Netanyahu denuncia suposta fraude sem apresentar provas em eleição decisiva em Israel
Israel vai às urnas após guerra em Gaza, e futuro político de Netanyahu fica em jogo
Israel realizou nesta terça-feira (27) as primeiras eleições legislativas desde os ataques do Hamas, em 7 de outubro de 2023. A votação define os 120 integrantes do Knesset, o Parlamento israelense, e ocorre em meio à polarização política e aos debates sobre segurança nacional após anos de conflitos na região.
O primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, que busca permanecer no cargo, denunciou supostas tentativas de fraude eleitoral envolvendo integrantes do partido árabe Lista Árabe Unida (Ra’am). Entretanto, ele não apresentou provas para sustentar a acusação.
A votação também registrou participação de 44,9% durante a tarde, o maior índice desde 1973, segundo a comissão eleitoral. Enquanto os eleitores compareciam às urnas, as pesquisas indicavam uma disputa equilibrada entre o Likud, partido de Netanyahu, e o Yashar, ligado ao centrista Gadi Eisenkot, ex-comandante militar que entrou recentemente na política.
Netanyahu acusa partido árabe, mas autoridades contestam versão
Durante o dia de votação, Netanyahu acusou três dirigentes do Ra’am de tentar interferir no resultado eleitoral. Os três foram detidos no sul de Israel com envelopes que continham dinheiro.
A comissão eleitoral, porém, afirmou que os suspeitos foram detidos perto de suas casas e ainda não haviam chegado aos locais de votação. O órgão classificou o episódio como isolado e informou que o caso está sob investigação.

O líder do Ra’am, Mansur Abbas, respondeu às declarações de Netanyahu. Ele acusou o primeiro-ministro de mentir e de espalhar medo para mobilizar eleitores de direita.
Já o partido Yashar afirmou que Netanyahu estaria preparando o terreno para contestar o resultado caso perdesse a disputa. Até o momento descrito pelas fontes, entretanto, as autoridades eleitorais não confirmaram uma fraude que pudesse comprometer a votação.
Em outro episódio registrado durante a eleição, a polícia prendeu em Tel Aviv um homem que portava uma faca e se aproximou de forma ameaçadora do líder de esquerda Yair Golan. Após o ocorrido, Golan afirmou que a incitação e a violência não intimidariam seu grupo político.
Disputa ocorre após três anos de conflitos
A eleição acontece após os ataques do Hamas de outubro de 2023 e a campanha militar israelense na Faixa de Gaza. Desde então, o conflito provocou destruição no território palestino e ampliou as tensões de Israel com outros atores regionais.
Além da guerra em Gaza, Israel realizou operações militares no Líbano e ataques contra o Irã. O país também foi alvo de ofensivas atribuídas ao Irã, ao Hezbollah, ao Hamas e aos houthis, do Iêmen.
Nesse cenário, a segurança nacional ocupa posição central na campanha de Netanyahu. O primeiro-ministro, de 77 anos, destacou sua experiência no cargo e sua relação com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
Netanyahu voltou ao poder em dezembro de 2022 e acumulou cerca de 19 anos como primeiro-ministro, somados seus diferentes mandatos. Entretanto, o ataque do Hamas em 2023 provocou questionamentos sobre as falhas de segurança que permitiram a ofensiva.

Gadi Eisenkot, de 66 anos, prometeu criar uma comissão independente para investigar essas falhas. O governo de Netanyahu rejeitou a proposta.
Formação do próximo governo depende das alianças
Os eleitores escolhem os 120 integrantes do Knesset, mas a definição do próximo primeiro-ministro depende da formação de uma maioria parlamentar. Para governar, uma coalizão precisa reunir pelo menos 61 cadeiras.
As pesquisas citadas durante a campanha indicavam que o Likud e o Yashar poderiam conquistar entre 20 e 30 assentos cada. Portanto, nenhum dos dois partidos deveria alcançar sozinho a maioria necessária para formar o governo.
Eisenkot lidera uma aliança informal que reúne forças políticas da direita à centro-esquerda. Apesar de se opor à criação de um Estado palestino e apoiar os assentamentos israelenses, ele prometeu conter a violência de colonos na Cisjordânia.
Netanyahu, por sua vez, conta com uma coalizão que inclui partidos de extrema direita e grupos ultraortodoxos. Essas forças ampliaram sua influência política nos últimos anos.
Os partidos que representam a população árabe, estimada em 21% dos habitantes de Israel, também podem desempenhar um papel importante na formação de uma maioria. Até o momento descrito pelas fontes, contudo, nem Netanyahu nem Eisenkot haviam anunciado a intenção de formar alianças com essas legendas.
A apuração final pode levar dias. Enquanto isso, o resultado da eleição deve definir não apenas a composição do Parlamento, mas também as alianças necessárias para a formação do próximo governo israelense.
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