Vitória de grandes governadores no 1° turno decidiu pró-Lula
PT reacendeu a militância perdida e não teve quem combater nas ruas, pois os partidários dos principais nomes da direita já estavam em ritmo de descanso depois do enfrentamento que mais interessava, o dos próprios adversários
A reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) foi decidida no último dia 4, mesmo com a vitória de seu adversário, Flávio Bolsonaro (PL). Quando a análise se prendeu à fração do eleitorado nas unidades da federação conquistas pelos apoiadores de Flávio, não havia outro diagnóstico: Lula não vira, até porque havia algo idiota que muita gente metida a sábia repetia, a tradição de quem ganhar no 1° turno não perder no 2°. O problema é que os aliados do PL ganharam em definitivo no dia 4. E os Estados são simplesmente os mais ricos e populosos: São Paulo, Minas Gerais, Rio de Janeiro, o Sul inteiro, todos os do Centro-Oeste. Por mais fiéis que sejam, esses vencedores não fariam para Flávio uma campanha na mesma intensidade que fizeram para si. Desaguou na derrota inesperada, que não foi prevista nem pelos institutos de pesquisas liderados pela esquerda.
Os chamados grandes governadores, dos Estados mais populosos, tiveram alguma participação nos movimentos pró-Flávio, mas nada que se comparasse às próprias mobilizações. Cleitinho Azevedo e Romeu Zema, o governador eleito e o anterior de Minas Gerais, foram a quantos dos 853 municípios mineiros? Cleitinho não foi a 50, Zema não foi a 3. Queriam dar qual margem de vitória a Flávio? O mesmo vale para todos os demais, que seguiram o óbvio. Suas siglas e eles mesmos não tinham finanças para mais um turno de gastos. Devem estar devendo da própria eleição, não teriam tempo nem crédito para levantar dinheiro para Flávio.
Cada qual fica em seu QG
A verdade sobre esses apoios é que cada qual fica em seu QG, grava um vídeo, de vez em quando sai para pregar adesivos, cola meia dúzia de sitrus para capturar imagens e volta para o ar-condicionado. Não dá, ainda assim, para atribuir-lhes responsabilidade pela derrota. O que ocorreu foi o óbvio.
Os deputados estaduais e federais e os senadores eleitos com Flávio também se curvaram às dores do 1° turno, pois os cargos que disputavam não têm 2°. Se nem eles saíram para as ruas para defender Flávio como fizeram para si até o dia 4, não poderiam exigir dos que ficaram na suplência. Em Goiás, por exemplo, Flávio subiu pouco mais que a metade da ascensão de Lula nas três semanas entre os turnos. O presidenciável Ronaldo Caiado (PSD) e o governador reeleito Daniel Vilela (MDB) anunciaram apoio a Flávio, porém, isso não se transformou em votos. Não por culpa de Daniel e Caiado, mas só com muito Fundo Partidário remobilizariam os mais de 500 candidatos a deputado, os 227 prefeitos e os milhares de vereadores e secretários municipais de sua base. Por isso, Flávio teve 53,6% no 1° turno e 59,66% no 2°, enquanto Lula saltou de 31,06% para 40,34%.
Se há culpados, devem ser procurados entre os governadores
Se há culpados no staff de Flávio, eles devem ser procurados entre os tais grandes governadores. Neste domingo (25), no reino de Tarcísio de Freitas, Flávio teve 53,85% e 51,93% no 1°. Portanto, subiu menos de 2%. Lula passou de 38,2% para 46,15%. Aí está o segredo do sucesso do PT: no 1° turno paulista, Flávio teve 12.922.029 e Lula, 9.505.413; no 2°, 14.137.519 a 12.116.838, com 99,9% apurados. Ou em Minas. Ou no Sul.
Faltou a esses grandões o que sobrou nos petistas, ânimo. O PT reacendeu a militância perdida e não teve quem combater nas ruas, pois os partidários dos principais nomes da direita já estavam em ritmo de descanso depois do enfrentamento que mais interessava, o dos próprios adversários. (Especial para O HOJE)
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