Câncer de mama após os 60: oncologista explica quando continuar o rastreamento e quais sinais não ignorar
No Outubro Rosa, especialista alerta que envelhecer não significa deixar de prevenir; indicação da mamografia após os 74 anos deve ser avaliada individualmente com o médico
A chegada aos 60 anos costuma trazer mudanças nos cuidados com a saúde. Alguns exames passam a ser indicados com menor frequência, enquanto outros exigem acompanhamento mais próximo. No caso do câncer de mama, porém, uma dúvida merece atenção: quando a mulher envelhece, a prevenção também deve diminuir? A resposta depende das condições de cada paciente, mas uma orientação permanece: alterações suspeitas precisam ser investigadas em qualquer idade.
Embora o Outubro Rosa amplie a conscientização sobre o câncer de mama, os cuidados com a doença precisam acompanhar as mulheres ao longo de toda a vida. A atenção se torna especialmente necessária diante do envelhecimento da população brasileira. Segundo estimativas do Instituto Nacional de Câncer (INCA), o país deve registrar 78.610 novos casos por ano entre 2026 e 2028. A doença é a mais frequente entre as mulheres, desconsiderados os tumores de pele não melanoma.
Para a oncologista Danielle Amaro, o avanço da idade não deve ser confundido com a perda da necessidade de acompanhamento. O que muda é a maneira de avaliar os benefícios dos exames, considerando a saúde de cada mulher.
“Envelhecer não significa deixar de prevenir ou investigar doenças. O que muda é que o cuidado precisa ser cada vez mais individualizado. A mulher longeva deve ser avaliada considerando sua saúde global, histórico familiar, doenças preexistentes, expectativa e qualidade de vida. A idade cronológica, isoladamente, não deve determinar que ela deixe de receber atenção”, explica a especialista.
Até quando fazer mamografia?
Uma das principais dúvidas envolve a continuidade do rastreamento, exame feito em mulheres sem sintomas para identificar possíveis alterações. Pelas orientações atualizadas do Ministério da Saúde, a mamografia de rastreamento é recomendada a cada dois anos para mulheres de 50 a 74 anos.
Fora dessa faixa etária, a indicação deve ser discutida individualmente com o médico. Isso porque a continuidade dos exames depende de fatores como doenças preexistentes, estado geral de saúde e possíveis benefícios e riscos da investigação.
“Não existe uma regra única que possa ser aplicada a todas as mulheres longevas. Uma mulher de 75 anos saudável, ativa e sem grandes limitações pode ter uma realidade completamente diferente de outra da mesma idade que apresenta diversas doenças crônicas. Por isso, a decisão deve ser compartilhada com o médico e considerar o conjunto de características daquela paciente”, destaca. Danielle.
É importante distinguir o rastreamento de rotina dos exames solicitados diante de sintomas. Mesmo quando a mamografia periódica não é indicada, qualquer alteração suspeita deve ser avaliada, independentemente da idade.
Sinais que exigem atenção
Caroços persistentes, mudanças no formato das mamas, retração do mamilo, alterações na pele e secreção sanguinolenta estão entre os sinais que precisam de investigação médica. Essas manifestações não significam necessariamente a presença de câncer, mas não devem ser ignoradas.
Conhecer o próprio corpo ajuda a perceber mudanças, embora não substitua os exames recomendados. O diagnóstico precoce depende tanto da identificação de sinais suspeitos quanto da possibilidade de procurar atendimento e receber avaliação adequada.
Além do acompanhamento médico, hábitos cotidianos também merecem atenção. A prática regular de atividades físicas, a alimentação equilibrada, o controle do peso, o abandono do tabagismo e a redução do consumo de álcool contribuem para diminuir riscos à saúde.
Essas medidas não eliminam a possibilidade de desenvolver câncer de mama. Por isso, a orientação é manter consultas regulares e discutir com o profissional responsável quais exames são necessários, considerando o histórico clínico e as condições de saúde de cada mulher.
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