue e 81 mortes em 2026; em Goiânia, confirmações cresceram 20,8% em relação ao ano passado

Renata Ferrazpor em
Chegada das chuvas aumenta preocupação com dengue em Goiás e Goiânia
Foto: Divulgação/Prefeito de Goiânia

Com o início do período chuvoso e a combinação de temperaturas elevadas com maior disponibilidade de água, Goiânia entra em uma fase de atenção redobrada para a proliferação do Aedes aegypti, mosquito transmissor da dengue, chikungunya e zika. Além do combate direto ao vetor, o cenário reforça a necessidade de ações de zeladoria urbana, como limpeza de lotes, retirada de resíduos, poda de mato e manutenção de bocas de lobo e galerias pluviais.

Dados do Informe Epidemiológico de Arboviroses da Secretaria Municipal de Saúde (SMS), divulgado em 30 de setembro, mostram que Goiânia chegou à Semana Epidemiológica 38 de 2026 com 38.985 casos notificados de dengue e 33.364 confirmados. No mesmo período de 2025, eram 32.159 notificações e 27.615 confirmações. O número de casos confirmados cresceu 20,8%, com 5.749 registros a mais neste ano.

A chikungunya também apresentou forte crescimento. Até a mesma semana epidemiológica, foram 903 casos notificados e 763 confirmados em 2026. Em 2025, eram 264 notificações e 166 confirmações. A alta nos casos confirmados chega a 359,6%. O informe registra ainda um óbito confirmado pela doença neste ano, enquanto não houve mortes em 2025.

Segundo o superintendente de Vigilância em Saúde de Goiânia, Flávio Toledo, a Prefeitura iniciou ainda em março a preparação dos agentes de combate às endemias para o período de maior risco. As equipes passaram por capacitações e tiveram as ações intensificadas com a chegada das chuvas.

Uma das estratégias utilizadas pelo município é a instalação de aproximadamente 25 mil armadilhas para monitoramento do Aedes aegypti. Os dados obtidos ajudam a identificar as regiões que precisam de maior atenção. A atuação também é definida a partir dos dados epidemiológicos, com reforço das equipes nos locais que concentram mais notificações.

Na Semana Epidemiológica 38, o Parque Atheneu apareceu como a área com maior concentração de casos, seguido por Urias Magalhães, Pedro Ludovico e Jardim Novo Mundo. De acordo com Toledo, isso não significa que as demais regiões deixem de ser atendidas, mas que esses locais recebem uma intensificação das ações.

Quando um caso de dengue é notificado, os agentes realizam os chamados bloqueios. As equipes vão até o endereço, vistoriaram o quarteirão em busca de possíveis criadouros e podem realizar a aplicação de inseticida na região para interromper a transmissão.

A prevenção, porém, não depende apenas do poder público. Entre as orientações estão eliminar recipientes com água parada, manter caixas-d’água fechadas, limpar quintais e calhas e evitar o descarte irregular de resíduos.

A infraestrutura urbana também tem papel importante nesse processo. Dados da Secretaria Municipal de Infraestrutura Urbana (Seinfra) mostram que, entre janeiro e setembro de 2026, foram limpas 13.561 bocas de lobo em Goiânia. No período, também foram desobstruídos 49.529 metros de ramais e galerias de água pluvial, realizadas 4.495 vistorias técnicas e 795 limpezas de bueiros e pontes.

Com a chegada das chuvas, a Seinfra informou que intensificou os serviços preventivos e corretivos no sistema de drenagem. Por meio da Gerência de Conservação e Obras de Arte (GERCOA), as equipes atuam na limpeza e desobstrução de bocas de lobo, bueiros, galerias, canais, córregos e outras estruturas. Segundo a pasta, o planejamento prioriza pontos com histórico de alagamento e regiões de maior risco. Goiânia possui 134 pontos de alagamento identificados pela Defesa Civil, utilizados como referência para a definição das ações.

Durante os serviços, as equipes também encontram estruturas obstruídas por lixo, terra, folhas, entulho e outros resíduos descartados de forma inadequada. Segundo a Seinfra, esse material reduz a capacidade de escoamento da água e pode contribuir para alagamentos. Nesses locais, são realizadas a retirada dos resíduos, limpeza e desobstrução das estruturas e, quando necessário, manutenção ou recuperação dos dispositivos.

O último levantamento do Índice Rápido do Aedes aegypti (LIRAa), realizado entre 18 e 22 de maio, classificou Goiânia como de baixo risco, com Índice de Infestação Predial de 0,8%. Dos 74 estratos analisados, 53 (71,6%) estavam em baixo risco, 19 (25,6%) em médio risco e dois (2,7%) em alto risco.

Enquanto Goiânia mantém as estratégias tradicionais de vigilância, Anápolis iniciou nesta segunda-feira (5) a liberação dos chamados Wolbitos, mosquitos Aedes aegypti que carregam a bactéria Wolbachia. A iniciativa integra o Método Wolbachia, que busca reduzir a capacidade do mosquito de transmitir os vírus da dengue, zika e chikungunya.

Mais de 5 mil pontos foram mapeados em Anápolis para receber recipientes com ovos dos Wolbitos. O método utiliza Dispositivos de Liberação de Ovos, nos quais os mosquitos se desenvolvem antes de deixar os recipientes e se reproduzir com a população de Aedes existente na região. A bactéria é transmitida às novas gerações e dificulta o desenvolvimento dos vírus dentro do mosquito.

Cenário no Estado

Em Goiás, o cenário também exige atenção com a chegada das chuvas. Segundo dados da Secretaria de Estado da Saúde (SES-GO), o estado contabilizava 158.461 notificações e 103.213 casos confirmados de dengue em 2026, além de 81 mortes pela doença. 

A chikungunya também apresenta avanço, com 13.317 notificações e 11.223 casos confirmados, número 356% maior que o registrado no mesmo período do ano anterior. Para a SES-GO, a combinação entre chuvas e temperaturas elevadas favorece a proliferação do Aedes aegypti e pode antecipar o período de maior transmissão das arboviroses.

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