Alcolumbre adia votação e PEC da Segurança Pública fica para depois do 2º turno
Falta de consenso no Senado sobre redução da maioridade penal impediu avanço da proposta, que virou alvo da disputa entre governo Lula e oposição
O presidente do Senado Federal, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), só deve pautar a votação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da Segurança Pública na Casa Alta após o segundo turno das eleições presidenciais. A matéria, que foi pautada na última quinta-feira (15), ganhou um impasse entre governo e oposição após apresentação de emendas sobre a redução da maioridade penal.
Após a aprovação da PEC do fim da escala 6×1, o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) trabalhava para obter outra vitória no Congresso antes do 2º turno das eleições, no próximo domingo (25).
Porém, a tramitação da matéria no plenário do Senado esbarrou nas divergências. Na quinta, o líder da oposição no Senado e coordenador de campanha de Flávio, Rogério Marinho (PL-RN), apresentou uma emenda que propunha reduzir a maioridade penal de 18 para 14 anos em casos de crimes hediondos. Para os demais delitos, a proposta prevê a responsabilização penal a partir dos 16 anos.
Na tentativa de conter danos, o líder do PT na Casa Alta, Camilo Santana (PT-CE), apresentou uma emenda que reduzia a maioridade penal para 16 anos em caso de crimes hediondos. Apesar da estratégia visar o consenso para aprovação da PEC e evitar problemas para a campanha de Lula, a emenda de Camilo causou reação no próprio PT. Uma ala do partido defendeu que a proposta contraria os princípios da legenda.
A falta de consenso levou Alcolumbre a suspender a discussão, já que uma emenda ao texto faria com que a PEC retornasse para discussão na Câmara dos Deputados. Na última segunda-feira (19), o presidente do Senado se reuniu com parlamentares e decidiu que não haverá sessões deliberativas sobre a matéria na Casa Alta nesta semana.
A discussão se tornou um instrumento de disputa eleitoral. O candidato do PL à Presidência, Flávio Bolsonaro, passou a explorar o tema para pressionar o governo e questionar sua posição diante da criminalidade.
Na sabatina da TV Globo, também na última quinta, Lula saiu em defesa da redução da maioridade penal para crimes hediondos. Entretanto, o presidente argumentou que a discussão não deve acontecer no âmbito da PEC da Segurança Pública, e que o assunto desvirtua o texto.
Mudanças na PEC
A controvérsia em torno da maioridade penal não é nova na tramitação da PEC. Quando a proposta foi aprovada pela Câmara, em março, o relator, deputado Mendonça Filho (União Brasil-PE), retirou do texto um dispositivo que previa a redução da idade penal de 18 para 16 anos em crimes cometidos com violência ou grave ameaça à pessoa. Apesar de favorável à redução, o deputado retirou o dispositivo do texto após negociação com o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB).
A decisão permitiu que a proposta avançasse. O texto seguiu para o Senado, onde recebeu alterações e passou a prever medidas de endurecimento penal contra integrantes de facções criminosas, organizações paramilitares e milícias, com penas proporcionais à posição hierárquica dos envolvidos.
A Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado concluiu a análise da matéria em 14 de outubro. Entre os principais pontos da matéria estão a integração das forças de segurança, o fortalecimento da cooperação entre União, estados e municípios e a ampliação dos mecanismos de financiamento do setor. A proposta também prevê a possibilidade de criação de polícias municipais de natureza civil, com atuação ostensiva e comunitária.
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