Movimento Voto 70+ destaca importância dos idosos nas eleições e mobiliza famosos para o segundo turno
Iniciativa chama atenção para o peso de 17,2 milhões de eleitores acima dos 70 anos
Aos 79 anos, Tânia Maria vive um momento de projeção no cinema brasileiro, mas não é apenas nas telas que a atriz potiguar tem chamado atenção. Conhecida pela participação no filme O Agente Secreto, ela passou a integrar o Movimento Voto 70+, iniciativa que discute a presença dos brasileiros mais velhos nas decisões políticas. A participação ocorre às vésperas do segundo turno das eleições presidenciais, marcado para domingo (25).
Em vídeo publicado nas redes sociais, Tânia chama atenção para um eleitorado que reúne mais de 17 milhões de pessoas. “No primeiro turno, essa eleição mostrou que vai ser decidida por pouquinho, pouquinho mesmo. E sabe quem vai fazer a diferença? Nós, que temos 70 anos ou mais. Somos mais de 17 milhões de eleitores. É muita gente pra ficar em casa”, diz a atriz.
De caráter cívico e apartidário, o Movimento Voto 70+ busca ampliar a participação e a representatividade dos brasileiros com 70 anos ou mais, faixa etária para a qual o voto é facultativo. A iniciativa é liderada pelo hub de dados estratégicos data8 e procura dar visibilidade à presença dessa população na vida pública, em um contexto de envelhecimento dos brasileiros.
Participação em crescimento
Dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), apresentados pelo movimento, apontam que a abstenção entre eleitores com mais de 70 anos caiu de 58,8% em 2022 para 49,1% no primeiro turno de 2026. No mesmo período, o número de pessoas aptas a votar passou de 14,9 milhões para 17,2 milhões, enquanto o contingente estimado de votantes cresceu de 6,1 milhões para 8,8 milhões.
Apesar do avanço, quase metade desse eleitorado não compareceu às urnas. O resultado também chama atenção para obstáculos que podem dificultar a participação, como problemas de mobilidade, deslocamento e acesso à informação.
Além de Tânia Maria, o movimento reúne personalidades como Drauzio Varella, Zezé Motta e Ary Fontoura, além de representantes de outras gerações, entre eles Nath Finanças, Silvero Pereira e Bárbara Carine.
Para Cléa Klouri, idealizadora da iniciativa, o aumento do comparecimento ajuda a combater a associação entre envelhecimento e afastamento da vida pública. “O crescimento da participação dos brasileiros com mais de 70 anos é um sinal de que o envelhecimento não significa afastamento da vida política. Estamos falando de uma geração que ajudou a construir o país e que continua tendo muito a contribuir para as decisões sobre o próprio futuro. A repercussão da campanha também mostrou que existe espaço para ampliar o debate sobre o combate ao etarismo e reconhecer o eleitorado mais velho como parte fundamental da democracia brasileira”, pontua.
Embora não seja possível atribuir a redução da abstenção à campanha, os números evidenciam a participação de milhões de brasileiros mais velhos no processo eleitoral e a importância de garantir condições para o exercício desse direito.
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