Trump volta a questionar eleição no Brasil e cita suposta fraude em comício no Texas
Trump compara eleições e condiciona respeito às midterms à honestidade da votação
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, voltou a questionar o processo eleitoral brasileiro durante um comício no Texas, nesta terça-feira (27). Na ocasião, ele mencionou a eleição vencida por Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e fez novas declarações sobre supostas irregularidades na votação.
Durante o discurso, Trump também criticou o sistema eleitoral francês. Em seguida, comparou a situação à disputa brasileira e afirmou que o resultado não lhe pareceu adequado.
A declaração ocorreu um dia depois de o presidente norte-americano questionar publicamente a legitimidade da eleição no Brasil. Na segunda-feira (26), ele afirmou que o resultado da disputa entre Lula e o senador Flávio Bolsonaro (PL) parecia ser de uma eleição fraudulenta.
Trump volta a citar eleição brasileira
Ao discursar no Texas, Trump afirmou que os franceses seriam os maiores fraudadores eleitorais da história. Logo depois, mencionou o Brasil e a eleição presidencial vencida por Lula.
“Embora o Brasil também esteja se saindo muito bem, não é? Você viu aquela situação? Não foi nada legal. Quer dizer, eu não tomei partido, mas não gostei… Não pareceu muito bom”, declarou.

Na véspera, o republicano já havia afirmado que a eleição brasileira passou uma imagem negativa para o mundo. Na ocasião, também defendeu que os processos eleitorais precisam ser incontestáveis.
Apesar das críticas, Trump declarou que gosta de Lula e que mantém uma boa relação com o presidente brasileiro.
As manifestações representam uma mudança em relação às declarações feitas antes do primeiro turno. Naquele período, Trump classificou a eleição brasileira como importante e elogiou o país. Depois da primeira etapa da disputa, também chamou o desempenho de Flávio Bolsonaro de “grande vitória” e previu uma disputa apertada no segundo turno.
Eleições legislativas dos EUA entram no centro do discurso
As declarações ocorreram a poucos dias das eleições de meio de mandato nos Estados Unidos, conhecidas como midterms. A votação está marcada para 3 de novembro e renovará todas as cadeiras da Câmara dos Representantes, um terço do Senado e 36 governos estaduais.
Durante o comício, Trump afirmou que respeitará os resultados das eleições legislativas, mas condicionou esse compromisso à lisura da votação.
“Sim, respeitarei, se forem eleições honestas”, declarou.

Enquanto isso, pesquisas de intenção de voto indicam que o Partido Republicano corre o risco de perder o controle de pelo menos uma das Casas do Congresso. O resultado das eleições poderá, portanto, alterar a composição política do Legislativo norte-americano e as condições para a atuação do governo.
Declarações coincidem com chegada de Flávio Bolsonaro aos EUA
A nova manifestação de Trump ocorreu no mesmo dia em que o governo norte-americano confirmou a emissão de vistos para Flávio Bolsonaro e seus familiares. A autorização permitiu a entrada do senador nos Estados Unidos.
A viagem aconteceu em meio a uma determinação do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), para que Flávio entregasse seus passaportes à Polícia Federal (PF) em até 24 horas e não deixasse o Brasil.
Como o senador não cumpriu o prazo, a Polícia Federal cancelou os documentos na terça-feira (27). Naquele momento, porém, ele não era considerado foragido, pois não havia mandado de prisão contra ele.
Flávio é investigado por suspeitas de lavagem de dinheiro em um inquérito que envolve o advogado Willer Tomaz. O senador nega irregularidades.
Assim, as declarações de Trump sobre o sistema eleitoral brasileiro ocorreram em meio à disputa política nos Estados Unidos e à repercussão da viagem de Flávio Bolsonaro. O presidente norte-americano voltou a questionar a eleição brasileira, enquanto também condicionou o respeito aos resultados das eleições legislativas de seu país à avaliação de que a votação seja honesta.
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