OMS propõe ampliar vacinação contra HPV; Goiás tem cobertura abaixo da meta
Estado registra cobertura de 85,27% entre meninas e 75,22% entre meninos de 9 a 14 anos. Em Goiânia, lei prevê ações permanentes de conscientização e vacinação nas escolas
A Organização Mundial da Saúde (OMS) propôs que países considerem ampliar a vacinação contra o Papilomavírus Humano (HPV) para meninas de 4 a 8 anos, como estratégia para aumentar a cobertura vacinal. No Brasil, Goiás registra índices de imunização de 85,27% entre meninas e 75,22% entre meninos de 9 a 14 anos, abaixo da meta de 90%. Em Goiânia, a Lei Municipal nº 11.706, de 14 de setembro de 2026, instituiu um programa permanente de promoção da vacinação contra o HPV e outras doenças imunopreveníveis nas escolas e instituições de ensino.
Considerado uma das infecções sexualmente transmissíveis (ISTs) mais frequentes do mundo, o HPV está associado a diferentes tipos de câncer, principalmente o de colo do útero. A ampliação da vacinação, as campanhas de conscientização e o rastreamento são algumas das medidas adotadas para prevenir doenças relacionadas ao vírus.
Durante a divulgação dos resultados da reunião do Grupo Estratégico Consultivo de Especialistas (SAGE) da OMS, o presidente do colegiado, Anthony Scott, informou que a cobertura mundial da vacina contra o HPV está em 33%. O índice está abaixo da meta global de imunizar 90% das meninas até os 15 anos de idade até 2030. Segundo Scott, cerca de 165 países já incluíram a vacina contra o vírus em seus calendários de imunização.
Para ampliar a cobertura, o SAGE reafirmou que a vacinação em dose única para meninas de 9 a 14 anos continua sendo uma estratégia eficaz. O grupo também propôs que os países considerem a vacinação de rotina de meninas de 4 a 8 anos, caso a antecipação contribua para aumentar a adesão e a cobertura vacinal.
Dados apresentados pela organização apontam que, em 2024, foram registrados 604 mil novos casos de câncer do colo do útero e 280 mil mortes pela doença em todo o mundo.
HPV está associado a diferentes tipos de câncer
O HPV reúne mais de 200 tipos virais. Estimativas médicas indicam que cerca de oito em cada dez pessoas sexualmente ativas terão contato com o vírus em algum momento da vida. Na maioria dos casos, a infecção não apresenta sintomas e é eliminada naturalmente pelo sistema imunológico. No entanto, a persistência de determinados subtipos pode provocar complicações.
Os tipos virais são classificados conforme o risco oncogênico. Os de baixo risco, como o HPV 6 e o HPV 11, podem causar verrugas anogenitais, lesões orais benignas e, em casos raros, papilomatose respiratória recorrente, que afeta as vias aéreas.
Já os tipos de alto risco incluem pelo menos 12 subtipos. Entre eles, o HPV 16 e o HPV 18 estão associados ao desenvolvimento de câncer e respondem por cerca de 70% dos casos de câncer do colo do útero. A infecção também está relacionada a tumores de ânus, pênis, vagina, vulva e orofaringe.
No Brasil, cerca de 20 mulheres morrem diariamente em decorrência do câncer do colo do útero. A doença é o terceiro tipo de câncer mais incidente entre mulheres brasileiras, desconsiderando o câncer de pele não melanoma. Nos homens, a infecção também está associada a tumores genitais. Ao longo de cinco anos, o País registrou 2.949 amputações de pênis relacionadas a complicações da doença.
O uso de preservativos reduz o risco de transmissão, mas não impede totalmente o contágio, que também pode ocorrer pelo contato direto entre áreas de pele não cobertas pelo método de barreira.
Goiás amplia vacinação contra HPV
Em Goiás, a cobertura vacinal contra o HPV entre o público prioritário de 9 a 14 anos chegou a 85,27% entre meninas e 75,22% entre meninos, segundo dados da Secretaria de Estado da Saúde de Goiás (SES-GO). Os índices estão abaixo da meta de 90% estabelecida pelo Ministério da Saúde.
O Estado registrou 981 casos de câncer do colo do útero em 2024 e 622 notificações preliminares em 2025. Para ampliar a proteção contra o vírus, o governo estadual aderiu à estratégia nacional de vacinação em dose única de adolescentes e jovens de 15 a 19 anos que ainda não haviam sido imunizados.
A subsecretária de Vigilância em Saúde de Goiás, Flúvia Amorim, destacou a importância da adesão à campanha e da proteção oferecida pelo imunizante contra doenças relacionadas ao HPV.

Goiânia institui vacinação permanente nas escolas
A Câmara Municipal de Goiânia aprovou o Projeto de Lei nº 304/2025, de autoria do vereador Heyler Leão, que resultou na Lei Municipal nº 11.706, de 14 de setembro de 2026, sancionada pelo prefeito da Capital. A legislação institui o Programa Permanente de Promoção da Vacinação contra o HPV e outras Doenças Imunopreveníveis nas Escolas e Instituições de Ensino.
A iniciativa prevê a integração das redes municipal de ensino e de saúde pública por meio de campanhas informativas e ações de vacinação voltadas a estudantes dos ensinos fundamental, médio e superior.
A justificativa do projeto apontou que os índices locais de cobertura vacinal estavam abaixo das recomendações da OMS. O documento também destacou uma estimativa segundo a qual cada real investido em imunização gera uma economia média de R$ 30 em despesas hospitalares evitadas.
Desinformação como barreira à vacinação
A desinformação e os tabus relacionados à sexualidade estão entre os fatores que dificultam a adesão à vacina contra o HPV. A ginecologista Vânia Marcella Calixtrato, que atua no complexo Órion, em Goiânia, afirma que parte dos pais demonstra receio de imunizar os filhos por acreditar que a vacina possa estimular o início precoce da vida sexual.
Segundo Vânia Marcella, a vacina foi desenvolvida para estimular a produção de anticorpos antes do primeiro contato com o vírus, o que aumenta a eficácia da proteção. A médica também destaca que os efeitos adversos graves são raros e que as reações mais comuns incluem dor no local da aplicação e febre passageira.
A especialista acrescenta que mulheres de até 45 anos também podem obter benefícios com a vacinação, mesmo que já tenham contraído alguma cepa do vírus, uma vez que o imunizante pode oferecer proteção contra outros subtipos oncogênicos e contra verrugas genitais.
A infectologista Juliana Barreto, ressalta a importância de ampliar a atenção à saúde dos adultos que não integram os grupos prioritários do calendário básico do Sistema Único de Saúde (SUS).
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