quinta-feira, 22 de outubro de 2026
Eleições 2026

Campanhas de Flávio e Lula mobilizam apoiadores nas redes na reta final

Com apoio de aliados na coordenação da disputa, presidenciáveis disputam atenção do eleitor nas redes; especialista avalia que “arena digital” será tendência para as próximas eleições

Thiago Borgespor em
Campanhas de Flávio e Lula mobilizam apoiadores nas redes na reta final
Flávio Bolsonaro (PL) e Lula (PT) acirram corrida presidencial com ataques nas redes sociais | Foto: Renato Pizzuto/Band

A três dias do segundo turno das eleições presidenciais, as campanhas do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) continuam com as mobilizações digitais como um dos principais ativos na busca para ampliar a votação no próximo domingo (25) e garantir o direito de chefiar o Palácio do Planalto a partir de 2027.

Desde o resultado do primeiro turno, que colocou Flávio à frente de Lula na disputa presidencial, a campanha do petista energizou a presença nas redes na tentativa de fazer frente à chapa do presidenciável do PL, que já contava com uma forte mobilização digital desde o início da corrida eleitoral.

A coordenação da campanha de Lula apostou na força de parlamentares aliados. O maior expoente da guinada digital do petista é o deputado federal reeleito André Janones (Rede-MG). No canal de mensagens do Whatsapp intitulado “Exército do Lula”, que já superou a marca de 7 milhões de seguidores, Janones dá instruções de comportamento nas redes para os militantes, na busca por pautar o debate digital.

Na tentativa de manter a dianteira no debate nas redes, o canal “Tropa do Flávio” é administrado pelo deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG). O objetivo é o mesmo: manter a militância ativa nas redes e mobilizar o eleitorado em prol da candidatura do filho do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

Resultado do contexto

Para o mestre em Comunicação pela Universidade Federal de Goiás (UFG) e especialista em Marketing Político Marcos Marinho, a disputa eleitoral nas redes entre Lula e Flávio é resultado do “contexto atual”.

“No contexto atual, a arena de embate político se tornou digitalizada. As comunicações hoje em dia fluem muito mais através das redes sociais, e isso vai dando um novo tom. Você é guiado por estilos de comunicação que necessariamente precisam ser aderentes às plataformas. Para além de ter uma mensagem capaz de gerar aderência, você tem que ter adequação ao meio”, explica o especialista ao O HOJE.

Marinho afirma que a mobilização nas redes escalou na reta final em razão da “tensão gerada no segundo turno”. “É uma eleição muito parelha, com muita proximidade de resultado. Qualquer erro dá a vitória ao oponente. Nós estamos em um contexto complexo em que é possível usar canais de comunicação digital para potencializar sentimentos, emoções, medos, rancores. Isso gera esse caldeirão de sentimentos, perspectivas e desejos que escalaram por ser uma eleição que está na linha para a decisão favorecer um lado ou outro”, afirma.

O especialista ainda ressalta que, “invariavelmente”, os candidatos terão de “passar pela arena digital”. “Isso é um ponto estabelecido. E vai ser assim nessa eleição, já foi na passada e nas próximas vai ser cada vez mais. É uma dinâmica do contexto da atualidade e nós vamos ter que lidar, porque não vai arrefecer”, avalia Marinho.

Personagens políticos relevantes

No contexto da disputa presidencial, as campanhas de Lula e Flávio avançam nas redes a partir da integração de personagens políticos com relevância nas redes sociais. Após a derrota no primeiro turno, o petista convocou deputados federais eleitos com trabalho digital consolidado para participar da campanha. Entre eles estão Ana Elisa (PT-MG), Guilherme Cortez (PSOL-SP) e Jones Manoel (PSOL-PE), além do próprio Janones.

Do lado de Flávio, além de Nikolas, estão na linha de frente da disputa digital Lucas Pavanato (PL-SP), deputado federal eleito; Eduarda Campopiano (PL-SP), deputada estadual eleita; e Pablo Marçal (PRTB), que disputou a Prefeitura de São Paulo em 2024.

O especialista avalia ainda que o fenômeno digital nas eleições pode alavancar personagens que saibam, sobretudo, fazer campanha nas redes. “Há atores que estão ganhando protagonismo à revelia da competência política por saberem lidar com os meios digitais, com as dinâmicas das plataformas”, avalia.

Pós-eleição

Para Marinho, o debate sobre as disputas digitais em eleições trará o debate sobre interferência externa para o pós-eleição. “Nós vamos ter que debater qual é a autonomia possível da comunicação política nas plataformas digitais. A gente tem que lembrar que são empresas privadas de outro país [que controlam as redes sociais] e que demonstraram claramente que podem influenciar nos nossos processos democráticos”, observa.

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