quinta-feira, 15 de outubro de 2026
Em Goiânia

Boulos aposta na recuperação de votos de Lula em Goiás no segundo turno

Durante ato em Goiânia, ministro atribui expectativa a discussão de manutenção de direitos e fim da escala 6×1; PT estipula meta de ampliar votação do presidente em 400 mil votos no Estado

Thiago Borgespor em
Boulos aposta na recuperação de votos de Lula em Goiás no segundo turno
Ministro-chefe da Secretaria Geral da Presidência, Guilherme Boulos participou de ato na Praça Universitária nesta quarta-feira (14) | Foto: Arthur Siqueira/Especial para O HOJE

O ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos, afirmou que confia na recuperação dos votos do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em Goiás no segundo turno das eleições. Boulos participou de ato na Praça Universitária, nesta quarta-feira (14), em Goiânia.

Questionado pela reportagem do O HOJE sobre a queda de votos do presidente no Estado em relação ao primeiro turno de 2022, o ministro argumentou que a recuperação é possível porque as discussões no segundo turno ultrapassaram a disputa ideológica.

“Não importa se a pessoa é de esquerda ou de direita, o que importa é se a pessoa quer se aposentar. Com o Flávio Bolsonaro vai congelar a aposentadoria. Importa é se a mãe de uma criança autista ou com deficiência recebe o BPC, e o Flávio Bolsonaro já disse que o tesouraço dele quer congelar o BPC. Se é um trabalhador celetista, e nós vamos conseguir aprovar o fim da escala 6×1, mas o Flávio Bolsonaro já disse para os aliados que se ganhar a eleição ele revoga e bota a PEC da hora trabalhada, que tira direitos históricos dos trabalhadores”, disse Boulos. 

O ministro reforçou o discurso de que não está “em jogo a esquerda e a direita” na disputa presidencial. “O que está em jogo não é se a pessoa gosta ou não do Lula, é se ela gosta de si, da sua família e do seu País. Esse é o recado do segundo turno. Por isso que tenho essa expectativa de que nós vamos recuperar e talvez ampliar os votos do presidente Lula [em Goiás].” 

Votação do primeiro turno

Lula teve 1.188.880 votos no primeiro turno deste ano, uma queda de mais de 265 mil votos em relação à votação de 2022. No primeiro turno da eleição passada, o petista teve mais de 1.454.723 de votos em Goiás. A presidente do PT em Goiás, deputada federal Adriana Accorsi, minimizou a queda e associou a diminuição dos votos à candidatura a presidente do ex-governador de Goiás, Ronaldo Caiado (PSD). 

“Vimos isso com naturalidade, uma vez que o Estado de Goiás tinha um candidato a presidente. Nós vamos recuperar a votação. A aprovação popular e as manifestações demonstram isso”, disse a deputada em entrevista coletiva. 

Luis Cesar Bueno, que disputou o governo estadual e assumiu a coordenação da campanha de Lula em Goiás, revelou que a meta estipulada pelo presidente nacional do PT, Edinho Silva, é que a legenda aumente a votação do candidato à presidência em 400 mil votos no Estado.

Em seu discurso, Boulos enalteceu a militância pelos atos recentes em prol da reeleição de Lula na Capital. O ministro afirmou que “ninguém queria ficar atrás no primeiro turno”, mas que a votação foi a “condição de despertar” a militância e os movimentos de rua. Também convocou os apoiadores para manter os atos nas ruas e nas redes sociais até o próximo dia 25. 

Apoio de Daniel a Flávio

Durante a entrevista coletiva, o ministro associou o apoio do governador de Goiás, Daniel Vilela (MDB), à candidatura de Flávio Bolsonaro (PL) à “lealdade” do emedebista a Caiado. “Ele fez isso pela lealdade que tinha ao Ronaldo Caiado. Nem sei se é a posição dele. Ele fez isso porque ele era vice do Caiado, o Caiado apoiou a eleição dele para governador e o Caiado apoiou o Flávio Bolsonaro”, comentou o integrante do governo Lula.

Na sequência, Boulos minimizou a adesão dos partidos ao projeto presidencial do senador. “O que vai decidir essa eleição não é apoio partidário. O que vai decidir é a vontade das pessoas. Está cada dia mais nítido que a vontade do povo é não perder aquilo que conquistou. O Lula as pessoas conhecem. Gostem ou não, elas conhecem. Sabe que com o Lula não vai ter redução de direitos. E com o Flávio Bolsonaro? Mudança não pode ser tiro no escuro”, afirmou.  

Medidas eleitoreiras

Crítico das medidas do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) durante o período eleitoral em 2022, o ministro negou que as medidas recentes do governo Lula sejam eleitoreiras. “A PEC do fim da escala 6×1, que é o que a oposição está acusando de eleitoreira, o Lula defende que fosse votada há um ano e meio, muito antes do calendário eleitoral. Não foi votada não por causa do Lula, não foi votada porque o presidente do Senado [Davi Alcolumbre (UB-AP)] não quis votar”, disse. 

Em relação ao aumento do limite de faturamento do Microempreendedor Individual (MEI), Boulos esclareceu que a proposta de reajuste foi anunciada pelo governo junto à discussão sobre o fim da escala 6×1. O ministro ressaltou que a gestão petista havia anunciado a ampliação do limite para R$ 140 mil, mas que o projeto também permanecia parado no Congresso Nacional.

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